ESPAÇO ABERTO
Futuro que não virá
Christian Steagall-Condé
A jornalista Ruth Bolognese, em sua coluna de domingo na Folha, fez mais pela história e registro da polis londrinense do que muitos de nós londrinenses. Talvez, beneficiada não apenas pelo seu nada superficial conhecimento sobre as tessituras políticas do nosso instigante ''Terceiro Planalto'', mas também pelo seu ''olhar de estrangeira'' que a articulista nos brindou há pouco com rara concisão, sem esquecer uma certa mordacidade aliviante em sua pena, ante à terrível constatação de que, sim, a escumalha não lê jornal e ficamos nós, aqui, entre um bom expresso e outro, lamentando pelo potencial retorno de um infeliz que desgraçou a cidade num passado que ainda nos espreita, qual ameaça que supunhamos extinta, mas que está logo ali, num ontem recente demais para ser esquecido e, a julgar pelos apoios condicionais de seus comparsas, distante demais para ser lembrado.
Dizem que cada cidade tem seu governante que merece e o infeliz, parece, está aí para confirmar, com acinte grosseiro e conveniente vitimalismo, o triste adágio. Ainda nos bancos da escola, estudávamos com nossos interessados mestres uma forma de apropriação pública do leito da ferrovia, então, erradicada para uma alça externa, tão discreta em sua nova sinuosidade, que até hoje conheço muita gente daqui que se espanta genuinamente ante a constatação que temos dezenas de trens circulando todos os dias pela cidade. Com o arranque dos trilhos do Centro, dentro dos exercícios intelectuais das aulas, destacamos um fantástico vetor urbanístico liberado para uso público, onde sua preservação para o futuro, até decidirmos melhor o que fazer com tal patrimônio, impunha cautela.
Foi só cochilarmos, o pseudocidadão senta-se com a Petrobras e negocia um comodato cinquentenário pela troca de milhares de litros de combustível já queimados no deslocar diário da frota municipal à época e o que temos no hoje? O combustível virou fumaça, um monte de postos Petrobras falidos e outros a caminho da bancarrota, plantados em bom concreto em cima da grama, destruindo a já bastante judiada paisagem urbana e estorvando os canteiros centrais da Avenida Leste-Oeste. Até parece que é algo que não nos atinge, devido ao tema e a geografia dos acontecimentos. Mas tudo é uma questão de método, aliás, adjetivo necessário até para demandas municipais como as inocentes capinas & roçagens.
Como o Altíssimo anda muito ocupado com o surgimento de novas seitas e suas desenfreadas conversões no atacado das televisões bem como na manutenção mais relax das que já existiam, infiro que não possa me ouvir sussurando, mas, vá lá: ''Senhor, dai só uma olhadinha por nós nessa eleição, que a coisa está muito esquisita aqui em Londrina, que fica bem ali no Norte do Paraná, Brasil, lembra?! ''. Nessas horas críticas, porém, sugiro deixar a fé um pouquinho de lado e trabalharmos como pudermos pelo futuro da cidade, para quem gosta de Londrina. O resto, é embromação da grossa.
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ é arquiteto em Londrina
O voto e o povo como quarto poder
Eliana de Oliveira Trindade
É necessário que o cidadão tenha consciência de seu voto, ele é muito valioso. Um dos maiores problemas brasileiros é a pobreza, e esta significa a degradação não apenas do pobre, mas da nação inteira. Aglomerada nas grandes cidades, ela compõe o submundo emergindo o contraste entre os luxuosos bairros e as favelas que mantêm suas próprias leis. Porém, não há só tristeza e desespero, há esperança, o imediatismo de quem não tem muito a planejar para o futuro, faz das pequenas coisas, grandes prazeres, como se vencessem a desgraça. No Brasil pode-se afirmar que existe participação política da massa e vem aumentando gradativamente, organizando-se em grupos, formando sindicatos e associações, principalmente nas eleições.
São os habitantes das periferias que influem nas escolhas políticas através do peso numérico de seu voto. Existem informações que pesam, distorções e manipulações por meios de comunicação e a influência da classe média através de seu papel de formação de opinião pública. Porém, não é culpa apenas da ignorância das massas. Existe o fato dos dirigentes apresentarem características como corrupção, nepotismo, inconsistência ideológica, ausência de visão do bem comum, demagogia e oportunismo. No Brasil o exercício do poder público quase sempre traduz incompetência crônica conjunta com a malandragem, almejando muito mais as glórias do poder do que o ônus da responsabilidade.
Os políticos só são vistos em ocasiões importantes. A época mais privilegiada da proximidade entre o povo e os ''mercadores de esperança'' são nas campanhas eleitorais, quando persuasivos candidatos incluem nos seus roteiros a periferia com promessas e favores na difícil caça aos votos. Não só as promessas conquistam o voto, o cidadão busca a identificação com o candidato e através de um discurso que ressalte a diferença entre ricos e pobres, clamando por justiça contra os que estiverem no poder, ganhando a simpatia do eleitor. Hoje, com raras exceções, o político está mais para realizar seus próprios desejos do que fazer algo concreto pelo povo. Sendo assim, o cidadão deve buscar o melhor candidato, verificando o seu passado e o que está prometendo, que ele tenha o comprometimento de fazer realmente algo pelo povo, é vergonhoso ''ele rouba, mas faz''.
O voto mais importante é o Legislativo. O Executivo apenas cumpre normas, administra e executa as leis. O Legislativo fiscaliza, cobra, autoriza orçamentos, faz leis municipais. O povo deve sentir o peso de seu voto e se orgulhar da escolha certa. É o momento o ''povo é o quarto poder'' e está em suas mãos quem vai governar ou legislar.
ELIANA DE OLIVEIRA TRINDADE é estudande de Direito em Rolândia





