João Paulo II: um exemplo de vida

Foi com os corações contristados que acompanhamos os últimos passos de João Paulo II aqui na Terra. Através das imagens que chegavam aos nossos olhos víamos um homem já cansado de sua peregrinação neste mundo, um homem cujo corpo sofria as dores de males terríveis. A sua debilidade física era notória. Todavia, havia neste homem algo que ele não permitiu que viéssemos a ver. Nunca ouvimos de sua boca uma palavra de lamento ou de dúvidas a respeito do amor de Deus. Mesmo nos momentos mais doloridos e quando fazia grandes esforços para realizar suas tarefas, não presenciamos nenhum grito de desespero neste homem. Ele soube o que era padecer, mas não abriu a sua boca.
Independentemente da religião professada por alguém, há de se reconhecer que este papa foi especial em muitos aspectos. Foi um árduo defensor da vida. Podemos todos ter a mais absoluta certeza de que o mundo hoje seria muito pior se o papa não tivesse assumido a postura que tomou em favor da vida, especialmente da vida dos indefesos e dos pobres deste mundo. João Paulo II foi a voz daqueles que não podiam falar e ele não se esquivou desta missão. Foi ele também um grande articulador da paz mundial. Hans Kung, teólogo suíço, católico e dissidente da igreja, mesmo criticando esse papado, reconheceu: ''O papa se pronunciou pelo diálogo entre as culturas e as religiões, por níveis éticos comuns e principalmente pela paz no mundo. Seu apelo claro e firme contra a guerra no Iraque merece o aplauso maior''.
Outro aspecto importante a ser destacado é a intenção do papa em abrir para com as outras religiões um diálogo respeitoso. Em mensagem enviada ao Conselho para a Promoção da Unidade Cristã ele afirmou que as duas diretrizes para o futuro do ecumenismo seriam: o diálogo da verdade e os encontros fraternos. Segundo ele, palavras negativas deveriam ser eliminadas dos diálogos e substituídas por palavras como confiança, paciência, constância e esperança. Disse ainda: ''Oração e constante ouvir do Senhor são indispensáveis, porque Ele é aquele, que com a força do Espírito, converte corações e torna possível o progresso rumo ao ecumenismo''.
Mesmo que muitos entendam que esse ecumenismo religioso não seja possível, não podemos esquecer que as causas em favor da vida transcendem a lealdade eclesiástica e que muitas coisas podem e devem ser feitas por todos os cristãos que amam a Cristo. Doar-se em favor do mundo e principalmente em favor do mundo dos excluídos é um privilégio que todos nós podemos ter e não somente o papa. Isso é o que o Supremo Pastor, Jesus Cristo, espera de todos nós.
ANTONIO CARLOS BARRO é pastor da Oitava Igreja Presbiteriana de Londrina

Rádio e democracia na UEL

  A Rádio Universidade tem sido motivo de muitas incompreensões que precisam ser melhor avaliadas. Sem emoções, sem questões personalistas e à luz dos valores mais caros e importantes, que devem pautar os dirigentes: a postura democrática e o espírito público.
  Existem duas argumentações: a primeira diz respeito a uma intervenção ‘‘não democrática’’. Entendemos que a democracia depende fundamentalmente de instituições fortes, inclusive uma imprensa livre e responsável. Não pode depender de pessoas, mas de estruturas transparentes e preferencialmente colegiadas, de modo a garantir a discussão e implementação das políticas públicas.
  Ora, a Rádio Universidade FM, dentro da estrutura da Coordenadoria de Comunicação Social (COM) e a COM como Coordenadoria, lhe dá maior espaço institucional, como de certo ocorre em outras universidades inquestionáveis e sérias como tantas em nosso País. A institucionalização da política de comunicação, agora discutida pelo Conselho de Comunicação, e depois aprovada pela instância máxima da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o Conselho Universitário, é o encaminhamento mais democrático possível.
  Como esta questão da democracia foi esclarecida, agora surge uma segunda argumentação mais ideológica, que insinua que o discurso é democrático, mas a prática é autoritária, como escreveu o jornalista Tony Hara, nesta Folha de Londrina no último dia 31.
  Consideramos inaceitável este tipo de afirmação, sem nenhuma base concreta, e sem nenhuma avaliação mais cuidadosa.
  A UEL teve na sua história um processo progressivo de democratização ao longo de sua existência. Todos sabem quem construiu este processo, quem participou das lutas, inclusive muitas vezes com sacrifício de suas carreiras profissionais.
  Foram muitos anos de lutas e avanços, e tudo muito bem documentado, porque estamos falando de uma história muito recente.
  Podemos fazer alguma confusão a respeito de conceitos complexos, mas quando jogamos no lixo a história, prestamos um desserviço às gerações futuras.
MARIA DAS GRAÇAS FERREIRA é professora do departamento de Educação e diretora do Centro de Educação, Comunicação e Artes da Universidade Estadual de Londrina

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