O exame da OAB
Artur Humberto Piancastelli

Descabidas as críticas do jornalista e advogado Arnoldo Anater sobre o Exame de Ordem da OAB neste mesmo espaço. Segundo ele, a Ordem estaria se ufanando de bater recordes de reprovações nas provas, colocando em má situação faculdades de Direito tradicionais no Estado. Não é esta a realidade. A OAB/PR vem sim, há um bom tempo, chamando a atenção da sociedade para o elevado índice de reprovações em seu Exame, denunciando que a má qualidade do ensino superior acarreta tais números.
A busca desenfreada por maior percentual da população no ensino superior tem levado à permissão e até ao incentivo de desmedida criação de cursos universitários, não somente na área do Direito, mas em diversas áreas. Boa parte deles, por buscarem somente o lucro, são de qualidade duvidosa. E isso tem-se refletido não somente no Exame de Ordem, mas também nos concursos para a Magistratura e para o Ministério Público, por exemplo, onde os percentuais de reprovação são muito maiores que na Ordem. A maioria destes concursos sequer tem conseguido preencher as vagas existentes pelo notório despreparo dos candidatos, o que é lamentável.
À Ordem, financeiramente, seria muito mais interessante aprovar a todos, com isso arrecadando muito mais com as anuidades. A entidade, contudo, tem obrigação legal de bem avaliar os bacharéis que desejam advogar, por força de lei federal (Lei n. 8.906/94). Mais do que isso, a OAB tem compromisso com a sociedade, e não pode permitir que bacharéis que ainda não atingiram o adequado preparo especificamente para a advocacia ingressem em seus quadros.
Não se trata apenas do risco de ''deixar o cliente mais uns dias na cadeia'', como afirma o jornalista, mas o advogado, profissional essencial à administração da Justiça, é o guardião da liberdade, da honra e do patrimônio dos cidadãos. Uma só medida equivocada em juízo, uma orientação errada ou uma perda de prazo pode levar alguém a perder a guarda de um filho, à prisão, ou a perder todo seu patrimônio. Fosse o Exame de Ordem para ''reservar mercado'' não seríamos hoje o maior contingente de profissionais liberais no Brasil - mais de 500 mil advogados.
Importante esclarecer, ainda, que somente faz as provas o bacharel em Direito que deseja advogar, vez que há pelo menos uma dezena de outras profissões que ele pode escolher, como juiz, promotor, delegado de Polícia, carreira diplomática, etc., e destes não se exige o Exame, ao menos até aqui. E já há inúmeros conselhos profissionais buscando meios legais de aferir de seus ingressantes conhecimentos razoáveis, dentre eles Medicina, Odontologia, Contabilidade e outros, sinal de que a OAB está no caminho certo.
ARTUR HUMBERTO PIANCASTELLI é conselheiro Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná e coordenador regional do Exame de Ordem

Revelações dos novos tempos
Walmor Macarini

Se toda a literatura esotérica fosse sintetizada e juntada num só livro, com capa e papel bíblicos, se fosse fracionada em versículos numerados e nele se escrevesse Novíssimo Testamento, não haveria rejeição a essa leitura. Neste final de milênio e início do novo, toda essa literatura começa a aflorar com intensidade crescente, e isto é a revelação novíssima, que vai despertando a muitos e inquietando a tantos mais.
A figura de Paulo Coelho (que adiante nominarei PC) estampada nas capas das três maiores revistas nacionais, todas nesta semana Veja, IstoÉ e Exame e as repercussões em torno do livro ''O Código da Vinci'', robusteceram a labareda que já vinha ardendo e mantendo em contorsões a comunidade religiosa ortodoxa e os fiéis mais fanáticos.
Já escrevi sobre PC e repito que ele não tem culpa por ser lido no mundo inteiro. Quando escreveu o primeiro livro, ele não tinha idéia do sucesso que iria fazer. As pessoas contrárias ficam intrigadas porque ele está ganhando muito dinheiro e, principalmente, por isso. Segundo, porque tomou a dianteira de outros escritos e escritores, e assim, sem o desejar, bateu de frente também com a intelectualidade.
PC não é propriamente um iluminado e nem um literato no sentido superlativo do termo. É, antes, um obreiro, de cuja missão nem ele talvez tenha consciência. Também não é um oportunista, porque seus escritos não são embustes. Se não houvesse despertado a atenção do mundo, com suas mensagens, ninguém se incomodaria com ele.
Também o que PC escreve, ao incursionar pelo campo do misticismo, não é, na totalidade, algo que emane de sua sabedoria transcendente porque todos esses princípios já estão escritos e disponíveis há pelo menos alguns milênios mas ele é um veículo, certamente eleito para repassar tudo de novo, por formas múltiplas e ao alcance de todos. Se as pessoas o lêem, é porque encontram algo ali, e isto foi facilitado pela disseminação em escala de palavras de sabedoria que ele tem feito, ademais em linguagem simples e de fácil absorção. PC está respondendo às inquietações e indagações das pessoas, o que as religiões não souberam fazer convincentemente ou porque faltou consistência. A verdade é que PC não está enfiando livros goela abaixo de ninguém.
Sobre o ''Código Da Vinci'', também já escrevi que o livro nada acrescenta de novo aos já iniciados, mas, ante os olhos dos ortodoxos, levanta as tampas de baús, onde verdades não-entendidas por eles e pelo vasto universo dos neófitos estão reveladas. E não só este livro mas todos os de PC e os milhares de outros que existem e só foram buscados por poucos. Porque tudo chega a seu tempo. Tempos novos são chegados, e velhos dogmas começam a desmoronar-se. No caso do ''Código'' e das obras de PC, não cabe nestas poucas linhas avaliar o seu contéudo e sim a oportunidade da revolução que estão causando, mas é certo que tais publicações, tidas como esotéricas, despertam a espiritualidade subjacente em cada ser, até então adormecida porque nunca tocada, e ganharão grande expansão a partir deste início de milênio.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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