ESPAÇO ABERTO
Vamos aprender a língua dos índios
-Daniel Steidle
O Dia do Índio, por mais passageiro, poderia despertar reflexões pessoais. Pouco sabemos do mundo dos índios. As notícias que recebemos são geralmente tristes: índios decadentes, índios passado fome, índios doentes, índios em conflito de terras, índios não querendo mais ser índios. Que importância tem o índio para o nosso mundo?
Nações, como o Paraguai e a Nova Zelândia, têm como segunda língua oficial o idioma dos nativos. O domínio da língua nativa proporciona um contato mais íntimo com o ambiente. Os sons da linguagem nativa correspondem, às vezes, aos sons locais da natureza. Existe um pulsar emocional, além do racional, na língua natural do espaço onde vivemos.
Quando falamos de animais selvagens, os primeiros exemplos que normalmente nos vem à cabeça são: leão, elefante e girafa. Quando o assunto é plantas pensamos em eucalipto, rosa e soja. Pouco lembramos da fauna, da flora e das pessoas originais do ambiente local.
Vivemos ignorantes num ambiente que não reconhecemos. Por ignorância matamos o que desconhecemos. Queremos um mundo da ordem e do progresso, sem mosquitos, cobras, sujeira, selvagens ou outras inconveniências que podem ser eliminadas ou mantidas confinadas. Mas, na esterilização e artificialização que promovemos para que a natureza ''natural'' fique distante ou se comporte de maneira regrada, persistem mosquitos, cobras, sujeira, selvagens e muito mais.
A vingança pela nossa interferência, ainda que não a percebemos com nitidez, está se fazendo sentir. Porém, nos comportamos como cegos, surdos e mudos diante de fatos como mudanças climáticas, reaparecimento de doenças supostamente extintas e invasão de pragas. Confiamos que o homem pode sempre inventar ''remédios'' novos. Assim se sustenta o ciclo vicioso: conquistas seguidas pela necessidade de remediação. Um bom negócio?
Para que a comunicação seja eficiente é importante que não domine a nossa língua. Saber escutar e falar com um índio na sua língua pode ser um caminho surpreendente de aprendermos também nos comunicar de maneira mais eficiente com nossa família, vizinhos e conterrâneos.
DANIEL STEIDLE é mestre em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento e agricultor em Rolândia
Projeto Dekassegui: do sonho à realidade
- Alex Canziani
Num mundo de oportunidades, cada conquista deve ser comemorada. E estamos comemorando! Os dekasseguis, migrantes japoneses, em breve terão uma assistência fundamental para garantir seu sucesso profissional no Brasil: o Projeto Dekassegui.
Um convênio para capacitação profissional, firmado recentemente no Japão com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), vai possibilitar ao conceituado Sebrae e à renomada Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD) promoverem programas voltados àquela comunidade. São 3 milhões e 100 mil dólares em investimentos no projeto!
Trata-se de mais uma vitória! Lembro-me de quando fomos procurados pelo então presidente da ABD, o amigo Rui Hara. Ele tinha o sonho de executar um projeto de apoio aos dekasseguis e pediu a nossa colaboração. Vimos a importância da proposta e, então, fomos no Sebrae. Falamos com o assessor para Assuntos Internacionais Renato Caporali. Em seguida, com o então diretor Paulo Okamotto (hoje presidente), que ficou entusiasmado.
Não demorou e o Termo de Cooperação foi assinado, resultando num profundo estudo das potencialidades que envolvem aquela comunidade. Foram feitos 1.179 questionários no Brasil e 322 no Japão, o que mostra a dimensão do estudo.
Pela pesquisa, metade dos nipo-brasileiros que emigram para o Japão está motivada a regressar com o intuito de abrir seu próprio negócio. São 268 mil pessoas que enviam em torno de 2 bilhões de dólares por ano ao Brasil!
Tamanho potencial vai levar o Projeto Dekassegui a ver, com especial atenção, as comunidades mais populosas de imigrantes japoneses no Brasil. O Sistema Sebrae será o responsável pela gestão do projeto, que deverá abranger dez mil pessoas, entre os que vivem no Japão e os que já voltaram. A proposta é mostrar, aos beneficiários, a importância de se ater às inovações tecnológicas e gerenciais do Japão para depois aplicá-las aqui, mas em setores mais demandados.
E a preocupação é grande, pois um estudo preliminar mostra que muitos voltam e acabam realizando negócios malfadados, implicando em altos índices de mortalidade empresarial.
Mas isso vai mudar. Queremos cumprimentar o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, o assessor para Assuntos Internacionais Renato Caporali, o diretor de Administração e Finanças do órgão, César Rech, o ex-presidente da ABD Rui Hara e a atual presidente Maria Helena Uyeda, o coordenador do Projeto Dekassegui naquela associação, Kiyoharu Miike, o presidente do BID, Enrique Iglesias, e também o consultor Dorval Rodrigues Júnior, do Instituto Educere, de Brasília, que atuou intensamente na elaboração do projeto.
O convênio foi um momento histórico para todos, cujo resultado vai beneficiar os dekasseguis e o próprio Brasil, com a geração de mais renda e mais emprego!
ALEX CANZIANI SILVEIRA é deputado federal pelo PTB do Paraná e interlocutor da Associação Brasileira de Dekasseguis no Sebrae
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