A cópia de livros
Paulo Kiyoshi Nishitani

Há uma história contada nos meios empresariais que vale a pena contar. No final da década de 30 um inventor tentava demonstrar sua nova idéia. Ele passou por uma rejeição após outra, ninguém levava a sério a sua invenção. Ele a levou a uma grande empresa fotográfica. Era uma pequena caixa de madeira com um vidro na parte superior. Começou sensibilizando uma placa de metal com revestimento especial, colocou uma transparência sobre o vidro e expôs a uma fonte intensa de luz. Em seguida derramou um pó preto muito fino sobre a placa, retirando o excesso. O que restou na placa foi a inscrição ''10-22-38 Astoria''.
Chester Carlson demonstrava uma das invenções mais rentáveis da indústria: a fotografia eletrostática, a xerografia (escrita a seco). A invenção foi simplesmente ignorada pela empresa porque não ia de encontro aos paradigmas da fotografia no século XX.
Hoje, passados 67 anos, temos a discussão envolvendo este tipo de equipamento: o governo federal vai tentar combater a reprodução de livros na universidades e faculdades públicas e privadas de todo o Brasil. Nem Chester Carlson imaginava que seu invento traria tantos problemas no futuro.
Acredito que a questão da reprografia de livros no Brasil só terá solução se primeiramente os preços dos livros reduzirem bastante. Só para ilustrar: um livro de Redes de Computadores pode chegar a custar R$ 200. Agora multiplique este valor por 6 disciplinas em média. Que absurdo!
Outra forma de amenizar o problema seria aumentar o acervo de livros das bibliotecas. Os dados publicados pela Folha de Londrina ''Indústria da cópia de livros gera prejuízo de R$ 400 milhões'', em reportagem publicada no dia 4 deste mês indicam que existem na Universidade Federal do Paraná (UFPR) 400 mil volumes para a comunidade de 30 mil alunos, cerca de 13,3 livros por pessoa.
O MEC faz a avaliação das bibliotecas dividindo-se o montante de livros pela quantidade de alunos, o que em tese não quer dizer nada, pois os 400 mil livros podem não atender à real necessidade dos alunos em determinada disciplina.
A questão aqui é a qualidade e não a quantidade. Principalmente em matérias que envolvam a TI Tecnologia da Informação , as constantes atualizações e implementações tecnológicas, bem como o surgimento de novas técnicas, máquinas e padrões nos direcionam a constantes aquisições de equipamentos e livros caríssimos.
PAULO KIYOSHI NISHITANI é professor de Engenharia da Computação e Engenharia Elétrica na Unopar em Londrina e mestrando em Engenharia Elétrica na Universidade Estadual de Londrina.

O Brasil na contramão da história
Nelio Roberto dos Reis

Por que será que o Brasil, um país com tantas riquezas, não tem um nível de desenvolvimento que possa trazer felicidade ao seu povo? Será que é porque aqui damos mais valor ao corpo e aos romances de Luma de Oliveira do que à espiritualidade da madre Tereza? Aliás, por aqui temos o hábito de matar freiras caso se manifestem. Por que que igrejas pérfidas enriquecem bispos bandidos, que exploram os simples de coração e gastam publicamente dinheiro dos fiéis na Flórida? Será que é porque igrejas tidas como sérias aparecem constantemente na mídia, encobrindo crimes de pedofilia?
Por que será que temos um presidente que confessa publicamente ter encobertado crimes do seu antecessor (nem Chaves e Noriega fizeram isso), ainda é notoriamente apoiado por alguns tidos até como intelectuais? Será que é porque aqui ainda se tem a idéia de o que vale é a filosofia ou pseudofilosofia do partido, negando a história que já mostrou inúmeras vezes que o mundo só mudou e melhorou, quando apareceram grandes homens com grandes idéias? Será que eleitores não olham para frente ou para traz?
Por que será que para cada Covas que morre, aparecem dezenas de ACMs, Jaders, e Malufs? Um desse perfil chegou até a presidência do Congresso por um motivo justo para os citados, ou seja, um aumento mais de 100 vezes maior do que recebe um ser humano que recolhe nosso lixo de sol a sol, ou outro que capina o café para ser exportado. Não tenho dúvida de quem é mais útil para a sociedade.
Por que será que muitos lutam contra pesquisas em células-tronco, em detrimento de pessoas que poderiam ter uma vida mais digna? Será por que gostam de ver a vida miserável de cadeirantes, cegos ou renais crônicos? Outros até assinam papéis insanos, criados por igrejas retrógradas, que lutam para que nasçam crianças sem cérebros que vivem somente poucos minutos. Duvido que Jesus assinaria.
Por que será que a esquerda brasileira é tão anêmica e, na maioria das vezes, só investe na cabeça de famintos, descamisados, sem-teto, sem-terra e na hora de apresentar qualquer projeto que seja, usam o comportamento ''avestruz'', escondem a cara e preferem mostrar churrascos simplórios nos porões do poder, ou fazer propaganda de cachaça?
Será que ninguém mais tem saudade da esquerda corajosa, com razão e sensibilidade de Arraes e Helder Câmara? E da direita tão arrogante e prepotente que governou por tantos anos e nunca mostrou nada, a não ser na década de 70, a perseguir estudantes indefesos? Por que será que no Brasil os políticos, os empresários, os poderosos, tentam tanto explicar as coisas fáceis com palavras difíceis em vez de mostrar as coisas difíceis com palavras fáceis? Por isso, acredito, estamos na contramão da história.
NELIO ROBERTO DOS REIS é professor de Ecologia na Universidade Estadual de Londrina

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