ESPAÇO ABERTO
7 ou 11: por que escolher?
Marilyn Laureano
Perguntei em sala de aula que feriado iríamos comemorar no mês de setembro e grande foi minha surpresa ao receber como resposta de vários alunos que era a data da queda do World Trade Center. Longe de fazer apologia às datas, corrente em desuso na História, escrevo este artigo com a intenção de propor uma séria reflexão.
Para quem sente o 11 de setembro como fato de grande importância aos brasileiros, pense bem e responda: se você não perdeu nenhum familiar ou amigo por que valorizar o fato como parte da história do Brasil? Uma vez que o governo americano está atacando e destruindo a soberania de muitos povos no Oriente Médio desde pelo menos 1945, com a criação do Estado de Israel, e nunca a mídia foi utilizada para se referir aos ''estadunidenses'' como terroristas.
Muito bem, mas se você optou pelo 7 de setembro não se decepcione, apresento novos horizontes à recuperação da auto-estima do nosso povo: continue confiante, em cada brasileiro esperançoso reside nossa salvação!
Para darmos valor à nossa pátria não precisamos acreditar em heróis sanguinários. De acordo com Tales Alvarenga, em sua coluna na revista Veja, não nos esqueçamos de que são fruto de ''manipulações que extirpam suas imperfeições para transformá-los em objetos de culto''. Ao redor desta crença levantam-se nações dispostas a matar ou morrer por suas pátrias. Mas, e quando não estamos em guerra como nos valorizamos enquanto brasileiros?
Talvez não tenha ocorrido o grito fatídico às margens do Rio Ipiranga com toda pompa retratada por Pedro Américo ou com toda a glória do Hino Nacional. O fato é que ele ocorreu e assim nasceu a nação Brasil.
Nossos ancestrais escolheram ''entre outras mil... tu Brasil, pátria amada'' (não se esqueça de que se você não for descendente de índios e negros, seus ancestrais escolheram o Brasil para viver).
Pátria amada, por orgulho às raízes de profunda integração cultural, pela mistura étnica ocorrida historicamente - através de dominações, é claro. No entanto, não utilizemos a história como objeto de vingança ou remorso. O tempo cura mágoas, já que diretamente, não as criamos.
Estamos aqui para celebrar a paz e o convívio fraterno entre culturas. Temos, sim, racismo em demasia em nossa sociedade - resquícios da dita dominação. Estas chagas e outras se apagarão, não quando formos brasileiros que choram ao ouvir o hino dispostos a lutar em armas pela pátria, mas, quando formos capazes de amar incondicionalmente nosso próximo acima de qualquer nacionalidade. Afinal, pertencemos à raça humana e a nossa pátria deve ser o planeta Terra.
MARILYN LAUREANO é professora de História em Londrina
A maior deficiência é o preconceito
Claudinê de Oliveira
As pessoas especiais ou portadoras de alguma deficiência não conhecem limites porque elas estão sempre em busca da superação por compreenderem muito bem que para elas as dificuldades nunca terminam. O querer torna-se uma obstinação, um poder que não enxerga obstáculos. Alguém já disse que o querer é sempre uma conquista individual, pois não se pode querer pelos outros.
É a sociedade que cria o maior obstáculo: o preconceito em relação a essas pessoas. Somos nós, seres ditos normais, os primeiros a impor a elas as maiores limitações. O fato de portar óculos não significa dizer que eu não consigo enxergar. Tenho sim uma deficiência, sem óculos, mas com ele, torno-me uma pessoa absolutamente normal, no entanto, em razão de usá-lo, as pessoas pensam de forma diferente, donde nasce o preconceito.
Outro dia, fui a uma loja, e enquanto aguardava para pagar a mercadoria, chamou-me a atenção uma funcionária que prestava um atendimento fantástico aos clientes. Ela não tinha a mão esquerda, mas era a mais eficiente de todas as atendentes. Era a única a dar atenção geral. Ao mesmo tempo em que desempenhava sua tarefa, olhava para todos, sorria com alegria e simpatia e pedia só mais um pouquinho de paciência, enquanto as outras colegas, cabisbaixas, sisudas, limitavam-se a atender friamente àqueles que ali estavam. Nesse contexto, via-se claramente, que a limitação estava justamente na outras e não nela.
A sociedade como um todo precisa tomar consciência dessa realidade e mudar as formas de ver e pensar em relação às pessoas portadoras de deficiência, principalmente esse sentimento absurdo de piedade, porque não é disso que necessitam. Para iniciar-se um processo de mudança é necessário, primeiramente, ter sensibilidade, que é o primeiro estágio anterior à conscientização.
Na Europa, essa sensibilidade antecede à conscientização, porque é um continente que já passou por 2 guerras e aprendeu a viver e a preocupar-se com pessoas mutiladas e que precisam ser reinseridas na sociedade e tratadas com naturalidade. Se observarmos atentamente, veremos que tragédias que deixam pessoas ''paraplégicas'' ou ''tetraplégicas'' são, na sua imensa maioria, acontecimentos modernos, resultados de acidentes automobilísticos, violência urbana, esportes radicais ou outras imprudências praticadas geralmente por pessoas mais jovens.
O livro intitulado ''A felicidade das borboletas'' conta a história de uma criança cega que gostaria que todos pudessem enxergar como ela: com o coração. É assim mesmo, porque o amor não vê com os olhos, vê com a alma. O coração é o órgão da fé, o órgão da esperança, o órgão do ideal. Homens tornam-se homens pela inteligência, mas só são homens pelo coração.
CLAUDINÊ DE OLIVEIRA é auditor fiscal em Apucarana e ex-delegado da Receita Estadual de Londrina





