O peso da agropecuária brasileira
Edson Neme Ruiz

Neste momento, muitos produtores rurais devem estar se questionando: adquiri os insumos suficientes, fiz os investimentos necessários para o plantio e a colheita, e por que na hora de vender a safra tenho obtido um valor bem abaixo do desejado? É inadmissível que, em pleno século XXI, o produtor rural e os bens por ele gerados sejam tratados ainda de maneira discriminatória pelos outros agentes do setor econômico. Acreditamos que estas e outras questões relevantes sobre a geração de renda devam ser debatidas exaustivamente pelo setor agropecuário brasileiro, durante a 45 edição da Exposição de Londrina, que será promovida pela Sociedade Rural do Paraná, entre 7 e 17 de abril,
Sabemos que o produtor rural tem se preocupado com a sua formação profissional e com a melhoria da qualificação da mão-de-obra que emprega. Nos últimos anos, a atividade vem respondendo por mais de um terço dos empregos diretos criados no país e, simultaneamente, bate recordes e recordes de produção. É um dos setores que melhor sabe aliar o potencial do capital humano com os avanços da tecnologia moderna!
Entretanto, como explicar que a indústria frigorífica penaliza o agropecuarista - criando deságios nas tabelas de preços da arroba do boi - num determinado instante em que ele melhora ainda mais a qualidade da carne ofertada? A quem realmente interessa a queda nos valores pagos pelas sacas de soja ou nos preços dos fardos de algodão? Matéria divulgada, recentemente, pela imprensa mostra que a renda do agricultor deverá cair este ano 16% em R$ e 12% em dólar em comparação ao ano de 2004. Todos os tipos de grãos apresentarão recuo de receitas na comercialização, e o agricultor sentirá drasticamente no bolso a queda da rentabilidade, ou melhor, de tudo aquilo que lhe sobra, depois de descontados os custos de produção, os impostos e as taxas.
Para minimizar a situação, o governo federal tem adotado algumas medidas de emergência, como a prorrogação das dívidas de custeio de trigo e algodão e a liberação de recursos para comercialização da safra. Estas ações, além de apenas serem paliativas, deixam a desejar. O setor não necessita de ''esmolas'', mas de políticas agrícolas duradouras que valorizem e beneficiem sempre o produtor rural.
É necessário que todos entendam o verdadeiro ''peso'' da agropecuária brasileira. Mais do que simplesmente comparar o agropecuarista a uma imitação do ''cowboy'' ou ''red neck'' norte-americano - que usa calça jeans, camisa xadrez e botas de couro - ou de um caipira enraizado no sertão, é preciso conhecer bem as tarefas por ele desempenhadas: a de principal provedor de todas as matérias-primas que movimentam as atividades do agronegócio; a de ser o responsável pelo alimento que chega às mesas dos nossos lares; e de propiciar a geração de muitos empregos, garantindo também elevados dividendos para a balança comercial do país. Só assim, é que vamos valorizar tudo aquilo que o agropecuarista produz.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná

A Rádio Universidade e a democratização da UEL
Isaac Antonio Camargo

Em fevereiro, o Conselho Universitário (C.U.) aprovou reestruturação administrativa dos órgãos de comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Alguns membros da comunidade universitária e pessoas externas a ela têm questionado tal medida.
Em síntese, as manifestações apresentam aspectos da reformulação aprovada pelo C.U. especialmente em relação ao funcionamento da Rádio Universidade FM, e de seu papel na política de comunicação social da Instituição.
É preciso esclarecer que a mudança não alterou a estrutura interna da rádio. O que mudou foi a vinculação hierárquica da direção da emissora, antes diretamente subordinada à figura do reitor em exercício e agora ligada à Coordenadoria de Comunicação Social.
Com isto, pretende-se institucionalizar a política de comunicação da UEL. É importante ressaltar que as diretrizes da política de comunicação deverão ser discutidas e aprovadas em órgãos colegiados, a exemplo do que já acontece com as demais políticas da instituição.
Temos a convicção que, com essa nova estrutura, os órgãos de comunicação da universidade terão maiores garantias para seu funcionamento, orientados pelos princípios de pluralidade de pensamento e liberdade de expressão. A vinculação da rádio e dos demais veículos de comunicação da universidade a órgãos colegiados é medida democratizadora, que os coloca sob controle público, em lugar dos controles pessoais de sua direção e do gestor da universidade.
A nosso ver, esse controle público e colegiado é indispensável para a credibilidade dos veículos de comunicação da UEL. Já vai longe o tempo, ainda presente na memória coletiva da instituição, em que a Rádio Universidade serviu à promoção pessoal e política de seus dirigentes, inclusive com o uso de seu departamento de jornalismo. Agora, caminhamos noutra direção, com o objetivo primordial de garantir a prevalência do interesse público na gestão e no funcionamento dos veículos de comunicação da UEL.
Não é um caminho fácil. Mas esta é a conduta que acreditamos ser adequada, por mais que a novidade possa provocar um efeito inicial de instabilidade. O que se quer garantir, é que a política de comunicação seja aberta e colegiada.
O tempo e a prática irão demonstrar que um projeto democrático, além da discussão, das críticas e controvérsias, se constrói também com respeito, serenidade e trabalho.
ISAAC ANTONIO CAMARGO é doutor em Comunicação e Semiótica/PUC-SP e coordenador de Comunicação Social da UEL

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