ESPAÇO ABERTO
Ciência e Tecnologia: destaque para Londrina
Paulo Sendin e Tadeu Felismino
O desenvolvimento depende da capacidade inovadora de cada região e, principalmente, da competência em transformar conhecimento em produtos e serviços competitivos. Londrina é extremamente privilegiada em ativos científicos e tecnológicos, como a UEL, Iapar, Embrapa/Soja e um número crescente de novas faculdades e universidades. Ao lado dessas instituições, o empresariado regional também vem se adequando à nova economia do conhecimento, inovando em relação a seus produtos e processos.
Essa mudança de conceitos, cultural e cumulativa, depende de experiências e iniciativas que se somam ao longo do tempo. Uma destas, que já comemora seu décimo aniversário, é o ''Prêmio Destaque Tecnológico Banco do Brasil/Adetec''.
A Adetec Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região , em parceria com o Banco do Brasil, entrega no dia 17 de março os troféus da décima edição desse prêmio. Em 10 anos foram homenageadas 45 pessoas, grupos, instituições e empresas que contribuíram significativamente para o desenvolvimento tecnológico e/ou para a construção da cultura de Ciência, Tecnologia e Inovação (C, T & I) na região.
Receberam prêmios pesquisadores e grupos de pesquisa da UEL, Unopar, Iapar, Embrapa/Soja e instituições como a Fapeagro, o Funtel, o Fiep/IEL, o Tecpar, a Folha de Londrina além de 16 empresas, que são o principal instrumento de tranformação do conhecimento em produtos e serviços e de sua disponibilizado à população.
Destaque-se que, entre os homenageados, estão dois empresários londrinenses que, desinteressadamente, contribuíram para a implantação de estruturas de C, T & I na cidade. Um deles, o sr. Atsushi Yoshii, doou à UEL as instalações da Intuel. O outro, o engenheiro agrônomo Alexandre von Pritzelwitz, já falecido, doou uma fazenda de mais de 3.600 ha para a implantação, pela Esalq/USP, de uma Estação Experimental Agrozootécnica em Londrina.
A Adetec, através de seu Conselho Técnico, elegeu seis novos premiados em 2005: a SL Alimentos, na categoria Empresa, o Grupo de Pesquisa da UEL que desenvolveu o bioinseticida Biouel, em Pesquisa, a BSI Tecnologia, em Software, o Tecpar, na categoria Incentivo, a Milênia Agrociências na categoria Especial/Responsabilidade Social e Gabriela da Silva Machineski, aluna do Colégio de Aplicação da UEL, também na categoria Especial, pela sua premiação, em nível nacional, no Concurso Cientistas de Amanhã, do CNPq/SBPC.
É emblemático que, ao completar dez anos, o ''Prêmio Destaque Tecnológico Banco do Brasil/Adetec'' dedique uma de suas homenagens a uma menina de 13 anos, autora de um trabalho sobre recuperação de áreas degradadas, premiado nacionalmente, indicando que a cultura de C, T & I, instrumento de resolução de problemas socioambientais e de construção de uma sociedade mais próspera e justa, cria bases sólidas em nossa região.
PAULO SENDIN (engenheiro agrônomo) e TADEU FELISMINO (jornalista) são membros da Adetec
Pioneiros leninistas
Claudiomar dos Reis Gonçalves
O escritor Domingos Pellegrini, não resta dúvida, possui inúmeras qualidades imaginativas, o que pode ser verificado em seu artigo publicado no último sábado na Folha. Consegue aludir à greve da Universidade Estadual de Londrina, a Lênin e, ao mesmo tempo, evoca as imagens do barro e da poeira, das saudades, do trabalho duro ''no cabo da enxada'' e do mérito do trabalho dos pioneiros que venceram em terra distante e inóspita.
De acordo com o escritor, mesmo aquele pioneiro que não venceu por ser um ''incapaz'', ''conformista'' ou por mera ''falta de oportunidades'' (''em um tempo pleno de oportunidades!''), ou seja, um incompetente que não lucrou, venceu, se destacou dos demais, mesmo este, por assim dizer, pode conseguir seu cadinho e ser lembrado, afinal, no Memorial dos Pioneiros. No entanto, o Museu Histórico de Londrina ''Padre Carlos Weiss'' é, ainda, um Museu Histórico e não se trata de transformá-lo em outra coisa que não o seja.
Assim, não será por meio de uma dádiva condescendente de algum pioneiro que os ''outros'', tidos como fracassados, não serão recordados: todos devem ser lembrados e homenageados, pois todos fizeram e fazem História. É a isso que serve um Museu Histórico que se digne de seu nome: provavelmente seria isso que defenderia seu fundador, o Padre Carlos Weiss, professor pioneiro de História Antiga e Egiptologia no Paraná.
Ora, há muito tempo se consagrou que a História não é só feita de pioneiros ou vencedores, mas também daqueles que para eles trabalharam, de pessoas de todas as paragens, épocas, classes, etnias, gêneros, etc, inclusive de professores que lutaram e lutam para manter o Museu Histórico e até mesmo de alguns ''miolos-moles'' que acreditam que a força do nome e do sangue suplanta a força do trabalho: que cá entre nós, ainda é o que nos dá, a todos, dignidade e mérito, como bem salientou o sr. Pellegrini.
Vinte anos atrás acusar alguém de leninista poderia ser ofensivo. Entretanto, como tudo se supera, o meio universitário hoje é um campo do debate democrático rico em idéias e projetos. Existe na verdade um ''atraso conceitual'' do sr. Pellegrini. Discordar de propostas e opiniões e desqualificá-las sem a devida reflexão, discussão e deliberação democráticas, isto sim é uma das práticas autoritárias leninistas.
CLAUDIOMAR DOS REIS GONÇALVES é professor de História Antiga do departamento de História da Universidade Estadual de Londrina





