ESPAÇO ABERTO
Sexo depois do parto
-Moacir Costa
As mulheres que tiveram parto normal sentem-se dispostas a fazer amor, depois de duas ou três semanas depois do nascimento do bebê. Mas, a maioria, principalmente as que passaram por uma cesariana, só se sentem prontas para reiniciar as atividades sexuais após seis semanas.
Enquanto ambos esperam que a relação com penetração, volte a ser prazerosa, é possível entregar-se a outros prazeres, capazes de manter a intimidade e o desejo dos parceiros, neste momento tão delicado.
Se o casal sentir desejo um pelo outro, não há nenhuma contra-indicação para que façam amor no período pós-parto. Mas essa decisão, em geral, não é tão simples. Ter um bebê é um acontecimento sublime e ao mesmo tempo desorganizador da vida sexual da mulher, afetando profundamente também o parceiro, em especial se for o primeiro filho.
Muitas mulheres só se sentem seguras se o corpo estiver perfeito. O ganho de peso faz com que elas se sintam pouco atraentes, e sequer imaginam que o parceiro possa desejá-las.
Certas mulheres acham que cuidar do bebê é tão satisfatório emocionalmente - e ocupa tanto tempo - que simplesmente, não dispõem de energia afetiva. Outras se preocupam tanto com cada ruído ou reação do bebê - que simplesmente não dão atenção ao parceiro. Como resultado, ele se sente rejeitado e isso interfere na vida sexual;
Medo de uma nova gravidez é a causa mais comum do distanciamento sexual neste período. Cerca de um terço das gestações não é planejada.
O cansaço é o obstáculo mais comum para o sexo após o parto, e este é certamente um fator concreto. A exaustão física agravada pelas noites de sono interrompido, o que acaba com a resistência das jovens mães.
Algumas mulheres não se sentem felizes com a maternidade e se ressentem com o novo estilo de vida, com uma eventual perda do emprego e possivelmente, com a atitude do parceiro em relação a elas. A falta de desejo sexual é apenas um reflexo de toda esta insatisfação.
Dicas para manter uma vida sexual com prazer: beijos e carícias são alternativas amorosas para manter a intimidade durante as delicadas semanas após o parto. Isso aumenta a cumplicidade e é aconchegante para ambos. O contato sensual é uma forma estimulante de dar e receber prazer. Embora a mulher possa perder o desejo sexual após o nascimento do bebê, é necessário estar atenta ao parceiro e não esquecer que ele pode sentir-se rejeitado se a vida íntima não for sendo restaurada aos poucos. Carinho e compreensão ajudam a superar este momento.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
n caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2ª à 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br
Os rastilhos da violência
-Francisca Vergínio Soares
Em setembro de 2004, em Brasília, realizou-se o Encontro Internacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos que chamou a atenção de como esse problema tornou-se o epicentro de vários delitos. A lavagem de dinheiro, afirmavam os debatedores, alimenta e incentiva o tráfico de drogas, o contrabando de armas, a prostituição em todos os níveis, a indústria dos seqüestros e outros crimes que se tornam barreiras suficientemente capazes de frear o desenvolvimento do país.
A situação do Brasil foi comparada a paraísos fiscais pelo procurador Nacional Antimáfia da Itália, Piero Luigi Vigna. Para ele, o país vem adotando uma posição anti-histórica, ao resistir à sugestão da convenção das Nações Unidas que torna flexível o sigilo bancário nas investigações de lavagem de dinheiro. Foi observado que o Brasil, ainda deve melhores mecanismos de controle financeiro, capazes de permitir que as autoridades possam inibir a lavagem do dinheiro ilegal.
O debate, contudo, não pode resumir-se à quebra de sigilo. Sobretudo porque, no Brasil, o abuso desse recurso o tem tornado um mecanismo muito mais propício para expor pessoas ao invés de combate efetivo ao crime. É sabido que tal crime, afinal, encobre não só o bandido do morro ou o membro de organizações criminosas. Tão protegidos quanto eles estão os agentes públicos que desviam recursos oficiais e os sonegadores de impostos.
Foi exposto neste Encontro que possivelmente, várias empresas de fachada no Brasil lavem, por ano, cerca de US$ 10 bilhões com subfaturamento em operações de exportação, tráfico de entorpecentes e contrabando. Somem-se ainda os processos ajuizados na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que atingem milhões de reais em impostos devidos. Os números são eloqüentes também na pirataria de todos os gêneros, inclusive do papel-moeda circulante, que é de concepção antiquada e favorece a falsificação. Contra tais evidências, o melhor combate é simples no nome e complexo na aplicação, mas urgente na execução: o controle e a fiscalização.
Enfim, é preciso a atuação conjunta das três esferas governamentais e de órgãos como a Receita Federal e a Polícia Federal. Interessantes também são as medidas efetivadas pelo Poder Judiciário, como a implantação de varas especializadas nos crimes contra o sistema financeiro e de lavagem de dinheiro. A tarefa requer ainda a certeza de punição implacável, não às camadas desfavorecidas que estão na linha de frente, mas aos verdadeiros criminosos que lesam o erário e cria um rastilho de pólvora, por onde segue e se espalha a violência. Senão, como explicar o fenômeno do crescente aumento de adolescentes envolvidos com o crime, essencialmente, com o tráfico de drogas?
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é socióloga, doutora em Ciências Sociais e docente de Sociologia e Política em Londrina





