A comunicação cria valor
Marlene Marchiori

Esta é uma afirmativa realmente forte e poderosa. Basta saber como projetar e realizar a comunicação em um ambiente empresarial. Isto quer dizer primeiramente o entendimento do ambiente e da forma de agir de uma organização. Nenhuma rede é igual a outra. Em nenhuma empresa a comunicação é um padrão. Ela é sensitivamente construída e compartilhada para que possa ter significado. Portanto, a administração do processo de comunicação deve ser profissionalizada valorizando duas filosofias básicas: comunicar e se relacionar, seja no ambiente interno ou externo.
Interessante observamos que o ponto crucial das melhores empresas para se trabalhar no país é o quesito comunicação. O que mais vale para estes funcionários é um sentimento de orgulho pela empresa, credibilidade dos líderes, nível de informação e tratamento com justiça. Fatores que se observarmos parecem simples de serem trabalhados. Mas o que podemos efetivamente realizar para esta conquista? Entendemos que as médias necessitam de um incremento e para tanto é preciso lançar mão de uma nova comunicação.
Uma comunicação que aproxima, que ouve, que também fala, que olha nos olhos e que sente a realidade de cada ambiente em que se insere de maneira detalhada e explora estas descobertas de uma forma mirabolante. Este é o sentido da nova comunicação, fazer comunicação em razão da própria comunicação. Para tanto é preciso que as pessoas sintam, se envolvam e sejam comprometidas com seus propósitos e que estes estejam, após um período de amadurecimento, em sintonia com as pessoas, em uma interação sincronizada. Um ambiente interno com qualidade é um processo no qual se valoriza: confiança, competência, comprometimento e credibilidade.
Entendemos que neste ambiente a estratégia de negócios não pode mais estar dissociada da estratégia de pessoas. É necessário que a empresa esteja em consonância com seus objetivos, e é fundamental ''viver'' a organização em todos os seus processos. O segredo: a construção de relacionamentos com processos de comunicação efetivos - comunicação aberta, intensa e transparente.
MARLENE MARCHIORI é profissional de relações públicas, professora da Universidade Estadual de Londrina e consultora

Almas tortas da nação
Gaudêncio Torquato

Almas das nações e eixos vigorosos da democracia, as instituições são maiores que os homens. Enquanto estes passam, aquelas subsistem independentes e harmônicas na concepção traçada por Montesquieu. A existência de instituições fortes, capazes de responder às demandas sociais, distingue sociedades politicamente desenvolvidas de sociedades subdesenvolvidas. São elas que criam as formas de previsibilidade, garantindo a um país estabilidade política, crescimento contínuo e meios para administrar riscos, ameaças e oportunidades.
Basta esse rápido olhar para flagrarmos a dimensão em que se encontra a sociedade brasileira. Aqui, governantes costumam exibir mais força que as nossas tortas instituições, a separação dos Poderes não passa de uma quimera e a democracia acaba tendo seus vetores corroídos por um arsenal autoritário que dita rumos e padrões da cultura política.
A cada semana, um evento aparece para enfeitar a fisionomia esburacada das instituições nacionais. O último foi uma portaria determinando que as pesquisas do IBGE passem pelo crivo do Ministério do Planejamento 48 horas antes da divulgação. É visível a relação entre este fato e a sinuca de bico em que ficou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de ver seu propagandístico Brasil famélico desmoronar diante de um país com mais obesos que esfomeados, na fotografia feita pelo IBGE.
A questão morreria por aí, não fosse um conjunto de instrumentos que demonstra a irreprimível vocação do atual governo para controlar o tom da orquestra nacional. Eis um sumário: Lei da Mordaça do Ministério Público, Ancinav, Conselho Federal de Jornalismo, portaria exigindo silêncio dos funcionários públicos a respeito de atividades e controle dos partidos da base aliada.
Pincemos este último caso. Lula cobra dos senadores José Sarney e Renan Calheiros - interlocutores do PMDB que escolheu para dialogar, passando por cima da direção partidária - a filiação àquele partido do ministro Ciro Gomes, afastado do PPS. Tem o presidente da República a prerrogativa de controlar a vida de partidos aliados, patrocinando filiações, inchando ou desinchando siglas?
Nos últimos tempos, porém, o País assistiu à maior transferência interpartidária de sua história, que redundou no adensamento do PL e do PTB. A operação, mesmo que amparada em toscos cânones partidários, carece daquela seiva ética que se faz tão necessária às instituições. Não é de admirar que nossos atores políticos desçam do altar do prestígio para frequentar os espaços do desrespeito, da descrença e da execração pública.
E o que dizer do Parlamento, cada vez mais atrelado ao rolo compressor do Executivo? Veja-se o caso das medidas provisórias (MPs), essa invenção da Constituição de 88, cuja edição e reedição só se justificam na ocorrência de fatores de relevância e urgência. Se a maioria das MPs não se fundamenta naqueles pressupostos, por que o Congresso Nacional não breca tal abuso? Porque o presidencialismo imperial brasileiro, revigorado no governo do PT, inaugura um insólito tempo de normatização da exceção, com o apoio do próprio corpo parlamentar.
As palavras do velho Rui Barbosa continuam valendo: ''Os nossos presidentes carimbam as suas loucuras com o nome de leis e o Congresso Nacional, em vez de lhes mandar lavrar os passaportes para um hospício de orates (idiotas, loucos), se associa ao despropósito do tresvairado, concordando no delírio, que devia reprimir''.
GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista e professor da Universidade de São Paulo

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