A educação para o magistério é um problema mal resolvido em todos os países, inclusive em alguns mais avançados. As metodologias correntemente empregadas no Brasil para esse vital treinamento são ainda convencionais, isto é, com pouquíssimas inovações ao longo dos anos. Acompanhando o trabalho didático repercutido nas tarefas, lições e práticas extracurriculares das minhas filhas (8 e 5 séries) percebo que seus professores estão ainda praticando as mesmas velhas ortodoxias.
Percebo haver muitas metodologias de ensino moderno mal assimiladas e outras insuficientemente praticadas, que acabam por desmerecer verdadeiras vocações de professores e obstaculizar potenciais de alunos. Qualidade de ensino faz uma grande diferença. Estudiosos dizem que de 30% a 60% da diferença no desempenho do aluno é explicada pela diferença nas habilidades didáticas do professor.
Um problema oriundo é que alunos com baixo desempenho expostos a um ensino de baixa qualidade desempenham cada vez pior; os de médio desempenho não crescem; e os de alto desempenho não melhoram. Parece haver uma simbiose entre qualidade de aprendizagem e qualidade de ensino, independentemente da qualidade das instalações.
Outro problema é que professores insuficientemente treinados para o importante ofício criam seus próprios estilos de ensinar e resistem a mudanças que possam modificar esses estilos pessoais. Quanto mais maduros mais resistentes. Os cursos de aperfeiçoamento para eles quase nada mudam.
Além disso, não há um padrão claro para qualidade de ensino. A única medida de qualidade é o resultado de vestibular 10 anos depois do primeiro ano escolar. Porém, as questões de vestibular poucas vezes são diretamente conectadas com o ensino que o aluno recebeu e são naturalmente arbitrariamente construídas.
Por isso, o ensino orientado para o vestibular tende a ficar, mesmo para os melhores professores, desconexo, confuso e difuso, principalmente no que tange à matemática e ao português. Reconhecidamente, essas disciplinas são o nó górdio de qualquer vestibular.
Finalmente, o problema mais grave é que as escolas assumem que os seus professores são igualmente preparados para ensinar com qualidade, quando estes passam pelos requisitos de suas contratações. A prática e alunos sugerem que isso não é assim. Alguns professores têm dificuldades com gerência de classe e outros não conseguem explicar bem todos os tópicos de suas disciplinas. Falta-lhes adequado conhecimento do conteúdo delas?
Ensinar com qualidade é uma habilidade que deve ser aprendida e praticada, testada e definida, antes de se começar a ensinar de verdade. Quantos começam essa etapa profissional sem ter tido qualquer supervisão de treinamento? Para fugir das sufocantes ortodoxias didáticas, colégios e escolas precisam conter o ímpeto para construção de suntuosas instalações e passarem a construir seu capital intelectual.
ALEXANDRE DO ESPÍRITO SANTO é professor em Londrina

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