Empoderamento feminino já!
Sueli Galhardi

Frequentemente os homens perguntam: por que não temos o Dia do Homem? Sei que para responder esta pergunta não seriam poucas linhas que dariam conta de explicar um fenômeno social de tamanha ordem, mas vou tentar inquietar homens e mulheres que tenham acesso a este meio de comunicação. Quando falamos em Dia Internacional da Mulher esta é uma ação feminista afirmativa, e não estamos falando simplesmente em seguir um calendário capitalista de fazer homenagens, dar flores ou presentes a algumas mulheres, apesar de que gostamos inclusive de recebê-las!
Este dia marcou-se porque em 1857 operárias têxteis de uma fábrica de Nova York entraram em greve e cerca de 130 mulheres que lutavam em busca de direitos sociais igualitários aos dos homens foram queimadas vivas. Falar sobre Dia da Mulher é falar em relações sociais desiguais de gênero, do feminino e do masculino e, suas contradições ainda presentes em nossa sociedade com valores tão patriarcais. Queremos apenas ser reconhecidas como cidadãs de direito num Estado de direitos. Quem não sabe que as mulheres ganham menos em espaços de trabalho numa mesma função ou cargo de um homem? Quem é que não sabe que a mulher ainda neste século sofre todos os tipos de violência, inclusive a física em que o homem se arvora de seu dono e senhor e lhe determina funções, castra seus sonhos e mutila seus desejos e prazeres?
O reforço social legitima esta condição e papel masculino. Talvez hoje nós mulheres sejamos ''ousadas'' em ocupar espaços que se apresentavam eminentemente como masculinos, determinado por este mesmo masculino. Lembramos que fomos ter a condição constitucional do voto apenas em 1934. Recentemente assisti a um debate em que uma árbitra (no dicionário só aparece no masculino) foi veementemente desqualificada em apitar uma partida de futebol, analisada por comentaristas homens é claro, por possíveis gafes que poderia ter cometido durante a partida. Teve que ir ao ar mostrar não somente a sua condição física perfeita, ao contrário do que se havia dito, como evidenciar gafes maiores vivenciadas recentemente por homens em que a cobrança sempre é mais ''light''.
Eles podem! Muitos perguntariam: mas o que estaria uma mulher fazendo num estádio apitando uma partida de futebol? Espaço de hegemonia masculina e, imagino os palavrões que elas têm que ouvir por serem mulheres. Então, se não tivéssemos desigualdades de gêneros, as mulheres precisariam todo o tempo provar que são tanto quanto ou mais capazes que os homens? Queridas e queridos, dia dos homens infelizmente ainda são todos os dias! A supremacia masculina pulula na sociedade, e o que nós feministas buscamos é realmente o empoderamento feminino, para transformarmos as relações sociais de gênero, entre homens e mulheres.
Não estamos absolutamente falando em guerra dos sexos, mas em equidade de gênero, em que a mulher tenha o poder não de se sobrepor ou subordinar o homem, mas ser dona e senhora de suas próprias idéias e seu espaço social. Isto certamente implica em envolver o homem como um aliado nesta luta, a fim de que a sociedade como um todo possa desenvolver e garantir às mulheres os meios para combater a discriminação e desigualdade que vivem e elevar sua posição social. Neste dia não precisaremos nem de Dia da Mulher nem do Homem, pois teremos dias das cidadãs e dos cidadãos!
SUELI GALHARDI é assistente social e presidente do Grupo de Mulheres Solidariedade de Londrina

TPM: Tudo Para as Mulheres
Mara Vitorino

O significado de TPM, em março, poderia ser Tudo Para as Mulheres. Imaginem só! Um mês inteirinho em que o mundo mudasse a percepção do olhar para elas. Durante 30 dias, todas, sem distinção de idade, classe social, raça e religião, teriam motivos de sobra para serem mais felizes. Os namorados, noivos e maridos distribuiriam flores por motivos banais, os filhos pequenos não fariam birra e os adolescentes diriam, com carinho, obrigado mãe, você precisa da minha ajuda hoje?
O mundo moderno não cobraria perfeição em comportamento e estética. Neste 8 de março, em vez de presentes, os seres femininos receberiam a notícia da aprovação, pela Organização das Nações Unidas do Estatuto da Mulher Feliz (EMF), em que o artigo principal seria o respeito às diferenças, uma vida sem preconceitos, em que liberdade de pensamento e de expressão seria valor essencial. Este documento corrigiria injustiças, pois as mulheres são verdadeiros agentes da história e nem sempre são citadas nos capítulos dos livros oficiais.
A justificativa do EMF seria simples, sem grandes debates públicos e intervenções políticas, porque as mulheres alimentam de sensibilidade o mundo e, com olhos cheios de água, amam incondicionalmente, sem disfarce. A partir dessas linhas, passariam a ser percebidas com olhos mais sensíveis, como os dos poetas, que melhor entendem a alma feminina.
Neste março, as mães desoladas teriam todo o conforto, em que o desamparo e a dor da violência doméstica seriam substituídos por auto-estima e segurança e, nos ambientes públicos, a mulher seria vista em sua magnitude. O estatuto seria lido em todos os lugares e cumprido por todos. Que glória! A partir dele, a mulher faria parte de um único grupo, sem competições e maledicências: o grupo das mulheres felizes, que viveriam num mundo perfeito, como aquele dos sonhos das adolescentes, no frescor dos 15 anos, ou da firmeza dos 30 ou da serenidade dos 40 ou, quem sabe, até do bom humor dos 50 anos.
Mas, como isso tudo é utopia, resta a elas o heroísmo de acordar a cada dia com força e ter orgulho de ter nascido assim, dando graça ao mundo, chorando sem vergonha, sem medo de recomeçar, como fênix, que renasce das cinzas, supera as dificuldades e, no retorno, colocam um lindo vestido novo para sentar na varanda e sentir os bons ares da vida.
MARA VITORINO é professora de Letras e jornalista da Unioeste em Cascavel

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