Celso Furtado, um brasileiro
Marco Antonio Rossi

Celso Furtado faleceu no último sábado pela manhã aos 84 anos de idade. Sua vida voltou-se por completo à interpretação do Brasil, de seus caminhos e desventuras.
O autor de Formação Econômica do Brasil (1959), muito provavelmente um dos mais importantes e pertinentes textos sobre as características estruturais da economia, da produção e da sociedade nacionais, foi vítima de um infarto fulminante. Ao lado de Rosa Furtado, esposa e companheira de tantas batalhas, professor Celso Furtado tombou e não se pronunciou mais. O último gesto de mestre Furtado foi, pois, a revelação de que era um homem de coração frágil. Sua fragilidade, entretanto, era a de uma evidência maior: seu coração persistiu por toda a vida como fonte de sua extrema generosidade humana e intelectual.
Paraibano de nascença, Furtado logo se elevou à condição de cidadão brasileiro, homem de visão universalista, vocação humanista. Ao longo de uma vida profissional de mais de meio século, escreveu pelo menos trinta grandes obras, foi professor dos mais importantes meios acadêmicos do mundo, consagrou-se ministro de Estado em momentos tão diversos da vida política brasileira. Como economista, rejeitou a sandice dos números frios, das taxas e variações de índices de investimentos, déficit e superávit. Ocupou-se, de outro modo, com uma ciência econômica mais abrangente, entrecortada por análises sociais e culturais, referendando a questão política e a perversão do capitalismo periférico e subordinado do Brasil em face das grandes e centrais potências do mundo capitalista moderno.
Mestre Celso Furtado foi um cientista em plenitude que valorizava as pessoas, a luta por trabalho, renda e dignidade. Mais do que um economista de tabelas e pranchetas, o autor de ''Os Desafios da Nova Geração'' (seu último texto, publicado em maio passado) era um intelectual em movimento, sempre disposto a compreender as transformações em turbilhão que se processam a toda a hora nas realidades nacional e mundial.
A generosidade do coração de Celso Furtado se resumia na síntese que fazia de sua própria vida, que era, na verdade, a busca por um sonho. Furtado costumava dizer: ''Meu sonho é compreender o Brasil e, dentro de minhas modestas possibilidades, contribuir para transformá-lo em prol dos mais pobres, dos mais humildes.'' Num tempo marcado pela fragmentação do poder e do saber, pelo imediatismo da vida humana, pela crença no fim da história e da esperança por projetos humanos que possam servir à construção de um mundo humano de sujeitos livres, iguais e fraternos, a ausência de mestre Furtado será sempre doída. Resta-me acalentar-me no desejo de que sua generosidade contraste com a frugalidade desta nossa líquida modernidade, em que nada de efetivamente público e coletivo adquire consistentes e consequentes formas. Sentiremos sua falta, Mestre Imortal!
MARCO ANTONIO ROSSI é sociólogo e professor na Facnopar, em Apucarana, e na Metropolitana/Iesb, em Londrina

É preciso escolher os melhores
José Joaquim Martins Ribeiro

Faltando pouco mais de um mês para iniciar um novo mandato, o prefeito Nedson Micheleti já deve estar pensando no seu novo secretariado. Nós da sociedade civil também. E estamos preocupados. Os primeiros quatro anos da administração petista, como todos sabem, não foram lá uma maravilha. Em muitos setores houve uma inércia irritante. Secretários despreparados para exercer a função; falta de dinamismo; de uma visão macro da cidade. A equipe atual parece não falar a mesma língua e peca ao não ouvir a sociedade organizada nos projetos de relevância.
É certo que alguns problemas pontuais foram resolvidos, mas Londrina está longe, muito longe de estar no caminho do desenvolvimento. E, pelo que se viu das propostas apresentadas na campanha eleitoral, as perspectivas não são muito animadoras. O que mais parece faltar à equipe atual é arrojo. Em toda atividade profissional, para se obter sucesso, é preciso arrojo. Na administração pública não é diferente. Sem arrojo não se chega a lugar algum. Não basta, porém, que apenas o prefeito seja arrojado, é necessário que a equipe de administração também o seja.
Todos sabemos que, para vencer uma eleição, ainda mais uma eleição complicada como a de Londrina, os partidos fazem acordos e nesses acordos geralmente cargos são loteados. Não há um pacto pelo desenvolvimento. Funções que deveriam ser exercidas pelos mais qualificados acabam nas mãos de políticos como pagamento de acordos eleitorais. Para a cidade isso é péssimo, pois provoca amarras difíceis de serem desatadas. Nessas horas pensa-se muito mais nas composições políticas do que no bem da cidade. E, como estamos cansados de ver, quem acaba pagando a conta é a população.
É por isso que, neste momento tão importante para Londrina, gostaríamos que o prefeito Nedson Micheleti, já que está mais experiente, organize sua próxima equipe de trabalho, não pensando nas miudezas políticas, mas no bem de Londrina. A cidade não tem mais tempo a perder. Londrina precisa crescer, se desenvolver e gerar riquezas. Londrina precisa pensar grande. O prefeito reeleito tem o dever e a obrigação de buscar os melhores para acabar com o marasmo que a cidade vive. Quando há desenvolvimento, todos se beneficiam.
JOSÉ JOAQUIM MARTINS RIBEIRO é presidente do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços de Londrina

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