ESPAÇO ABERTO
Preservar: preocupação de todos
José Cezar dos Reis
Louvável o empenho da Folha de Londrina ao destinar considerável espaço para mostrar o estado de deterioração do patrimônio ferroviário. Isto, de certa forma, reforça a posição do Museu Histórico de Londrina ''Padre Carlos Weiss'' frente ao crescente processo de decomposição em que se encontram dois vagões e dois troles no pátio do Museu. A eles deverão juntar-se a locomotiva a vapor, fabricada em 1910, e seu respectivo tender, após serem restaurados.
O Museu e a Sociedade Amigos do Museu (SAM) estão empenhados para que estas duas peças estejam restauradas até 28 de julho, quando iremos comemorar os 70 anos da chegada do transporte ferroviário a Londrina.
Na oportunidade, lembramos que a Sociedade Amigos do Museu, fundada em 1995 sociedade aberta à participação da comunidade , em parceria com a Prefeitura Municipal e a Universidade Estadual de Londrina, tem e continua tendo um papel atuante nas realizações do Museu. Pode-se afirmar que não fosse o seu trabalho abnegado dificilmente o Museu teria as instalações que tem hoje.
No que se refere à organização museográfica, a disposição do acervo seguiu orientação da professora Maria Cristina de Oliveira Bruno, da Universidade de São Paulo (USP), doutora em Museologia.
O entendimento do Museu, após ouvir autoridades ligadas ao patrimônio histórico e especialistas ligados a construções que utilizam madeira, é que a melhor forma de garantir preservação do acervo em questão é a construção de uma cobertura para evitar a ação corrosiva de agentes externos.
Entende também que o projeto selecionado procura estabelecer um diálogo entre o estilo em foi construído o prédio do Museu e a moderna forma de expressão adotada pelos profissionais de arquitetura.
O arrojo do projeto está bem de acordo com o espírito de transformação e criação tão próprio dos pioneiros.
Portanto, modernizar para preservar nem sempre é uma conduta com a intenção de descaracterizar.
JOSÉ CEZAR DOS REIS é diretor do Museu Histórico de Londrina e professor do departamento de História da Universidade Estadual de Londrina
Agradecer para viver melhor
Walmor Macarini
Viver em estado de agradecimento por todas as coisas, mesmo as desagradáveis, é de custo baixo e torna a vida melhor. As pessoas, na maioria, buscam obter dinheiro visando o bem-estar, e exercitam-se para manter o corpo em forma e assim sentir-se saudáveis nada havendo de errado nisto mas não exercem a ginástica do agradecer, que proporcionaria resultados tão salutares. No mesmo sentido, banham-se, perfumam-se, requintam-se, mas deixam de fazer a higiene dos pensamentos, sentimentos e palavras, e saem pelas ruas espargindo maus fluidos, contaminando os circunstantes e a atmosfera ao redor e dessa forma atraindo as coisas semelhantes.
As leis naturais não-escritas e não-conhecidas, como as de cultuar o agradecimento e policiar o que se pensa, se sente e se diz, são muito mais poderosas e de maior efeito do que toda a energia que se gasta nos cuidados da aparência e na obediência aos convencionalismos. Há pessoas que, além de um curso superior, fazem dois ou mais, no sentido de melhorar-se, e consomem com isso anos de estudo, mas não dedicam um minuto diário para agradecer pelas coisas e pela vida, e também não se limpam interiormente por via do esvaziamento do que guardam de negativo.
Poucos se lembram, ao levantar-se pela manhã, de agradecer pelo bom sono, pelo conforto da cama, pelo café da manhã, pela casa, pela família, pelo emprego que têm, pelo automóvel que os transporta. Uma legião de desconhecidos produziu essas coisas, especialmente aqueles que labutam no campo e fazem o alimento chegar à nossa mesa. Pagamos pelo que adquirimos, mas assim mesmo será preciso reverenciar quem tanto trabalhou para nos disponibilizar tudo isso. Não costumamos ensinar isto aos filhos pequenos e aos netos, e assim eles também não aprenderão o culto ao agradecimento e serão estimulados ao desperdício, por não saberem a origem das coisas que usam e consomem e quanto elas custam, em trabalho e em dinheiro.
Educar para a vida é muito mais que o acúmulo de conhecimentos convencionais. É a arte de ensinar aos pequenos e aos adolescentes a reverência à vida, que resulta no implícito agradecimento por tantas dádivas. O hábito de agradecer pelos bons momentos, pelas coisas boas que nos acontecem e até pelas atribulações (que podem ser expedientes de purificação e alertas para nos fazer melhores), assim como o culto aos bons pensamentos, sentimentos, palavras e ações, farão mais suave a vida e nos entronizarão num campo vibracional mais refinado, onde habitam as riquezas e as bem-aventuranças.
Aquilo de bom que queremos não está fora, mas dentro de nós. Basta apenas reaprumar as atitudes de pensamento e sentimento, que o mais virá, sem tanto esforço físico e sem tanto estresse. O que se cultiva pela via do coração (entenda-se dar um toque de amor e doação a tudo que fazemos) abrevia distâncias e elimina a maior parte das dificuldades, porque tem o condão de purificar o campo ao nosso redor.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





