O tráfico de drogas e os jovens
Francisca Vergínio Soares

O atual quadro em que se apresenta a violência no Brasil e que ultimamente tem abarcado Londrina e região assusta pelo elevado número de envolvimento de adolescentes e jovens quase sempre liderando a estatística de homicídios.
Por que a violência vem aumentando drasticamente? A raiz do problema está no consumo abusivo ou indevido de drogas que coloca muito desses jovens nas mãos de traficantes que uma vez iniciados no ''negócio'' dificilmente tem volta. Vemos um esquema perverso: os adolescentes que começam como usuários são levados a roubar, a assaltar e muitas vezes até a matar para fazer ''acerto de contas'': matar antes para não morrer por estar ''jurado''; ou são pagos para assumir crimes que nem sempre cometeram. Muitos desses adolescentes acabam se integrando a gangues, seja para se fortalecerem, seja para se protegerem dos inimigos que acabam criando.
Para se fazer temido cada vez mais os meninos estão se armando porque é incrível como adquirir armas não é problema para eles. Sem dúvida que a desigualdade social contribui para que a situação chegasse a este ponto. Todavia, outros elementos são notáveis como, por exemplo, a desestruturação familiar, como consequência, a família não consegue mais suprir valores vitais como os morais, os éticos, os religiosos. Considere ainda, os novos padrões de consumo; a falácia do sistema escolar; a crise institucional; a falta de políticas públicas para a criança e o adolescente e, principalmente, o fortalecimento do crime organizado a partir das décadas de 70 e 80, essencialmente no Rio de Janeiro.
Temos visto que os tentáculos do crime organizado se dissemina até as camadas mais pobres da população porque é nestes lugares que a presença do ''welfare state'' é nula ou imperceptível. Não é preciso nenhum olho mágico para diagnosticar que os meninos infratores têm nível socioeconômico demasiadamente baixo, há um oco na relação familiar, o sonho de consumo é o mesmo que de um menino de classe média e assim por diante, como está indicando pesquisa que desenvolvo sobre violência armada infanto-juvenil em Londrina. Não há exceções, de um modo ou de outro, todos trazem a marca de envolvimento com o tráfico de entorpecentes e a justificativa é sempre a mesma: esta atividade acena com a possibilidade de enriquecimento rápido ainda que qualquer deslize cometido signifique a morte.
Em suma, é preciso ocupar o lugar do tráfico porque os meninos que se armam e se envolvem com as drogas estão se tornando a vanguarda do crime organizado. É urgente que se crie novos referenciais para cooptá-los porque, na maioria das vezes, o traficante é o modelo de projeção, a estratégia é atuar na prevenção, eles têm um passado, não nasceram infratores.
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é socióloga, doutora em Ciências Sociais, docente de Sociologia e Ciência Política em Londrina

Chegou a nossa hora
Paulo Muniz

O Brasil vive um momento especial. Estamos numa posição privilegiada em relação aos demais países considerados ''em desenvolvimento''. Não é à toa que, somente neste mês, recebemos presidentes e chefes de Estado da China, Coréia do Sul, Vietnã, Rússia e Canadá. Todos interessados no nosso mercado. Eles estão vindo em busca de alta tecnologia, como no caso dos aviões fabricados pela Embraer e os satélites desenvolvidos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mas também pelo agronegócio, interessados em nossos produtos ''in natura'' e industrializados.
As nossas exportações batem recordes todos os meses e as importações também estão em alta. Isso mostra o reconhecimento do mercado internacional pela nossa potencialidade e, principalmente, oportunidades de negócio. Porque, neste mercado externo, ninguém está brincado. Todos querem sair ganhando. Os chefões internacionais não viriam aqui se não tivéssemos potencial. Acredito que chegou a hora das empresas nacionais investirem mais. Não vamos deixar tudo na mão das multinacionais. É necessário acreditar não só no mercado externo mas, principalmente, no interno.
É preciso que o governo crie e mantenha regras claras, diminua a taxa de juros e invista, junto com a iniciativa privada (através das PPPs - parcerias público-privadas, que estão sendo discutidas no Congresso Nacional), em obras de infra-estrutura. Precisamos de instituições respeitáveis, agências reguladoras equipadas e preparadas, sem interferências políticas. Projetos duradouros e confiáveis, com visão de longo prazo. Também faz-se urgente um melhor preparo da nossa classe trabalhadora.
Precisamos carrear mais recursos para a educação de base e profissionalizante. Todos merecem a mesma oportunidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nasceu pobre, em região inóspita do Nordeste, veio para São Paulo de ''pau-de-arara'', mas graças a um curso de torneiro mecânico promovido pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) conseguiu um bom emprego de metalúrgico e, aí sim, teve condições e perseverança para ir mais longe e chegar ao Palácio do Planalto.
O Brasil não é mais o país do futuro. Somos o ''país do presente''. Está na hora de ocuparmos o nosso lugar no mundo e trazer um pouco mais de tranquilidade ao nosso povo, com crescimento sustentável, geração de renda, empregos para todos e desenvolvimento. As condições para isso, nós temos, só falta um pouco mais de empenho. Chegou a hora de parar só de reclamar e arregaçarmos as mangas, porque, com certeza, o resultado será brilhante.
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina

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