ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de julho de 2004
Sônia Regina Faustino 
De nada adianta assegurar-se, em tese, igualdade de oportunidades, se o próprio sistema, que se diz democrático, segrega na origem pessoas com potencial e talento, visto que só tem acesso à melhor escola, a elite. Este tipo de segregação é a mais perversa, visto que muitas vezes leva aos medíocres todas as oportunidades possíveis, enquanto obstaculiza o desenvolvimento daqueles que realmente têm o talento, mas não têm dinheiro para frequentar as melhores escolas.
Na verdade é perigoso para a democracia o próprio processo que lhe é intrínseco, pois o que existe hoje no Brasil é apenas uma democracia velada, negando a sua própria essência.
Vemos isto ainda, mais claramente, no que diz respeito aos direitos básicos das pessoas principalmente pela elitização da saúde e da educação, direitos estes fundamentais para uma sociedade que se diz democrática. Só teremos a verdadeira democracia quando houver igualdade de oportunidades, indistintamente, para as diferentes classes sociais.
Regra geral, a igualdade perante a lei é garantida através de princípios consagrados em todas as constituições modernas, bem como na nossa Carta Magna em seu artigo 5º.
A verdadeira democracia pregada por Cristo há 2004 anos, ainda não é esta que vivemos, temos apenas uma caricatura de democracia. E, em um país que se diz democrático como o Brasil, é inconcebível que se trate o pobre e o rico diferentemente em termos de educação e de saúde. Os seres humanos devem ser tratados e atendidos igualmente, caso contrário estaremos alimentando a luta entre classes, com consequências futuras imprevisíveis.
Atentemos para o gravíssimo fato de que por conta de tantas necessidades desatendidas, o Brasil vê anualmente mais de 50 mil dos seus filhos serem assassinados, o que corresponde a uma guerra civil aqui instalada e que todos fazem questão de ignorar. Se não começarmos a mudar, de verdade, esse aspecto fundamental, poderemos entrar em um processo autofágico e sermos devorados pelo próprio monstro que criamos.
O mais incrível, é que somos cristãos em nossa grande maioria e as nossas ações políticas e religiosas não estão atendendo aos anseios do nosso Cristo, que foi o criador da democracia moderna ao criar o cristianismo.
O Nazareno começou na Judéia o processo de democratização do mundo contemporâneo, pregando a igualdade e a fraternidade entre os homens, porque certo de que todos somos filhos de Deus. Assim sendo, está mais do que na ora de atacarmos e ferirmos de morte essa democracia velada e instalarmos entre nós a verdadeira democracia, que é aquela pregada pelo Cristo e a única detentora da justiça.
SÔNIA REGINA FAUSTINO é advogada e corretora de imóveis em Londrina
* Os artigos para o Espaço Aberto devem ter, no máximo, 28 linhas e podem ser encaminhados pelo e-mail [email protected]. Textos acima dessa medida não poderão ser divulgados. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal.


