ESPAÇO ABERTO
O segredo da longevidade
Até há pouco tempo, as pessoas não tinham maiores expectativas se poderiam envelhecer bem. Pelo contrário, não havia muito o que fazer e o mais natural era aceitar o isolamento social, a depressão, baixa auto-estima e a falta de vida sexual como sinalizadores da velhice.
Até os anos 60 a menopausa era um indicador marcante do envelhecimento. Com os homens nem se discutia a andropausa, o seu climatério, mas eles já morriam mais cedo, isso os equipara com as mulheres.
A Organização Mundial de Saúde assinalou os 60 anos como início desse processo da terceira idade. É claro que o homem reconhece que ao chegar nessa fase da vida, é inevitável o surgimento de doenças crônicas bem como a chegada da aposentadoria.
Atualmente já se considera 65 anos como sinalizador desse processo, outras entidades acreditam em 70 e já existe, em São Paulo, ambulatório para nonagenários, pessoas que passaram do 90 anos.
O mais importante é que a velhice, além de estar na cabeça de cada um, ou seja, menor ou maior disposição social, alegria ou tristeza em viver, quem quer envelhecer de forma saudável deve ficar atento à nutrição, aderindo a uma alimentação saudável com pouca gordura e açúcar.
Combater o sedentarismo fazendo exercícios físicos ou praticando algum esporte, além de aumentar o ânimo e a disposição, estimula a convivência social e evita a depressão.
Na área sexual, a medicina deu uma boa resposta aos quase 50% de homens sexualmente incapazes após os 45/50 anos com o surgimento da pílula azul, o Viagra, e mais recentemente com medicamentos similares.
É sabido que homens que passaram dos 60 anos e que se mostram mais dispostos à participação, continuam desenvolvendo alguma atividade de trabalho remunerado ou de cunho social, com uma influência positiva no seu desempenho na vida sexual.
Já com as mulheres é um pouco diferente uma vez que seus interesses e estima pessoal não tem íntima relação com o sexo, como ocorre com os homens, mas isso também está mudando rapidamente, demonstrando maior preocupação com a sua qualidade de vida.
Não existe muito segredo para conquistar essa longevidade devido o alto grau de interesse e participação demonstrado por pessoas que apenas cronologicamente chegaram à velhice.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
n Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2ªà 6ª, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br
Guarda compartilhada
Quando vejo uma criança, ela me inspira dois sentimentos : ternura pelo que ela é, respeito pelo que poderá ser . (Piaget)
Felizmente, nos bancos acadêmicos, já se fala em guarda compartilhada. Todavia, é preciso entender que nem a separação nem o divórcio acabam com a família, o que ocorre é uma transformação.
Os profissionais que operam com o Direito da Família vêem-se, muitas vezes, diante de situações difíceis e complexas, que são aquelas que envolvem aspectos psicoemocionais em âmbito familiar. Os advogados deveriam também estar aptos a reconhecer a necessidade de auxílio profissional especializado (psicólogo) quando o conflito emocional do casal ultrapassa os limites da atuação jurídica.
Nos últimos tempos têm-se buscado alternativas interessantes e benéficas para as situações de guarda. A mais difundida é a guarda alternada ou guarda compartilhada, que permite que o filho continue a viver em estrita relação com ambos os genitores, alternando os períodos em que vive com um e com outro. Os pais passam a ter iguais responsabilidades sobre a educação e cuidados com o filho.
No entanto, para que isso ocorra, é preciso que haja uma base sólida do bem estar biopsicosocial do filho, lembrando-se sempre que marido e mulher podem não ter dado certo, mas pai e mãe, têm que dar certo.
Avaliar situações que possam estar interferindo no desenvolvimento psicoemocional da criança, como a Síndrome de Alienação Parental (SAP). Trata-se de um processo que consiste em programar uma criança para que odeie um de seus genitores sem justificativa, por influência do outro genitor com quem a criança mantém um vinculo de dependência afetiva e estabelece um pacto de lealdade inconsciente. Quando essa síndrome se instala, o vínculo da criança com o genitor alienado torna-se irremediavelmente destruído. Para que se configure efetivamente esse quadro, é preciso estar seguro de que o genitor alienado não mereça, de forma alguma, ser rejeitado e odiado pela criança, através de comportamentos tão depreciáveis.
Embora a denominação Síndrome de Alienação Parental seja recente (datada de 1998), o fenômeno é freqüente nas separações, no tocante às visitas, pensão alimentícia e guarda dos filhos.
Apesar de recente, podemos dizer que essa síndrome sempre existiu entre casais que disputam seus filhos e na briga o casal esquece às vezes, as mais usuais regras de urbanidade familiar fazendo do conflito criado por eles, um castigo para seus filhos, desprezando sua ternura e sua individualidade.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em Psicologia Jurídica em Londrina
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