A corrupção é inerente à atividade policial?
-Cláudio Marques da Silva
Afirmar que a corrupção é inerente à atividade policial é desconhecer por completo a natureza humana ou desconhecer o significado da palavra inerente. Inerente significa estar ligado por natureza, ou por lei, inseparável. Assim não posso dizer, sem incorrer em leviandade, que o aborto seja inerente ao ginecologista, ou que a execução fria e covarde de um segurança seja inerente aos juízes. Da mesma forma não podemos proclamar que a corrupção seja inerente a uma atividade específica. Qualquer um, em qualquer profissão pode se corromper.
O Brasil seria um paraíso se a corrupção estivesse restrita somente no meio policial. Há políticos que desviam dinheiro público, mas existem políticos íntegros e que sabem distinguir o público do privado. Logo, ser desonesto, também não é inerente à carreira política. O fascínio exercido pelos holofotes é prejudicial à apuração da verdade.
O profissional que atua na área de segurança deve optar entre os holofotes e a verdade, e caso descubra que a atração pelos holofotes é irresistível, abandone a carreira de policial e inscreva-se na próxima edição do Big Brother. Sou policial por convicção e durante 23 anos de vida pública nunca respondi a nenhuma sindicância. Na Polícia, nunca tentaram obrigar-me a praticar atos ilícitos, o que prova que a corrupção não é inerente a esta atividade, pois se assim fosse todos seriam corruptos.
Agora o que posso afirmar, com absoluta certeza, é que a incompetência é inerente a todo chefe que desconhece a realidade da instituição que comanda, e que a inoperância é inerente a todo aquele que desempenha uma função sem ter o preparo suficiente para tal. A carreira policial é uma das mais fascinantes profissões que o homem pode desempenhar. A ela são atraídos todos aqueles que sentem prazer quando ajudam outros seres humanos e que não se importam em arriscar a própria vida para salvar a de outros.
Infelizmente em nosso meio há aqueles que penderam para o lado do crime. Estes devem ser investigados e, ao final, se considerados culpados devem ser punidos de acordo com a lei. Mas o que não podemos fazer de forma alguma é condenar primeiro e investigar depois. Para os que têm senso crítico, uma cretinice repetida muitas vezes será sempre isto, uma grande cretinice dita por um cretino temporário e que será repetida várias vezes por cretinos perenes. Sou delegado de Polícia, amo esta profissão e até o fim de minha vida honrarei a carreira que escolhi quando ainda era criança. Posso dizer que firmeza de caráter é inerente a todo homem que busca não apenas mudanças paliativas, mas verdadeiras transformações.
CLÁUDIO MARQUES DA SILVA é delegado de Polícia da Comarca de Nova Fátima



Propriedade terapêutica das cores
-Walmor Macarini
O uso das cores e a influência delas sobre nossas emoções não constituem fato novo e são de domínio dos estudiosos da cromoterapia. Sabe-se que o vermelho e o laranja são cores estimuladoras da energia física, e que o uso intensivo do azul induz ao cansaço e à depressão. (A propósito, aproveitando o embalo, o Londrina Esporte Clube usa uniforme azul desde que existe, há 50 anos, e é por tradição um time perdedor. Como, nesse período, mudou jogadores e treinadores mas nunca mudou a cor da vestimenta, seria interessante o experimento do vermelho, que é também a cor da bandeira municipal e da terra vermelha que tanta energia tem dado à cidade).
  Cores adequadas para cada situação e ambiente podem ser aplicadas nas paredes da casa, no muro, no automóvel, na roupa que se veste, nos lençóis, toalhas, objetos. Em competições esportivas o vermelho é forte, e naturalmente que não basta apenas a cor, mas ela é valioso complemento, às vezes o toque que falta para uma vitória. O verde e o cinza contínuos causam perturbação mental e emocional. O branco denota pureza, e a estimula, e as religiões a utilizam nas celebrações. O amarelo fortalece os nervos e o cérebro.
  A cromoterapia ensina que os melancólicos deveriam usar roupas de cores berrantes e também usá-las no seu local de convivência. E cores fortes e quentes como o vermelho, o laranja e o amarelo, mais freqüentes no verão, deveriam ser usadas no inverno. Há cor no som e vibração na cor. Por que é que as flores sempre nos agradam? Porque elas têm perfume e cor e, naturalmente, energia eletromagnética. A medicina chinesa demonstrou que a simples presença de uma rosa equilibra o coração e elimina toxinas do corpo.
  Já ensinava Hipócrates, patrono da Medicina, que o homem deve harmonizar o espírito e o corpo. O uso das cores para a saúde humana e animal remonta à própria medicina hipocrática e às medicinas chinesa, indiana, egípcia, druídica, xamânica, e não buscava o mal instalado mas a causa. Assim como ocorre com a terapia das ervas, da homeopatia, da musicoterapia, da massagem. Em tudo há vibração, e onde há vibração há vida. A luz solar é repleta de múltiplas cores, bastando filtrá-las e identificá-las.
  Os textos tântricos recomendam que as pessoas carreguem flores naturais consigo, por causa do perfume e das cores e porque isto estabelece o elo psíquico entre o homem e o reino vegetal. É a ciência do passado retornando, com muita força e fantásticos resultados, como foi outrora. Não tardará que as universidades tenham de ensiná-la.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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