ESPAÇO ABERTO
A obsessão em ser saudável
Moacir Costa
A preocupação com o corpo, principalmente com a beleza, tem sido motivo de angústias constantes, a ponto de muitas pessoas viverem em função da busca do corpo perfeito.
Isso tem sido agravado, pela divulgação dos meios de comunicação que mostra que o IBGE identifica que quase 40% da população brasileira está acima do peso, o que aumentam as preocupações com a saúde e bem estar.
A procura por alimentação saudável é fundamental, considerando que a maioria das pessoas come mal, ou melhor, erradamente, devido o excesso de carboidratos e gordura. A orientação de uma nutricionista passa a ser indispensável nessas circunstâncias.
A constatação dos médicos e psicólogos é que a preocupação exagerada em buscar uma alimentação saudável tem desenvolvido um comportamento neurótico, à medida que a seleção e o preparo desses alimentos passa a ser a maior preocupação desses usuários obsessivos. O médico americano Steve Bratman chama isso de ortorexia - duas palavras gregas; orto = correto e oréxis = apetite, um comportamento que busca obsessivamente a ingestão de alimentos.
Essas pessoas que possuem esse comportamento compulsivo gastam em média 3 horas por dia pensando e se envolvendo com comida saudável; vivem planejando as refeições do dia seguinte, do final de semana ou do aniversário de algum familiar.
É importante lembrar, que o desgaste sofrido por essas pessoas faz com que elas se preocupem mais com as propriedades e composição dos alimentos do que com o sabor e chegam a fugir ou evitar encontros sociais que podem impedi-las de seguir sua dieta.
Essas pessoas com obsessão alimentar se tornam inconvenientes por estarem continuamente criticando ou desqualificando àqueles que não tem o mesmo hábito alimentar. A convivência social gira somente em torno da busca de alimentos saudáveis. Segundo esse médico americano, essas pessoas se tornam chatas e fazem pouco sexo.
Isso é bastante provável, a medida que a maior parte da energia e dos sentimentos não são canalizados para a aproximação, convivência e conquista amorosa, mas para a preocupação em cultivar e preparar alimentos saudáveis.
É sempre bom lembrar, que a alimentação saudável deve fazer parte da vida de toda pessoa, mas jamais esquecer da importância da amizade, da realização profissional, da prática de exercícios físicos, do lazer e da sexualidade como fonte de energia e prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor, caso tenha dúvida sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br
A morte de Marx
Aguinaldo Pavão
Neste 14 de março comemoram-se 122 anos da morte de Marx. Alguns diriam que com sua morte física bom seria se tivesse morrido também suas idéias. Talvez os que dizem isso tenham em mente os horrores dos regimes políticos edificados com base nas idéias marxistas. Mas, certamente, Marx não pode ser, ao menos diretamente, culpado pelas ditaduras socialistas. Eu jamais afirmaria que com o corpo de Marx também deveriam ter sido enterradas as suas idéias. Longe de mim, endossar tão impiedosa injúria.
Antes de discutir algumas das teses de Marx, gostaria de dizer o seguinte. Talvez jamais possamos renunciar a uma certa dose de paixão em nossas leituras. Por exemplo, por Nietzsche e Hegel eu nutro um grande desprezo. O primeiro odiava a argumentação. Daí ele considerar Sócrates um grande vilão de nossa cultura. Vejam bem que coisa insana, Sócrates, o amante das definições precisas, o brilhante debatedor, o homem que enfrentou corajosamente a morte por coerência aos seus princípios morais, um vilão. Já Hegel é um pensador oracular, que não esclarece coisa alguma, sua filosofia é uma mera paródia do espinosismo.
Pois bem, sobre Marx, eu não o desprezo exatamente, porém o considero um filósofo equivocado. Contudo, ele é um pensador que nos faz pensar sobre muitas questões e que, de um modo geral, merece ser levado a sério. Agora, a conversa de Marx sobre o Estado é uma grande bobagem. Ele e o seu camarada Engels pensam que o Estado é produto ideológico faccioso cujo fim é a defesa dos interesses da classe dominante. Estão errados, pois o Estado é necessário porque a existência do conflito está enraizada na natureza humana.
Sobre a liberdade, Marx declara asneiras na ''Questão Judaica''. Parece simplesmente não ter entendido o que significa a liberdade na ''Declaração dos Direitos do Homem''. Diz, com desdém, que essa é a liberdade de uma ''mônada isolada''. Certamente, se Marx tivesse percebido o valor do individualismo, muitas coisas que escreveu poderiam servir de críticas aos regimes que sufocam essas malquistas - para ele - mônadas isoladas.
Não é de estranhar que países como Cuba e Coréia do Norte, que se dizem inspirados nas idéias políticas de Marx, abominem a democracia. Afinal de contas, Marx defendeu claramente a ditadura de uma classe sobre as outras, a conhecida ''ditadura do proletariado''. Para Marx, defender valores democráticos era ''mera ladainha burguesa''.
A respeito da moralidade, a metafísica determinista de Marx acarreta a implosão de qualquer juízo de imputabilidade moral. A visão de Marx é refratária à idéia de ações de indivíduos moralmente autônomos. Há uma incoerência flagrante de Marx quando ele julga o capitalismo injusto e recusa toda moral como mera ideologia. Ora, então também seria mera ideologia considerar injusto o capitalismo. Uma inconsistência que avilta qualquer cérebro pensante.
AGUINALDO PAVÃO é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina





