ESPAÇO ABERTO
Uma mentira bem contada
Luiz Carlos Ferraz Manini
As eleições nos Estados Unidos dividiram praticamente o mundo inteiro em dois blocos antagônicos, quais sejam, daqueles que acreditam no poder da democracia imposta à moda das ditaduras, e os que pensam que a megapotência talvez olhe com maior complacência para o resto do mundo. É a batalha do bem contra o mal, da tolerância contra a cruzada do bem.
No entanto, devemos concordar que há certo consenso sobre o papel do Tio Sam no mundo. O cargo de delegado mundial lhe foi atribuído por si mesmo, e nós, ingenuamente acreditamos. Vamos pensar: os Estados Unidos da América é a mais bem contada mentira do mundo. Em especial no momento, em que George W. Bush, típico representante da burguesia agrária troglodita sulista, manteve-se no poder, teremos que nos acostumar a respeitar o mando embriagado de poder do caubói mais mauricinho do mundo.
Sujeitamo-nos aos desígnios econômicos de uma farsa monetária chamada dólar, que regula transações financeiras ao longo de todo o mundo. O sonho americano se desfaz ao longo dos recantos do planeta, onde o capitalismo se acomoda e se desfaz em desigualdades sociais, acabando com o estado de bem-estar social, e impondo uma política neoliberal, responsável pel dilapidação do patrimônio público.
Continuaremos a viver sob a cultura do medo e da intolerância, que nos tolhe o respeito pelo diferente e a capacidade de compaixão pelo pobres. O darwinismo social reina ardentemente na superpotência, que nos remete a pensar na queda do Império Romano.
A megacivilização romana dominou o mundo conhecido por séculos, impondo sua forma de pensar, agir e até mesmo falar aos povos dominados (daí a enormidade de línguas derivadas do latim). Mesmo do alto de sua onipotência, Roma ruiu, fragorosamente, e nos chega como uma verdade na qual se acreditou durante muito tempo.
Mas não podemos comparar um país que nem mesmo um nome possui com a civilização romana. Estaríamos desaprendendo a história, igualando alhos e bugalhos, gatos e lebres. Roma impôs-se pela força de suas armas, pela vigorosidade de sua política, pela força de sua cultura. Qual a lição que tiramos disso? Que os Estados Unidos da América não passam de uma farsa bem montada, já que sua cultura nada tem de refinada, sua comida só faz mal para os nossos pobres estômagos, sua música é irritante, sua política é contraditória e suas armas... bem, suas armas nem sempre atingem os alvos certos.
LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI é professor de História em Londrina
Londrina: 70 anos de menina atrevida
Vania Beatriz Rodrigues Castiglioni
Que honra é, para a Embrapa Soja, estar localizada numa cidade como Londrina. Aqui, nossos empregados - a maioria oriunda de outros estados e municípios - foram acolhidos e chamados a fazer parte da comunidade, constituíram famílias e hoje têm a cidade como sua terra. Os visitantes que recebemos na Embrapa Soja - milhares ao ano - elogiam o clima, o solo, as estradas sempre adornadas pela produção de alimentos, as amizades que fazem e, sobretudo, surpreendem-se com a qualidade e a quantidade de conhecimentos que a cidade gera e debate: poucos municípios do interior deste País reúnem tantas instituições de excelência na área de ciência e tecnologia.
Em tecnologia para soja, podemos afirmar, com segurança, que Londrina é a grande capital. Sem contar que, de maneira especial, nunca deixaremos o cheirinho de capital do café!
Como se não bastasse, a história registra os esforços e o sucesso de grandes londrinenses empenhados em fazer de Londrina um pólo cultural. Tornaram-se tradicionais os festivais, os grupos de balé e teatro (que orgulho a Funcart!), as bandas e as obras de arte da casa, todos elevando o conceito da terra vermelha a cantões e cantinhos ávidos por informação produzida e compartilhada com dedicação e competência.
E como não registrar outras formas de esforço, como a luta contra a corrupção, contra a falta de remédios para a Aids, contra a alta no preço do transporte e do supermercado, contra a violência à mulher...Londrina é mesmo precursora em muitas causas. Poderíamos dizer que é também a Capital dos Precursores? Tenho certeza que sim.
O segredo de tantas qualidades? Talvez seja uma ambição boa e a sede por respeito e conhecimento, deixadas no ambiente pelos pioneiros e desbravadores. Seo Arrabal (até para valorizar as pessoas anômimas que também fizeram a história) veio de longe e abriu imensos caminhos, seo Celso foi buscar gado na Índia...
Ambos, e muitos outros, deixaram para todos um exemplo de coragem. Assim como eles, sonharam um sonho lá fora, mas vieram realizá-lo aqui. Deixaram São Paulo, Espírito Santo (como eu!) Minas, Inglaterra; foram a Madri, ao Japão, ao Iraque, à China, à Alemanha... mas a base se firmou aqui. Esses nossos amigos londrinenses (se não de berço, de coração) sabem que Londrina sempre teve e sempre terá muitos desafios, muitos problemas a resolver, mas entendem que devem fazer parte da solução e sentem-se plenos cidadãos a construir algo melhor.
Os parabéns são para Londrina, mas Londrina somos nós, seus construtores do dia-a-dia. A Embrapa Soja deseja aos seus empregados, estagiários, parceiros, à sua comunidade no Distrito de Warta e a todos os demais londrinenses de berço e de coração, um feliz aniversário.
VANIA BEATRIZ RODRIGUES CASTIGLIONI é chefe-geral da Embrapa Soja em Londrina





