ESPAÇO ABERTO
Os desafios da saúde
Sílvio Fernandes da Silva
A maioria dos sistemas de saúde do mundo se encontra em crise. A explicação mais aceita é que a humanidade convive com fatores que expandem cada vez mais os gastos, tais como o envelhecimento da população, a incorporação descontrolada de novas tecnologias para o tratamento de doenças e a consolidação de uma ''cultura medicalizante'' que induz à falsa crença de que todos os padecimentos humanos são medicalizáveis. Os problemas da saúde estão ficando tão complexos que não se resolvem com mero aporte adicional de recursos. De 1970 a 1990, os gastos dos países ricos aumentaram 6,5 vezes per capita, passando de 5,8% para 8,2% do PIB, em média, e muitos deles continuam a conviver com grau elevado de insatisfação da população e pouca mudança nos indicadores que medem a qualidade de saúde.
Como mudar essa situação? As evidências destacadas por diversos pesquisadores mostram que, além de recursos suficientes, os sistemas de sa© úde devem incorporar uma concepção menos mecanicista, biologicista e curativa sobre o processo de morte e adoecimento das pessoas. Em outras palavras, além de tratar as doenças deve-se procurar ampliar sua prevenção e a promoção da sa© úde e mudar comportamentos visando hábitos e estilos de vida mais saudáveis.
O Brasil, com o SUS, caminha nessa direção. É uma política de saúde muito bem formulada, reconhecida internacionalmente e com resultados excepcionais em muitas áreas. Quais são, então, as causas de nossas dificuldades não superadas?? Acho que temos ainda diversos desafios nas áreas gerenciais, de formação profissional, da organização da assistência etc. no SUS, mas o principal está na estrutura do financiamento da saúde pública. Apesar de nos últimos anos o gasto nacional em saúde ter crescido, ainda tem se mostrado insuficiente para nossas necessidades.
E aqui em Londrina? Primeiramente é preciso reconhecer os esforços que o município vem fazendo, há vários anos, para melhorar o atendimento básico à saúde. Nestes últimos 30 anos o sistema municipal de saúde cresceu continuamente e hoje é o maior setor da administração municipal, contando com mais de 3 mil profissionais de saúde. A expansão do atendimento, em especial após a inclusão do PSF na gestão do prefeito Nedson, tem contribuído para melhorar a condição de sa© úde da população, já que Londrina ostenta, por exemplo, alguns dos menores índices de mortalidade infantil, mortalidade materna, cárie dentária e doenças imunopreveníveis do país. E estamos, pela primeira vez, ampliando a oferta de serviços em áreas críticas no atendimento especializado através de policlínicas. Nossos principais desafios são de consolidar e melhorar o que já foi feito e enfrentar pra valer os problemas que ainda existem na atenção especializada e hospitalar de forma articulada com os governos estadual e federal.
SILVIO FERNANDES DA SILVA é secretário de Saúde de Londrina
A alta dos juros e o setor produtivo
Paulo Muniz
Tínhamos tudo para iniciar 2005 com o pé direito. Depois de muitos anos, em 2004 houve crescimento industrial e também uma pequena, mas constante, recuperação do emprego 79.022 novas vagas somente em novembro.
Mas novamente o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC) nos deu um ''presente'' que pune o bom comportamento da indústria no ano que terminou.
Pela quarta vez consecutiva, decidiu elevar a taxa básica de juros da economia, que passou de 17,25% para 17,75% ao ano. Trata-se da maior taxa desde outubro de 2003, quando ainda estava em 19%.
A autoridade monetária alega que eleva o juro para deixar o crédito mais caro e conter o consumo. Assim, evita que a inflação saia do controle. Um dos temores alegados pelo Copom é que as empresas se aproveitem do crescimento econômico para repassar aos consumidores o aumento de custos, recompondo a margem de lucro.
O aumento do juro, porém, não tem efeito sobre as pressões de preços provenientes de reajustes de serviços administrados como energia elétrica e telefonia , da alta do petróleo e do avanço das commodities, que são os principais fatores de inflação atualmente.
Quando os juros sobem, aumenta também o volume de recursos necessários para pagar o serviço da dívida e o governo se endivida mais para rolar os títulos. Quem ganha com tudo isso são os especuladores e, principalmente, os bancos, que estão cada vez mais apresentando lucros altíssimos. E estes setores não produzem nada a não ser mais pobreza e concentração de renda. O governo poderia pensar em taxá-los para que toda a vez que houvesse alta de juros, os bancos tivessem que pagar pelo excesso de ganhos.
Com a alta dos juros, sofrem a população, em especial as classes média e baixa, e o setor produtivo do País indústria, comércio, serviços, agricultura.
Será que não chegou a hora do governo apostar mais no crescimento e menos na ciranda financeira? Precisamos de crédito para investimentos, para aumentar a produção. Vamos combater a inflação com mais mercadorias na prateleira, atendendo o nosso consumidor, aumentando a renda do nosso trabalhador, diminuindo a carga tributária e os impostos altíssimos, combatendo a sonegação.
Será que não poderíamos trabalhar com preços adequados, que pudessem trazer vantagens ao consumidor mas também aos produtores? Assim teríamos mais condições de investimento, aumentaríamos a produção e, consequentemente, o Brasil permaneceria em crescimento e a inflação não seria a grande vilã.
Esperamos que o governo reveja esta política e aposte mais na capacidade do nosso povo. Afinal, como se alardeia tanto nas publicidades em rádio, televisão e jornal: ''O melhor do Brasil é o brasileiro''. Não vamos nos esquecer disso.
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina





