ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de novembro de 2004
Abraham Shapiro 
A saúde de sua empresa
Dificilmente há um tema mais penetrante em empresas excelentes do que o respeito pelo ser humano. Chega a tal ponto que, hoje em dia, uma empresa bem sucedida pode ser definida como aquela que trata as pessoas com respeito e dignidade. Manipular pessoas deixou de ser um meio fácil de se alcançar sucesso duradouro.
Empresários de resultados notáveis quase universalmente têm um tremendo senso de respeito e apreciação pelas pessoas. Eles mantêm senso de equipe, de interesse comum e unidade. Seus planos se baseiam na certeza de que podem alcançar maravilhas através do engajamento e comprometimento do elemento humano. De fato, o caminho único para o sucesso parte, sempre, da formação de uma equipe. Saber trabalhar junto dela, coordená-la, liderá-la é o grande segredo.
Relatórios de especialistas em Comportamento Organizacional mostraram que as empresas japonesas que alcançaram crescimento miraculoso em curto espaço de tempo tinham como diferencial o fato de diretores e trabalhadores fazerem suas refeições em um mesmo refeitório. Este insignificante detalhe - até então proibido no modelo ocidental de gestão de relacionamentos in company - facilitava o entrosamento para avaliar desempenhos, permitia a troca de visões e idéias práticas quanto a situações emergentes e imprescindíveis.
Por todos estes motivos, reconhecer o valor do ser humano continua a ser o maior de todos os desafios da empresa moderna. Tal como ocorre com muitas crenças, esta também é muito fácil de ser aceita, mas não tão simples de ser adotada. Concordar com a idéia de tratar as pessoas com respeito e dignidade - sejam os da família ou colegas de trabalho - já está embutido na intenção de todos. Colocar em prática, contudo, exige mais do que simples intenção.
De qualquer forma, quem quiser sobreviver, terá que dar um passo inicial em direção à mudança. Qual é o ponto de partida? O conhecimento das pessoas, de suas expectativas, seus desejos, buscas, perspectiva de vida e motivações pode ser um ótimo princípio. Nada que um bom especialista não consiga determinar em poucos minutos de entrevista.
Tomemos por base uma empresa cujos resultados dependem de atendimento ao público - uma farmácia, por exemplo. Por melhores que sejam os salários, a variedade de produtos, os gastos com propaganda e tudo o mais, o sucesso ou o fracasso de cada venda será determinado pelo bom ou mau estado do atendente no balcão. Todo o esforço - os milhares de reais investidos - para levar um potencial cliente até o interior da loja ficam seriamente comprometidos pela relação final ''atendente-cliente''. Ou seja, estamos falando de pessoas.
Neste exato momento, muitos negócios avaliados como perfeitos sob a ótica administrativa de custos, produto, oferta, demanda, marketing, posicionamento de marca, design gráfico, etc, podem estar em queda livre rumo à ruína total pela simples indiferença de seus dirigentes quanto ao verdadeiro papel do elemento humano na empresa.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor na área de Comportamento Organizacional em Londrina
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