ESPAÇO ABERTO
Qual a verdadeira riqueza do Parque Arthur Thomas?
Arthur Reis e Márcia Ferreira de Oliveira
De tempos em tempos o Parque Arthur Thomas é assediado por propostas no mínimo, indecorosas. Depois do Beto Carreiro, a última foi a do empresário Paulo Muniz (neste espaço, 16/11) que pretende transformar o Parque em termas ou complexo de águas quentes, alegando um melhor aproveitamento do Parque e incremento do turismo de lazer em nossa cidade.
Tal proposta foi levada ao público antes das eleições num encontro onde, segundo o empresário, havia mais de 700 pessoas, dentre elas, representantes dos dois então candidatos a prefeito. Na ocasião, o padre Dirceu Fumagalli, secretário Municipal do Meio Ambiente, representante do atual e futuro prefeito, enalteceu a proposta e disse que ''ninguém em sã consciência poderia ser contra a idéia''.
Acreditamos que além de indecorosa, esta proposta revela a extrema fragilidade técnica daqueles que representam a questão ambiental do município. O Parque Arthur Thomas é uma Unidade de Conservação Ambiental, e como tal, não se presta a empreendimentos deste vulto (Lei 4771/65). É difícil acreditar que a abertura de piscinas de águas termais e a construção de um complexo para atendimento ao público, não gerem impacto ambiental, numa unidade já tão fragilizada pela negligência dos que a gerenciam.
O que assistimos nos últimos anos foi o parque Arthur Thomas ir literalmente por água abaixo. Foram dois desmoronamentos catastróficos, que tiveram como uma das causas, a execução de obras de aporte de águas pluviais, realizadas sem autorização do IAP e sem RIMA - Relatório de Impacto Ambiental. Um deles soterrou quase que totalmente a primeira usina hidrelétrica do município. Foram centenas de caminhões de terra e pedra retirados. Tal era o estado de abandono da usina que até a fiação de cobre da turbina, foi levada por vândalos.
Em tempos de empreendedorismos e negócios de oportunidade, não há como negar o apelo que uma área verde, como a do Arthur Thomas, no meio da cidade, exerce sobre o imaginário de alguns empresários. Embora a parceria público-privado seja de extrema importância e venha dando bons resultados, a vocação de um parque municipal, deve extrapolar meramente o aspecto comercial em si. Atividades de lazer, contemplação, eco-turismo, educação ambiental, estudos da fauna e flora nativa, devem constar das obrigações de uma Unidade Ambiental como o Parque, o que não deixa de gerar por sua vez, inúmeros empregos diretos e indiretos.
Ademais, Londrina já possui uma estação de águas termais, localizada na estrada do Limoeiro. Não seria menos insano e menos impactante, direcionar este furor empreendedor para a revitalização das Termas de Londrina, já existentes? Neste ínterim, aguardamos o Plano de Manejo do Parque, elaborado pela empresa vencedora da licitação pertinente, o que permitirá uma visão mais acurada da realidade do mesmo, de suas necessidades e potencialidades.
ARTHUR REIS é engenheiro agrônomo e MÁRCIA FERREIRA DE OLIVEIRA é bióloga e socióloga e representantes dos Amigos do Parque
Londrina ainda é a capital do Café
Nilson Roberto Ladeia Carvalho
Neste ano em que Londrina completa 70 anos, recebe um grande presente através de alguns agricultores de café do Distrito de Lerroville que foram os grandes destaques do Concurso Café Qualidade Paraná 2004, promovido pela SEAB -Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. Entre os 434 concorrentes de 62 municípios, 4 agricultores foram selecionados entre os 10 melhores.
E para nossa satisfação, como pés-vermelhos e já referenciados no passado como a Capital Mundial do Café, os dois primeiros colocados foram agricultores do nosso Município, tornando-nos assim a ''Capital do Café Qualidade do Paraná''.
Foram premiados no último dia 24 durante evento realizado em Curitiba, em primeiro lugar e sr. Gonçalo Marques Pereira; em segundo o sr. Paulo Alceu Bessa, ambos da Comunidade Água da Limeira, ficando ainda o sr. Jesus Paulo e Silva da Comunidade Laraje Azeda em quarto lugar, além do sr. Aithi Takashi, também da Água da Limeira do Distrito de Lerroville que classificou-se em nono lugar.
Certamente que Londrina agradece o presente e não poderia ser diferente de nossa parte e com certeza de toda sociedade londrinense. Mesmo diante de uma conjuntura cafeeira pouco favorável nos últimos anos, vimos estes valorosos agricultores elevando o nome de Londrina no lugar mais alto do pódio e destacando-se não só no Paraná e Brasil, mas no mundo todo, devido ao processo de comercialização de Café que ocorre nas bolsas de cereais e mercadorias, o que nos enche de orgulho, principalmente pelo fato de ser o café ''o ouro verde'' que fez originar esta bela cidade.
Um fato importante destes agricultores é que estão em fase de conversão, saindo do sistema convencional onde eram usados adubos químicos e defensivos agrícolas para o sistema orgânico, dando assim um novo ingrediente na forma de cultivar o Café, que com certeza será referência para outros agricultores do Paraná e do Brasil.
Já fomos o maior produtor do mundo, chegando a uma área de quase 40 mil hectares e uma produção de aproximadamente um milhão de sacas beneficiadas no ano de 1959. Mesmo hoje com uma área de 4.800 hectares e uma produção de 120 mil sacas beneficiadas no ano, Londrina ainda é um dos principais produtores do Paraná, pensando em quantidade, porém em qualidade, Londrina pode gritar ''é, campeã''. E viva aos nossos agricultores.
NILSON ROBERTO LADEIA CARVALHO é engenheiro agrônomo e secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina





