Um banho de sabedoria
Gilberto Jordão

Os deuses, os salvadores da pátria, os milagreiros e os carrancudos tiveram seus ideais testados nesse último dia 31 de outubro de 2004 e foram reprovados, em sua grande maioria. Eles esqueceram que o ser humano é a única espécie que se interroga sobre os fatos e atos cometidos por outrem. Nossa espécie não foi feita para dizer amém a tudo, mais sim, para responder e renegar o que está errado. Isso aconteceu como as propostas demagógicas feitas por quem perdeu as eleições. Os derrotados foram aqueles em que os pré-requisitos estabelecidos não atenderam nossos anseios, daí, portanto, a pulsação em rejeitar a arrogância e a ignorância daqueles que achavam que nós iríamos aceitar suas ''ideologias''. Sentimo-nos como as almas lavadas!
Aqueles que perderam as eleições estavam pousando de aristocratas. Mas, o que mais teve peso foram as promessas não cumpridas. Outro fato contundente, para suas derrotas, foram as adesões. Pessoas que antes eram esculachadas deram seu aval apoiando, assim, aqueles que sempre tiveram contra si o repúdio da população.
Sempre tivemos fé e sempre aprendemos que o ser humano é capaz de esperar o momento certo e correto para fazer justiça, pois sempre estamos em busca de alguém que traga uma mensagem de esperança profunda, para esse povo tão sofrido e manobrado. Os derrotados sempre se acham donos do poder e que só eles entendem e sabem das coisas. A resposta está aí! Eles não são donos dos nossos desejos, bem como dos nossos pensamentos.
O povo é um ser frágil, ameaçado, vulnerável e mortal. Mas os nossos ideais, em hipótese alguma, eles nos tirarão. Isso tudo porque temos desejos incontroláveis e um instinto poderoso, por isso foi feito justiça.
A esperança do ser humano é o que o faz participar das lutas, para uma renovação nos ideais implantados e fracassados.
Buscamos, constantemente, não apenas sobreviver, mais que isso, buscamos o prolongamento de um pensamento diferenciado em prol dos indefesos e discriminados. Não queremos idéias e/ou pensamentos faraônicos. Buscamos, com o nosso voto, pessoas inteligentes para planejar e cultivar nossos bens públicos imóveis, móveis e, principalmente, a preservação de um ideal contundente e verdadeiro.
Percebemos em nosso dia-a-dia que o ser humano está angustiado, pois ele está carente de verdadeiros líderes e não de bodes expiatórios. Por um lado sabemos que é difícil. Mas, por outro, temos nossas esperanças renovadas.
Mas, infelizmente, muitos que estão no poder não vêem dessa forma e se recusam a aceitar que a renovação é necessária e obrigatória. Nessa sua resistência, em aceitar tais reformas, o senhor do poder muitas vezes tenta enganar e camuflar os seus fracassos. Mas os cidadãos, de uma forma geral, estão atentos para fiscalizar e mudar, quando for necessário. E foi, justamente, isso o que ocorreu em vários municípios do nosso país: JUSTIÇA.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

Coordenação semafórica nas cidades brasileiras
Cristiane Biazzono Dutra

De forma geral, a interseção é o local mais complexo do sistema viário das cidades. Em nenhum outro local das vias há tantos conflitos em potencial, portanto é imprescindível estabelecer normas de controle nos cruzamentos urbanos. Os semáforos podem ser implantados em algumas interseções como forma de definição do direito de passagem entre fluxos conflitantes de veículos e pedestres.
Porém, apesar de promover a segurança e disciplinar as correntes de tráfego, os semáforos também podem gerar desconforto aos motoristas com o aumento no número de paradas, formação de filas e aumento no consumo de combustível. Para as grandes cidades, o DENATRAN estimou que 50% dos tempos de viagem e 30% do combustível são gastos em paradas nos cruzamentos semaforizados. A coordenação semafórica possibilita minimizar até 30% dos atrasos, através das defasagens apropriadas entre o início dos tempos de verde dos semáforos.
Mas por que as prefeituras não utilizam técnicas de obtenção de planos coordenados para todo o conjunto de semáforos das cidades? Apesar de vários programas de coordenação semafórica terem sido desenvolvidos nos últimos 40 anos, uma pesquisa realizada com várias cidades brasileiras demonstra que somente 13% dos municípios de médio porte entrevistados utilizam softwares específicos, 27% promovem coordenação através do procedimento manual do Diagrama Espaço-Tempo, 32% realizam repetidos ajustes locais, 10% utilizam veículos-teste na busca do melhor esquema de operação, e 18% não adotam nenhuma forma de coordenação, principalmente porque raramente contam com um profissional disponível somente para a avaliação das programações semafóricas. O município de Londrina, com uma frota registrada de aproximadamente 185 mil veículos, conta com 205 semáforos instalados (uma proporção bastante adequada para quase 10.000 cruzamentos existentes na cidade), e uma Central Computadorizada de Tráfego que controla e coordena 40 cruzamentos de quatro importantes avenidas. IPPUL e CMTU realizam gradativamente a troca dos equipamentos semafóricos eletromecânicos ainda em funcionamento na área central, para controladores eletrônicos, permitindo assim que o Instituto de Planejamento promova programações diferenciadas ao longo do dia, de acordo com a oscilação dos volumes de tráfego, aliado aos planos de coordenação entre os semáforos.
CRISTIANE BIAZZONO DUTRA é engenheira civil especialista em transportes e gerente de Trânsito do IPPUL

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