ESPAÇO ABERTO
Turismo gera empregos e divisas
Paulo Muniz
O turismo é, de fato, uma das principais atividades econômicas do mundo. Movimenta 10% do PIB mundial, quase US$ 5 trilhões por ano. Gera empregos em grande quantidade - de cada dez novos postos de trabalho criados no planeta, um vem do setor turístico.
O movimento de receitas é gigantesco para os países que optam por essa alternativa de crescimento. Indicadores de Resultado do Turismo Brasileiro mostraram que o Brasil recebeu do turista, em 2004, um pouco mais de US$ 3 bilhões.
Segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), os países mais visitados são: França em 1º, Espanha em 2º, EUA em 3º e o Brasil em 29º lugar - um número ínfimo se considerarmos o potencial turístico que temos em nosso país.
Com um pouco mais de esforço e canais de financiamento para os empreendedores, poderemos, em pouco tempo, ampliar ainda mais os ganhos com o turismo em nosso país. Afinal, não temos catástrofes naturais (tsunamis, vulcões, terremotos), estamos livres de guerras e de atentados terrotistas. Tudo isso é ponto a favor do Brasil.
Também o Paraná, e, principalmente, a nossa região de Londrina deve participar mais ativamente deste imenso bolo que está sendo repartido, por enquanto, entre os países ricos da Europa e da América do Norte.
Temos um país privilegiado, no clima e nas belezas naturais - Amazônia, Pantanal, Foz do Iguaçu, um litoral com mais de 8 mil quilômetros de praias maravilhosas, um interior rico em paisagens e culturas das mais diversas atividades.
Nosso país precisa receber mais investimentos por parte do governo federal, demonstrando suas riquezas naturais, promovendo internacionalmente estas realidades. Não há necessidade de inteligências aguçadas, basta avaliarmos o que o turismo internacional movimenta. São 10% de 50 trilhões de dólares.
Tomando-se esse número, chegamos à conclusão de que a participação do Brasil com o turismo no PIB mundial são modestíssimos 0,006%. Além disso, recebemos, em todo o País pouco mais de 4 milhões de turistas internacionais por ano. Um número irrisório se compararmos com os 20 a 30 milhões que visitam anualmente a França.
Será que, como a nona maior economia do planeta, não teríamos condições de aumentar esse valor em, pelo menos, dez vezes - o que não é muito, seria somente 0,06% do PIB mundial - para chegarmos a 30 bilhões de dólares de receita anual com o turismo internacional?
Se, com nossa pequena participação, o setor do turismo já gera milhares de empregos, imaginem com um pouco mais de esforço o que não poderíamos estar ganhando? Seria tudo que o presidente Lula precisaria para cumprir sua promessa de campanha.
E haveria benefícios para todos. Para o Brasil, para o nosso Paraná e, principalmente, nossa região de Londrina, desde que tenhamos projetos turísticos viáveis e incentivo para implantá-los.
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina
Tsunami e a bondade de Deus
Aguinaldo Pavão
Não quero entrar aqui numa discussão técnica sobre a existência de Deus. Sobre esse ponto, a posição agnóstica me parece a mais sóbria. Mas não é esse o meu ponto aqui. Gostaria apenas de registrar como é curioso ouvirmos pessoas agradecendo a Deus por não terem sofrido mais com a tragédia que abateu os países asiáticos. Eu penso que seria muito mais razoável, para as pessoas que acreditam na existência de Deus, a atitude de protesto, de acusação à divindade. Padres, pastores, líderes religiosos em geral ensinam que Deus é bondoso. Ora, onde podemos perceber a bondade de Deus nesses acontecimentos?
Vi na televisão uma atriz, que perdeu filha e neto, agradecer a Deus por não ter morrido a sua neta. Isso é espantoso! Parece que as pessoas, numa disposição singularíssima, se dispõem a dar créditos a Deus pelos que sobreviveram e isentá-lo pelos que morreram. Mas qual a lógica dessa posição? Se Deus agiu, com sua ilimitada benevolência, para salvar milhares de pessoas das ondas gigantes, por que Ele não agiu de modo a salvar todos?
Segundo o filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.), ''Deus ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quiser e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus. Se pode e quer, o que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então a existência dos males? Por que razão é que não os impede?''
Se Deus é considerado o Benfeitor Universal, como entender catástrofes que arrastam consigo a vida de crianças, de seres inocentes? É evidente que a Providência Divina sempre estará certa para os espíritos devotos. Contudo, o incômodo, por certo, deve afligir a mente daqueles que cultivam a razão.
É claro que o que aconteceu foi apenas um desastre natural e Deus, se é que ele existe, o que eu duvido muito, nada tem a ver com isso. O problema é quando as pessoas acreditam que Deus teria intervindo para salvar pessoas. Nesse caso, é inevitável nos perguntarmos: por que uma intervenção tão seletiva? Por que não resolver o problema de todos, por que não impedir a morte de milhares de pessoas, por que permitir o sofrimento de milhares de feridos e desabrigados?
Defendo, sem rodeios, a seguinte posição: a ocorrência de tragédias naturais e um Deus bondoso que atue na história são idéias irreconciliáveis. Com a palavra as mentes piedosas.
AGUINALDO PAVÃO é professor de Filosofia UEL





