João Paulo II e seu sucessor
Dom Albano Cavallin

Conta o Evangelho que Jesus fez uma pesquisa para sondar a opinião pública a seu respeito. E a pergunta foi: ''Que dizem os homens quem é o Filho do Homem?'' Refletindo as várias agências de notícias da Palestina, os Apóstolos responderam: uns dizem que é João Batista, outros Elias, Jeremias ou algum dos profetas. ''E vós quem dizeis que sou?'' Foi a hora que o fogoso São Pedro respondeu: ''Tu és o Cristo o Filho de Deus Vivo''. Jesus Cristo gostou da resposta, pois São Pedro atingiu o miolo da questão, o sentido último de sua missão.
Penso que se o Papa João Paulo II ressuscitasse e fizesse uma pesquisa a seu respeito, as respostas seriam muito variadas e algumas até desencontradas. Para uns, ele é o líder carismático mundial. Para outros, o estadista que dialogou com o mundo, mesmo com judeus, muçulmanos, evangélicos, crentes de outras religiões. Alguns o definiram como o Peregrino da Paz ou o Injustiçado pelas feministas que lhe bloquearam o título do Prêmio Nobel da Paz.
As crianças diriam que o Papa era seu amigo; os jovens provariam que Ele foi o grande interlocutor com milhões de jovens nas Jornadas da Juventude; as famílias diriam que ele foi até um mártir em defesa da família e de sua unidade, indissolubilidade e fecundidade, salvando milhões de seres humanos que poderiam ser mortos pelo aborto, etc, etc.
Mas se perguntássemos ao próprio Cristo: quem foi o Papa para Ele, o Fundador de Igreja? A resposta vai revelar um plano profundo de Jesus, que indo além da Sociologia, da Filosofia, dos critérios jornalísticos vai esclarecer os desígnios de Deus a respeito deste homem privilegiado que chamamos Papa. ''Ele é o meu escolhido. Ele encarnou uma promessa que fiz 2000 anos atrás, quando disse clara e comprometidamente: ''Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja... e estarei convosco até o fim dos séculos''.
Mas, muitas análises sociológicas, psicológicas, filosóficas e teológicas, falam de que o Papa era conservador e ou progressista. Sim, como também falavam de Mim que Eu era possuído de Belzebul, o chefe dos demônios. Vocês sabem pela Bíblia que sou Fundador da Igreja na Terra. Sabem também que cheguei a dar a vida pela Igreja. Pela Bíblia, vocês sabem que eu sou o Princípio e o Fundamento de tudo na Igreja. Que só Eu tenho o título de Mestre. Que não há outro nome acima no céu e embaixo na terra. Mas também quero que todos aceitem que eu sou livre de escolher, pelo nome, cada um dos 12 apóstolos. Também fui Eu que escolhi um deles para ser meu representante visível na Terra. Primeiro Pedro, agora João Paulo II.
Então, não se apeguem apenas a análises superficiais dizendo que João Paulo II, é isso ou aquilo, mas digam que é o Sucessor de Pedro e Eu ainda sustento minha palavra com uma promessa:.... ''Eu estarei convosco até o fim dos tempos''. Jornalistas, comunicadores e fiéis cristãos, esta pesquisa é digna de fé, tanto a respeito do Papa João Paulo II, como do seu futuro sucessor.
DOM ALBANO CAVALLIN é Arcebispo Metropolitano de Londrina

Por uma Igreja mais espiritual
Walmor Macarini

O papa que está para chegar deveria ocupar-se menos da questão temporal e mais da espiritual, porque apenas pelo avanço da condição material o homem não chega à espiritualidade, mas através desta alcança a ambas. João Paulo II foi um poderoso agente para o conserto de mal arranjadas situações do mundo, e sua obra nesse sentido foi fantástica. Mas vai chegando a hora de um papa que desperte os fiéis do mundo para a potencialidade espiritual que têm em si mesmos, para que eles próprios sejam os consolidadores de sua verticalidade como seres transcendentes e também os agentes da edificação de um admirável mundo novo.
Muito difícil que o homem alcance um elevado grau de conscientização se não desenvolver primeiro a sua espiritualidade (que não deve ser confundida com religiosidade, porque esta é atrelada a dogmas, e espiritualidade é libertação). Disto as Igrejas têm se ocupado pouco, a não ser algumas que emergiram e floresceram no Oriente e já se espraiam pelo mundo.
A humanidade, mais voltada para o interesse imediato o culto ao bem-estar social, e não muito mais que isso acaba por exigir da Igreja coisas da mesma linha e esta então enreda-se por esse campo, porque assim também arrebanha fiéis e simpatizantes. Se os governos não fazem, as igrejas assumem essa função, mas o mundo precisa mais de líderes espirituais que de líderes voltados para as reivindicações terrenas, porque, mesmo que resolvidos todos os problemas existenciais/temporais, ainda faltaria algo ao homem e ele continuaria buscando. Portanto, ainda não seria um ser consciente de sua importância transcendental e de sua verdadeira realidade.
Se é preciso pensar na vida aqui na Terra, zelar por ela e contemplar a solidariedade e o bem-estar, muito mais importante é despertar no homem o seu potencial divino, que lhe é imanente por origem. Não a origem terrena mas a origem espiritual.
''O Papa retornou à casa do Pai'', foi dito pelo alto clero no anúncio da morte do Pontífice. Nunca a Igreja Católica havia pronunciado o termo ''retornou'' e sim o ''foi'', no sentido da trajetória depois da morte. Finalmente, o Espírito da Igreja referiu-se à verdade do retorno. Porque de um ponto divino muito elevado que viemos e para esse ponto retornamos, depois do périplo que terá de acontecer pelas muitas moradas.
É o retorno, significando a volta do espírito ao seu lugar primoridal de origem, que não é o ventre materno, eis que este só gera o corpo físico. É o retorno ao reino da espiritualidade. É por este caminho que deveria voltar-se mais intensamente o ministério das igrejas. O único que conduz ao encontro de todas as soluções. A idéia do retorno situa o ser humano na verdade de sua origem primeira e isto lhe abre o livro da resposta a todas as suas indagações e inquietudes.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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