Política é cidadania
-André Alexandre Valentini

  Ansiedade, reuniões de cúpulas, reflexões, debates e anseios transformam o país no centro da política mundial. No despertar de uma nação, o patriotismo e a cidadania levaram milhões de conscientes ou não, de trabalhadores a empresários, à sustentação da democracia, do direito à escolha, ao dever de cidadão.
  A idealização de política ainda assombra quem mais participa, o povo. A má consciência inibe a mobilização, fechar os olhos para ela é o mesmo que não reconhecer sua existência, é vagar sem destino, é dar chance à sorte, que nem sempre escolhe o vencedor.
  Ser cidadão é envolver-se na discussão, é enaltecer a ideologia, é formar a cumplicidade com seu representante, fazer lembrá-lo de sua existência, dos papéis e do dever que ele tem como pessoa pública, é aplaudir e cobrar, é acreditar e fazer valer seu pleito de cidadão.
  A política se faz com coerência e honestidade, a seriedade incorpora transformações, a solução ou o atraso, o preparo ou o descaso. A política é a sombra que caminha conosco, são atos e respostas, responsáveis por nossa evolução, pela caracterização do estar, do ser e de viver. Política se ‘‘come’’, se ‘‘ama’’, política relata a estruturação de um povo, a paz soberana, ou a violência pluralizada, singulariza a modo de um todo ou o veto de todos.
  Política é a complexidade do sonho à realidade, da esperança às concretizações. A política é funcional e consegue diagnosticar a formação cultural, econômica e social das nações. Ela distribui os rumos, os fazeres e deveres, a cura ou a decadência de um poder.
  Política se faz por todos, indiferente da dinâmica ostentada, sem raça e sem cores, os que não têm nada e os que possuem de tudo, é ela que flexiona culturas e inclui princípios, é ela que define futuro, que discute o presente e ressalta o passado, e assim sempre será. De um lado pessoas a ignoram e a tratam sem ética, e sem base, de um outro pessoas organizam movimentos impulsionados por causas, e todos afunilam-se dentro dela, sonhando e nem sempre entendendo a capacidade que a mesma tem em nos influenciar, em nos dominar.
  Fazer uma junção de idéias é destacar a importância da participação de todos, militante ou não, urbana ou rural, enfim, todas as áreas e classes julgando para si a sua participação e contribuição perante a sociedade. Represente seu direito cívico, destaque sua história e pense por todos, pois todos caminham por um, faça valer a condição de nação.
ANDRÉ ALEXANDRE VALENTINI é estudante de História na Universidade Estadual de Maringá



Aterrorizados contra terroristas
-Paulo Nogueira
  
Como se não bastasse a vil necessidade da política econômica imperialista dos Estados Unidos ocasionalmente pôr em funcionamento seu medonho aparato bélico, ultimamente comandado por um presidente sanguinário que nada deve aos demais sanguinários da história, num assomo de insensatez e covardia, veículos de comunicação vêm subjetivamente apoiando este país ao colocar como terroristas os membros do movimento da resistência iraquiana.
  Ora, isto é a mais absoluta culpabilização da vítima. Não eram terroristas quem compunha a resistência francesa, nem a resistência italiana ou a resistência dos hebreus (judeus são apenas os descendentes da tribo de Judá) em Varsóvia, durante a ocupação nazista, que usaram táticas semelhantes.
  Quem são terroristas? Terroristas são aqueles que não têm armas nucleares nem para matar erva-daninha ou quem as têm em quantidade suficiente para explodir o planeta mais de 30 vezes? Terroristas são os marginalizados e subnutridos que a política econômica norte-americana criou, cujo estado gasta com 214 bebês o que os EUA gastam com um bebê, cujo PIB é menor do que a fortuna pessoal de muitos norte-americanos, ou os EUA, que locupletam-se das riquezas do mundo, promovendo intrigas, mentiras, massacres, bloqueio econômico, etc?
  Terroristas são aqueles que em face às atrocidades impunemente cometidas contra seu povo em seu próprio país, desesperam-se, e em defesa da honra, da família e da pátria, reagem através da crença no extremismo próprio de sua cultura, ou aqueles que têm a arrogância e o poderio militar por lei, a covardia e a brutalidade como qualidades militares (não estão frescas em nossa memória, as imagens dos cães do Exército dos EUA mutilando civis indefesos nas prisões iraquianas?), e a degeneração humana como objetivo social?
  Não são terroristas aqueles que causam o pavor, o medo, a degeneração e a degradação humanas, apoderam-se de todos os recursos de sobrevivência das nações menos desenvolvidas para fabricar uma estúpida parafernália bélica, que antes mesmo de ser empregada, gera muito mais dor e miséria do que a própria guerra?
  Não é terrorismo bombardear hospitais da Cruz Vermelha, que pela ordem jurídica internacional tem de ser preservada em todo e qualquer teatro de guerra? Por todos os diabos que as fábricas de alienados (as religiões) já inventaram e que ainda irão inventar, não são terroristas os especialistas em terrorismo?
  Coragem não se adquire de uma hora para outra, mas sensatez, ainda que tarde, é possível conseguir. Está na hora dos meios de comunicação chamarem de terroristas quem realmente o são.
PAULO NOGUEIRA é historiador em Londrina



- Os artigos para o Espaço Aberto devem ter, no máximo, 28 linhas e podem ser encaminhados pelo e-mail [email protected]. Textos acima dessa medida não poderão ser divulgados. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal.

mockup