ESPAÇO ABERTO
Ainda vamos vencer esta luta
Elza Correia
O 25 de novembro foi declarado Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher no ''I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe'' (Bogotá, Colômbia, 1981) em memória das ativistas políticas conhecidas como irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujilo (República Dominicana). Em março de 1999, a data foi reconhecida pelas Nações Unidas como ''Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher''.
Este é um marco importante para toda sociedade democrática que caminha rumo à equidade social, econômica, cultural e de gênero. Dia para refletirmos, discutirmos, tornarmos pública esta mazela que ainda carregamos. A violência contra a mulher é uma violação dos Direitos Humanos e liberdades fundamentais, cometida contra mulheres de diferentes raças, etnias, religiões, escolaridade e classes sociais.
De acordo com a pesquisa ''A mulher brasileira nos espaços públicos e privados'', realizada pela Fundação Perseu Abramo, estima-se que 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano no Brasil, sendo: 175 mil por mês, 5,8 mil por dia, 243 por hora, 4 por minuto, uma a cada 15 segundos. A maioria dos casos (quase 80%) é de violência doméstica e sexual.
Desde a década de 70, o movimento de mulheres vem priorizando o combate à violência de gênero. Este tem sido um trabalho contínuo e que exige vigilância constante. Cada passo dado à frente requer que fiquemos atentas para não voltarmos à estaca zero. Nada é garantido nesta luta. Inúmeras vezes vemos arrancadas as sementes plantadas por nós. Não esmorecemos, replantamos cada uma delas.
É esta persistência que hoje nos permite colher alguns importantes frutos, como ver o governo federal e muitos governos estaduais e municipais se comprometendo com a luta pela eliminação da violência contra a mulher. Este é, sem dúvida, um importante avanço.
O Conselho Estadual da Mulher do Paraná é um exemplo deste compromisso do governo do nosso estado. Estamos trabalhando pela organização de serviços e fluxos sistematizados para atenção global das diferentes demandas (saúde, proteção social e jurídica) e para intervenções tanto na área da prevenção, quanto na área da assistência; para assegurar acesso aos serviços jurídicos gratuitos ou de baixo custo e à assistência jurídica básica, incluindo ainda a criação de núcleos de defensoria pública específicos para mulheres; pela ampliação das Delegacias de Atendimento Especializado e os Centros de Referência para atendimento às mulheres em situação de violência. Estes são apenas alguns dos nossos trabalhos mais emergenciais na Luta pela Eliminação da Violência contra a Mulher!
ELZA CORREIA é presidente do Conselho Estadual da Mulher do Paraná e deputada estadual pelo PMDB
Aceitar o indesejável e despachá-lo
Walmor Macarini
Quanto mais resistimos mentalmente a uma coisa desagradável, mais a atraímos, porque ficamos intimamente ligados a ela, e assim haverá dificuldade de afastá-la. Devemos aceitar essa coisa como algo que está ajudando nossa experiência de vida, e em seguida descartá-la, remetendo-a em direção ao cosmos, para que se dilua. Devemos abraçar os nossos temores, os nossos ódios, as nossas angústias, enfim todas as coisas que não desejamos, e a seguir purificá-las com nosso sentimento de amor porque elas nos pertencem como se fossem membros do nosso corpo e entregá-las ao universo para que as absorva.
Tudo o que de desagradável nos aconteça deve ser aceito, abençoado como um instrumento de melhoria que nos chega, e em seguida mandá-lo embora. Resistir será permanecer sintonizado com essa coisa ruim, e ela não se afasta porque a estamos segurando. Manter um ódio contínuo é absorvê-lo e assim ele se mantém vinculado ao nosso campo áurico. Mas se o reconhecermos como existente, o abraçarmos como uma oportunidade de purificação, o abençoarmos e em seguida o mandarmos embora, ele irá. Ocorre que costumamos praguejar nossos infortúnios, tropeços e medos, e assim eles se tornam nossos inimigos íntimos, porque não estamos desejando nos livrar deles mas prendendo-os, pela reação. Reação sistemática é uma forma de atração.
Sim, há coisas muitíssimo desagradáveis, como algo trágico que nos ocorra, mas ainda assim, envolvidos em dor, devemos abraçar o acontecimento e ter a necessária força para aceitá-lo, abraçá-lo como se fosse uma criança amedrontada em nós, e ir lançando-o para o espaço. Não se pode afirmar que esta é uma missão fácil, mas se optarmos pelo inconformismo e pela revolta, usamos de idêntico esforço, só que prejudicial, e assim sofremos mais. Iremos gastar a mesma energia se invertemos posições. Devemos nessas horas e em todas as horas solicitar ajuda dos mestres dos planos elevados, e se nós nos ajudarmos, eles nos ajudarão. Mais difícil será se não permitirmos a aproximação deles para que nos auxiliem.
Temos de saber que esses nossos bons amigos que estão tão próximos que chegamos a senti-los agem segundo a mesma lei do livre arbítrio e não interferem em nossas decisões, a menos que lhes pedimos e os autorizamos. Mas, mesmo assim, devemos fazer a nossa parte uma delas não lhes transferir a incumbência de fazer as coisas por nós, mas acionar nossa própria força, que atua na mesma consonância que a força deles. Temos de nos crer com esse poder, e assim criamos a sinergia, que é a união da força em nós e a força cósmica, que é a mesma e move todo o Universo.
A magia de encararmos de frente nossos infortúnios, aceitá-los, abraçá-los e abençoá-los com o fluido de nosso amor incondicional e mandá-los embora, é um dos caminhos para os milagres aquilo que imaginamos como sobrenatural, mas que na verdade pode ser comum. A carga que se gastará com esses procedimentos é menor na verdade fórmulas de bem administrar a vida do que a que gastamos com a emanação de palavras e sentimentos raivosos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





