Justiça Móvel de Trânsito
Marcelo Pagnan Escudero

No último dia 7 foi encaminhado ao Conselho de Trânsito de Londrina um pedido de providência para o cruzamento da Avenida Higienópolis com a Rua Henrique dos Santos, ponto de frequentes acidentes de trânsito. Foi solicitado o envidamento de esforços dos membros do Conselho para minimizar a incidência de terríveis acidentes na localidade, pois a autora do requerimento não suporta mais assistir às cenas de mutilação e de dor que se apresentam após os lamentáveis episódios.
Os sentimentos externados no pedido são de revolta e abandono, semelhante aos que os membros do Conselho de Trânsito de Londrina sentem quando buscam incansavelmente, por meio de trabalho voluntário, mudar o cenário lamentável que se apresenta hoje em Londrina.
As estatísticas comprovam que é preciso muito empenho das autoridades de nossa cidade para mudar este quadro, assim como é necessário um envolvimento ainda maior da comunidade. O elevado número de acidentes, muitos dos quais com vítimas fatais, ao que parece, não vem sendo suficiente para conscientizar as pessoas de que o trânsito é o que mais mata no mundo e de que as despesas com o tratamento de vítimas já se tornou um problema de Saúde Pública para o País.
O Poder Público, a despeito de suas atribuições e responsabilidades, não apresenta uma política eficaz para resolver estas questões ou, quando não, minimizá-las. Fica a sensação de abandono absoluto. Daí que se faz necessária a mobilização da sociedade civil. Não se pode mais depositar apenas no Poder Público a expectativa pelas soluções destes problemas.
O Conselho de Trânsito de Londrina, organização não-governamental, estará promovendo nos próximos dias um debate destinado a discutir a criação de uma Justiça Móvel de Trânsito em Londrina destinada a contribuir para a educação no trânsito e a redução das reincidências nos acidentes.
É preciso implantar um sistema mais eficaz para resolver com rapidez e eficiência as questões relativas a acidentes de trânsito. Não se pode mais tolerar a morosidade do Judiciário, causada pelo elevado número de processos e pela burocracia do sistema, e muito menos admitir a continuidade do sistema atual de produção de provas.
É necessário tomar providências imediatas no momento do acidente, através de equipes especializadas, para começar a modificar o quadro lamentável que se apresenta hoje em nossa cidade. Esperamos obter apoio do Detran, da Polícia Rodoviária do Estado do Paraná e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) de Londrina.
MARCELO PAGNAN ESCUDERO é presidente do Conselho de Trânsito de Londrina

Ensinar solidariedade às crianças
Walmor Macarini

O mundo melhor que se deseja terá de estribar-se não na competitividade mas no compartilhamento e na solidariedade. Dos velhos, já pouco se pode esperar, porque será difícil para eles mudar hábitos arraigados, então há que investir na criança. O drama é que ela é ensinada por educadores, pais e pregadores que já adquiriram muitos vícios. Por isso os poucos que sabem e podem, precisam abraçar a causa e não se omitir na indicação de rumos mais claros e mais limpos de forma a despertar consciências e modificar mentalidades. Não há que esmorecer e julgar que esta é tarefa impossível. Porque a voz sábia de uma única pessoa será capaz de mudar o mundo.
A idéia da competição é predominante na família, na escola, na igreja, que são os três fortes pilares de formação do indivíduo, e as crianças crescem aprendendo isso. Nos negócios, competir é o que mais se ouve e isto não se traduz em produzir melhor com o fim de satisfazer a clientela, e sim para obter lucro com ela ou derrubar o concorrente. Os pais, por também haverem aprendido assim, acabam repassando aos filhos o ideal de levar vantagem em tudo. Outra expressão muito usada é a luta, como se o homem saísse em campo brandindo uma espada. Melhor do que ''luta'' seria mudar o vocábulo para ''exercício da vida'', sem prejuízo de que se faça isso com garra, mas sem derrubar ninguém.
Educar com esse novo sentido é, sim, tarefa árdua, mas será preciso alguém que ensine a criança a ser, também, o especial professor de amanhã, de forma a que ensine uma nova ordem; a ser pai/mãe que acenem aos filhos um rumo novo, de mais solidariedade; a ser o pregador que comande uma igreja única, que ministre a Verdade e não interpretações equivocadas. (Por igreja entenda-se o ministério e não a religião).
O próprio esporte, que é uma grande escola de formação da criança e do adolescente, não pode ter a obsessão por vencer e, pior, derrotar o adversário, mas ser uma demonstração de habilidade e arte. As crianças é que, logo mais, irão capitanear as fábricas e o comércio, cultivar a terra e produzir alimentos sadios, gerenciar a vida pública, cuidar das questões da saúde e da educação, administrar as coisas do mundo, educar filhos para melhor educarem os seus próprios, e assim sucessivamente. Velhos brigam muito consigo mesmos e promovem guerras, e enquanto se ocupam disso esquecem as crianças. Não é fácil cuidar delas se custam a administrar a si mesmos, embora se declarem experientes. A experiência pode ser apenas o acúmulo de décadas de erros.
Devem os adultos esquecer um pouco os males do mundo que eles próprios causam e ocupar-se mais das crianças. Não só para facilitar-lhes a caminhada que mais adiante irão trilhar, mas para não permitir que se corrompam porque elas nascem sábias e o meio é que as modifica e também para aprender com elas. Que lhes seja dada orientação para não alterarem a sua própria índole, e lhes seja permitido que os atributos naturais desabrochem. O mundo melhor do futuro próximo, elas é que irão construir. Vamos então, todos os que podem, ajudá-las nessa tarefa e não lhes dificultar a missão.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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