Felizes os que promovem a paz
Osvaldo Cardoso Ribeiro

Parabéns à Campanha da Fraternidade deste ano. Todos buscam a paz. É o anseio geral. Parece que a harmonia é impossível. Procuram-na em toda parte. Os cientistas procuram sinais de vida inteligente, buscando a felicidade. Criam-se mecanismos para vasculhar o espaço, com observatórios em tentativas de sinais de vida extraterrestres, que magicamente possam trazer esperanças de paz. Por que procurar hipotética paz tão distante? Embora vivamos um ceticismo religioso, a religião ainda é uma poderosa força propiciadora de paz.
Lendo a Bíblia, percebe-se que mensagens verdadeiras já desceram do céu para a terra. Deus fala incessantemente ao homem, sua criatura. Ele enviou profetas para proclamar sua palavra e não os ouvimos. Então Deus desceu até nós na pessoa de seu filho, Jesus, foi um visitante do céu que tomou a forma humana para traduzir a linguagem do céu para nós.
Uma das coisas mais complexas é a religião. Uma diverge da outra, a minha a sua, os antropólogos, sociólogos, psicólogos, místicos, budistas, judeus, os cristãos. Só que ninguém pode questionar as razões teológicas e apologéticas mostrando um Deus absoluto, causa primeira do mundo. É um ser vivo, concreto, pessoal, transcendental, primeiro em todas as ordens. Não se deixa rebaixar a uma prova metafísica. A ciência jamais pode pretender insinuar a nulidade da hipótese - Deus.
As mentes cristãs ordenaram entendimentos criando diretrizes para a Campanha da Fraternidade de 2005 de maneira ecumênica reunindo as religiões cristãs para a promoção da paz, esquecendo as divergências e buscando-se as semelhanças em Deus que criou o Homem, para que seja livre, é o ponto alto de sua criação e este Deus quer a promoção do homem pela ciência, pela técnica e a santificação ao espírito, para que viva em paz. A fé religiosa é antes de tudo um ato de confiança em Deus, onde as pessoas se inclinam diante das vontades do senhor em uma atitude de humildade a adoração.
Os cientistas, deixando de lado aquilo que se pode comprovar, passam a pensar sobre a existência de Deus. Dentre eles ressalta-se Leibniz, que infere:''Deus é possível, logo existe''. Busca o princípio da razão e sente que tem que haver uma causa necessária para que tudo seja como é. Há uma harmonia preestabelecida que requer uma suprema inteligência ordenadora. Tudo no universo é perfeito e isto só pode ser capaz, racionalmente, por uma força misteriosa e indescritível. Sim, Deus existe e está em toda parte, infeliz daquele que não o vê, pensando irracionalmente ser dono do mundo!
Para que a paz aconteça, é necessário darmos as mãos, abraçar aqueles que estão noutras denominações religiosas e nesta ecumênica Campanha da Fraternidade buscar saídas através dos ensinamentos bíblicos e surgirão novos caminhos de paz.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é jornalista em Londrina

Música: cachorro-quente versus cozinha francesa
José Luís da Silveira Baldy

Como o mais antigo colaborador da Rádio Universidade-FM, da Universidade Estadual de Londrina, produtor e apresentador de dois programas de música popular brasileira - ''Passado a Limpo'' e ''Música de Memória'' -, junto-me ao manifesto de regozijo do dr. Aristides Makowich pelos 20 anos de apresentação de ''A Música dos Grandes Mestres'', ''o programa mais antigo de música erudita, de música de concerto, levado ao ar pelo rádio londrinense'', como faz questão de propalar de forma reiterada e rebarbativa em todos os programas que vem apresentando na Rádio Universidade-FM.
Reconhecendo o valor da ajuda do dr. Aristides Makowich na divulgação da música sinfônica de compositores denominados eruditos, não posso também deixar de manifestar-me a propósito da afirmação por ele feita na entrevista que concedeu à Folha de Londrina em 23 de setembro p.p., segundo a qual ''a música popular tocada em rádio é o cachorro-quente do cardápio de lanches, enquanto que a música clássica é o prato refinado da cozinha francesa''. Afirmação feita sem qualquer ressalva e sem assinalar nenhuma exceção.
Estranho essa opinião, de quem também declara, na citada entrevista, que ''além de música de concerto, gosto de música caipira de raiz, música russa e música folclórica alemã'', e que ''a pessoa, para ser realizada, tem que ser polivalente''. Estranho essa opinião principalmente em respeito à qualificada programação atual da Rádio Universidade-FM, que - sem deixar de transmitir ''música clássica'', com dez horas semanais dedicadas à música erudita (incluindo a música erudita contemporânea), duas das quais destinadas ao seu festejado ''A Música dos Grandes Mestres'' - transmite, na maior parte do tempo, música popular (brasileira, latino-americana, norte-americana etc.).
Tenho para mim que a generalização grosseira e preconceituosa do dr. Aristides Mackowich, desqualificando a música popular ao identificá-la como ''carrocho-quente do cardápio de lanches'', atinge a linha editorial posta em prática na Rádio Universidade-FM, com grande dedicação e responsabilidade, pela musicóloga e professora Janete El Haouli. Sinto-me, portanto, na obrigação de lamentar publicamente essa visão arbitrária e maniqueísta do dr. Aristides Makowich, que apresenta atualmente o seu programa nessa emissora da Universidade Estadual de Londrina.
JOSÉ LUÍS DA SILVEIRA BALDY é professor da Universidade Estadual de Londrina e colaborador da Rádio Universidade-FM

mockup