ESPAÇO ABERTO
O homem sexualmente feliz
O que é felicidade sexual? Seriam os homens mais infelizes sexualmente do que as mulheres? De qual faixa etária estamos falando? Há muita dúvida e distorção sobre o tema. Dacquino, psicanalista italiano, afirma que o conceito de imaturidade sexual se refere a um comportamento sexual genitalizado, muito comum entre os homens e governado exclusivamente pelo prazer imediato, o que empobrece a qualidade da vida sexual.
A preocupação neurótica com o desempenho normal e convencional está sempre presente. Em geral é comum observar naqueles homens que buscam ajuda devido a um problema sexual, um grande medo de correr riscos com se isso fosse inevitável. É notória nesses homens a falta de autoconfiança e sua baixa capacidade de confrontação.
O que é certo para os homens nesse mundo moderno é poder contar com medicações efetivas e seguras, para um bom desempenho e a partir daí poder amadurecer e crescer na sua sexualidade e no seu investimento afetivo. Infelizmente ainda é pequeno o número de homens que valorizam e procuram estabelecer graus de intimidade cada vez mais intensos e profundos com suas parceiras.
A medicina tem dado resposta a essas angústias sexuais masculinas e ao prescrever o Viagra ou outro medicamento para disfunção erétil, o médico deve encarar o remédio como um aliado, que vai contribuir para o crescimento não só sexual, mas do relacionamento com a parceira e da vida a dois. Isso deve ficar claro para o homem disfuncional que muitas vezes necessita de orientação psicológica para esclarecimento da origem da sua problemática.
A pessoa madura é aquela que conhece a influência dos dois mundos sobre ela: o convencional que dá condições de amparo e sobrevivência e o da experiência que o liberta para o crescimento.
A maturidade com crescimento possibilita fazer um zigue-zague entre esses dois mundos, onde é possível a pessoa argumentar, se proteger, cuidar de si próprio e ter uma direção. Para a vida ou para a morte, a escolha é de cada um. Nós somos os únicos responsáveis pela qualidade de vida pela qual optamos. Os outros podem apenas nos facilitar ou dificultar a viver.
Nessas condições o que efetivamente mobiliza inseguranças é a incapacidade da pessoa em estabelecer graus de intimidade necessários para o conhecimento e satisfação. O homem sexualmente feliz não tem preocupação com o desempenho. Reconhece a falta de desejo ou indisposição casual para o sexo e junto com a parceira está sempre interessado em descobrir novas formas de dar e receber prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Homossexualidade: efeitos do não-entendimento
No último dia 14, um pai escreveu que fica perdido e revoltado diante da pergunta de seu filho: Pai, por que aquele homem da novela fala daquele jeito? Por que aquelas duas mulheres se beijam na boca e dormem na mesma cama? Até entendo o quanto é difícil para os pais lidarem com perguntas como estas, pois, o que sabem a respeito da homossexualidade? O que a vida ensina. E o que e a vida ensina? Preconceito e discriminação. Será que temos buscado conhecer, compreender a respeito deste assunto para assim podermos rever nossos valores, nossos preconceitos e nos posicionarmos com ética e dignidade diante das pessoas homossexuais ou das perguntas que as crianças nos fazem sobre ela?
Que bom que a TV mostra que existe na vida real; assim, ela nos faz pensar; nos tira do comodismo. Quem assistiu à novela conseguiu ter sensibilidade para perceber a beleza do relacionamento das duas personagens lésbicas? Quantos casais heterossexuais, muitas vezes, estão distantes de servir de exemplo?
Quando se pensa na homossexualidade, logo se pensa no sexo entre duas pessoas iguais; é preciso pensar no amor entre duas pessoas iguais. Esta mudança de postura nos colocaria mais abertos para o entendimento e o respeito. Deveríamos nos incomodar mais com as diferentes formas de fazer guerra, do que as diferentes formas de fazer amor. As pessoas temem aquilo que não conhecem e odeiam aquilo que temem; portanto, é urgente buscar entender a homossexualidade; a sociedade, as escolas e a mídia precisam criar espaços de esclarecimento.
Fico muito triste quando vejo um pai deixar escapar uma pergunta, e assim perder a chance de ensinar a seu filho a verdade tão simples: a de que existem pessoas que se apaixonam por pessoa de sexo diferente do seu, e que existem outras que se apaixonam por pessoas do mesmo sexo. Não há perigo algum que um garoto ou garota venha a tornar-se homossexual por saber dessa verdade. Desde que o mundo é mundo, existem estas possibilidades de amar. Não é uma questão de opção; a pessoa não escolhe ser homossexual. Faz parte da personalidade. É uma questão de sentimento: ela sente atração afetivo-sexual por uma pessoa do mesmo sexo e não sabe dizer por que, da mesma forma que nós, heterossexuais, não sabemos dizer por que nos apaixonamos por alguém de outro sexo.
Talvez, quem saiba, um mesmo pai que um dia não soube plantar no coração de seus filhos a compreensão e o respeito pelos homossexuais, não poderá ter plantado, ao mesmo tempo, a semente da rejeição de um irmão por outro, dentro do mesmo lar? Sim, porque, de repente, um dos filhos pode ser gay (ou lésbica) e necessitará ser amado e aceito dentro de seu próprio seio familiar.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da UEL e especialista em Educação Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana
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