ESPAÇO ABERTO
ABCR defende transparência
João Chiminazzo Neto
Em atenção ao editorial publicado na última sexta-feira nesta Folha, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) achou por bem esclarecer alguns pontos. É preciso antes, elogiar a conduta deste jornal ao cobrar pela prestação de contas de serviços outorgados pelo poder público à iniciativa privada, como é o caso do programa de concessão de rodovias no Paraná. Esse é o papel de uma imprensa isenta.
Apesar de o editorial passar uma idéia contrária, as concessionárias de rodovias entendem que tão importante quanto o respeito aos contratos é a transparência que deve envolver as relações contratuais. Por isso as empresas defendem que os órgãos governamentais mantenham a fiscalização constante sobre os serviços prestados à população, bem como a contínua apresentação dos dados que envolvem o setor.
As concessionárias de rodovias, além de cumprirem seus contratos, sempre divulgaram seus relatórios. Lembramos também que o setor foi objeto de CPI na Assembléia Legislativa, que nada de irregular constatou ao longo do minucioso processo de investigação.
O sistema de rodovias pedagiadas, considerado pelo editorial como ''uma mina de ouro'' é tido no país e no mundo como a solução mais viável para atender as demandas por investimentos nas estradas. Os governos, com escassos recursos, buscam com as concessões desonerar os cofres públicos desses gastos para ter fôlego financeiro e fazer frente às necessidades de investimentos na área social como saúde, educação e habitação.
No Paraná, desde a implantação do programa, as concessionárias investiram pesado na recuperação, melhoria e ampliação da malha concedida. Foram realizados 183 quilômetros de duplicação, 1.440 de restauração, 159 de terceiras faixas, 1.800 de recuperação/implantação de acostamentos e 42 passarelas. Foram construídos os viadutos Rui Barbosa, o contorno de Ibiporã, entre outras obras. Não reconhecer tais realizações é, no mínimo, negar a realidade. Mesmo aqueles que são contrários ao conceito de rodovias auto-sustentáveis deveriam expor esses avanços ao conhecimento público, especialmente às pessoas que não utilizam as rodovias, uma vez que os usuários conhecem o desenvolvimento alcançado pelo setor rodoviário no estado.
Desde 1998, as concessionárias investiram mais de R$ 1 bilhão. Em 2003, as receitas do pedágio foram de R$ 502,5 milhões. Descontadas as despesas operacionais e pagamento de impostos, que totalizaram R$ 413 mil, e os investimentos do ano que somaram R$ 173 milhões, as empresas tiveram um déficit de R$ 83,6 milhões. É assim, com uma conduta baseada na transparência e na seriedade do cumprimento dos contratos, que as concessionárias de rodovias do Paraná e do Brasil ajudaram o país a encontrar o caminho para o desenvolvimento econômico e social.
JOÃO CHIMINAZZO NETO é diretor da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR-PR)
Tempo imobiliza experiência
Alexandre do Espírito Santo
Neste final de semana examinei os perfis de meia dúzia dos candidatos a prefeito de Londrina. Com exceção de dois deles, considerei-os envelhecidos ou obesos ou desgastados pela experiência. Rodas enferrujam e rangem quando viram após muito uso. E, se forem levadas a altas velocidades, frequentemente quebram antes de chegar.
Essa é uma velha teoria com algum apelo intuitivo, que foi codificada como a Segunda Lei da Termodinâmica. Mas, o organismo vivo não está sujeito às mesmas restrições dos inanimados. Ele é capaz de auto-regeneração até um certo ponto. Entretanto, pessoas não têm o sistema de regeneração completo e robusto como o de uma estrela-do-mar. Entretanto, a evolução nos deu um sistema de manutenção e reparo que, apesar de ser bastante eficiente, se recusa a empregá-lo para manter o nosso corpo num estado de máximo desempenho.
O fato é que, mesmo sem as agressões comuns ao corpo que todos praticamos, especialmente políticos profissionais (dieta de carboidratos, estresse, correria, nervosismo e desequilíbrio emocional) o envelhecimento com as suas consequências chega a cavalo na vida de todos nós: perda de memória episódica (esquecemos o que acabamos de fazer ou dizer), rápida degenerescência celular (propensão a doenças), busca de síntese e de definições sobre assuntos complexos e pressa em acabar o que começou ontem. A energia se esvai com qualquer pequeno esforço físico.
Povo quando vota desconhece os efeitos da obsolescência da pessoa no político. Não apenas nos desgastamos como um velha máquina, como somos planejados para falhar após algum tempo de muitas experiências. A vida útil tem sido prolongada pela higiene, nutrição e avanços médicos, mas nenhum desses nos faz melhores quando envelhecemos.
Quando envelhecemos e nos desgastamos perdemos partes da visão e da audição; nossos ossos se tornam mais frágeis; o sistema imunológico não mais combate bactérias como pneumonia; o sistema cardiovascular, o cérebro e a habilidade de regenerar rapidamente comprometem nossa estamina em qualquer esforço maior. E assim, o político que estamos elegendo pode ser muito menos competente que aquele em quem votamos no passado.
ALEXANDRE DO ESPÍRITO SANTO é professor PhD em metodologia de pesquisa científica em Londrina





