Em socorro da Educação Sexual (I)
Mary Neide Damico Figueiró

No dia 22 de setembro a matéria (Folha Cidadania) intitulada ''Sexo com naturalidade'' trouxe algumas concepções questionáveis no campo da Educação Sexual e eu pretendo elucidá-las, pois considero que é um assunto em que, tanto pais, quanto professores, estão começando a aprender e é bom que aprendam fundamentados no conhecimento científico.
Disse o psicanalista Ailton Bastos, na matéria, que ''Não tem idade para começar a falar; é quando a criança pergunta.'' Acontece que nem sempre a criança pergunta e, não perguntar, não significa que ela não tenha interesse em saber. Mesmo que não haja perguntas, os adultos devem criar e aproveitar as oportunidades para conversar sobre todas as questões que possam interessar à criança, como por exemplo, a diferença entre os sexos e de onde vêm os bebês. A forma de explicar, evidentemente, precisa ser adequada à idade e sempre pautada na verdade. É urgente começar na Educação Infantil; assumir a postura cômoda de aguardar perguntas pode implicar em sérios riscos. E, mais que falar, é preciso saber ouvir.
Segundo ponto proposto pelo psicanalista: ''Tem que falar sempre de acordo com o tamanho da pergunta. Não é para dar aula de sexualidade porque a criança pode não entender ou não estar interessada em outros aspectos''. Eu digo diferente: ''Não basta responder, é preciso conversar.'' Lógico que o educador deve ter a sensibilidade para avaliar que, em determinados momentos, é melhor restringir-se apenas à pergunta. Não se deve ter medo de ensinar além, e quem faz com a disposição interior de querer que a criança aprenda e se eduque para ser feliz, consegue envolvê-la num bate-papo agradável e motivador.
Terceiro ponto: Quando a criança está masturbando-se, ''os pais devem chamar sua atenção para outra atividade e desviá-la do que está fazendo'', afirmou Bastos. Isto pode ser recomendável, apenas, se houver outras pessoas por perto e a situação estiver gerando constrangimento. Mas se não houver, os pais podem fingir que não viram nada e, num momento oportuno, dizer que o que ela estava fazendo é bom e pode ser feito, mas deve cuidar para não fazer na frente de outras pessoas. Mesmo para a criança pequena, ter direito à Educação Sexual é ter direito não só à informação, mas também a poder vivenciar o prazer, neste caso, através da masturbação.
Será que estamos sabendo ser leitores críticos? Ou estamos assimilando acriticamente tudo que nos é dito, porque vem de uma autoridade? É bom que pais e professores recorram a boas e variadas leituras na área e valorizem o saber que a sua experiência de vida lhes proporciona.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da UEL e especialista em Educação Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana

O super-herói da sociedade
Nelson Villa Júnior

A participação comunitária no combate ao crime organizado é de crucial importância para a minimização de problemas criminais crônicos que assolam a sociedade. O tráfico de entorpecentes é um desses sérios e graves problemas. A experiência mostra que dele decorrem outros crimes como os crimes contra o patrimônio, determinados crimes contra a vida etc, além da desestruturação familiar que a dependência química ocasiona.
Como fenômeno social, o crime é resultante de fatores relevantes, como a pobreza extrema, o desemprego, a educação e outros já conhecidos, dos quais poder-se-á comentar em outra oportunidade.
Após realizada a implantação do sistema narcodenúncia - 181 - no Estado do Paraná, pudemos constatar o quão ávidas em participar ativamente do processo de segurança estavam as famílias paranaenses.
A idéia do narcodenúncia é a seguinte: um super-herói não revela sua identidade. Ele trabalha no anonimato, resolvendo crimes que ocorrem em sua comunidade. Entretanto, para levar a efeito seus objetivos, ele precisa de instrumentos eficientes. Ao ligar para o telefone 181, passando todas as informações que sabe acerca dos crimes que vêm ocorrendo em determinado lugar, o cidadão vislumbra a possibilidade de se transformar nesse herói anônimo.
A polícia, de posse de tais informações, se transforma no instrumento do qual se utilizará tal herói para solucionar o problema. A eficiência desse instrumento depende da riqueza de detalhes que possui a informação. Quanto mais informação possui a polícia, menos informações terá que levantar e, por conseguinte, a resposta será mais rápida. Ao se efetuar a prisão do criminoso o herói anônimo saberá, ''e somente ele saberá'', que quem solucionou o problema foi ele.
Em face disso, estamos colocando à disposição dos heróis da comunidade os resultados por eles atingidos no período de um ano e meio de funcionamento. Dentre outros resultados, caros heróis, vocês prenderam 96 pessoas, apreenderam 8 Kg de cocaína, 15 Kg de crack, 2 toneladas de maconha, 983 bolinhas de haxixe, 1.614 pedras de crack e 495 papelotes de cocaína. Esses resultados, pasmem os senhores, são os obtidos só no Norte do Paraná!
Esse quadro demonstrativo é um bom motivo para que se possa enaltecer a feliz união da comunidade com as polícias no combate ao crime. Ademais, é uma excelente oportunidade para se parabenizar os heróis anônimos que nossa sociedade possui, mostrando ainda para você, cidadão, que sua participação é de indispensável importância para a polícia.
NELSON VILLA JUNIOR é primeiro-tenente da Polícia Militar em Londrina e coordenador regional do narcodenúncia

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