ESPAÇO ABERTO
Removamos todas as muralhas do mundo
Efraim Fishel Fishman
Todos têm ouvido falar sobre o muro que os israelenses estão levantando para se protegerem do terrorismo. Foi condenado pela ONU semana passada. Você sabia que existem outras barreiras e muros construídos por motivos muito menores fora de Israel? Alguns até em países membros das Nações Unidas?
Comecemos com a que se encontra entre o México e os Estados Unidos. Não há necessidade alguma deste muro, já que os milhões de mexicanos ilegais nos Estados Unidos não perpetram ataques suicidas nos bares, ônibus e casamentos de americanos.
Um muro entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul sem nenhuma razão, já que as duas Coréias sustentam os mesmos sistemas democráticos.
Um muro na Europa? Será verdade? Por que se eles vivem em paz? O muro entre o Chipre e o território ocupado pela Turquia deveria ser desmantelado de imediato e não permanecer aberto apenas durante duas horas por dia.
Outro na Europa? Desta vez na Irlanda do Norte. Graças à inteligente política britânica, católicos e protestantes vivem em paz há séculos, não é mesmo? Deveriam derrubar esta muralha. Mas antes, seria interessante falar a respeito dela ao sr. Tony Blair que, por seus discursos, ignora a existência desta situação em Belfast.
Mais uma muralha na Europa? Sim. Construída pelos amáveis holandeses. Tem como motivo impedir imigrantes ilegais de abandonarem a zona do porto Hoek van Holland em Rotterdan. Porém, o propósito é o mesmo de toda muralha: manter as pessoas indesejáveis fora do país.
Na Europa outra vez? Não! No berço da civilização Ocidental? Será possível? No próprio país de Solana? É demais! A Espanha levantou uma cerca de alambrado, guardada por soldados, em Ceuta, na fronteira com Marrocos, para manter operários ilegais fora de seu país. O que não teriam os espanhóis construído se estes marroquinos atassem bombas a seus corpos?
Esta outra é realmente séria. Uma muralha entre dois importantíssimos países membros das Nações Unidas: Paquistão e Índia. Sem comentários!
Também na África há uma muralha eletrificada entre Botswana e Zimbabwe. Residentes próximos à fronteira entre os dois países aprovaram a resolução de Botswana de levantar uma barreira eletrificada de 3 metros de altura para separar os dois países. Oficialmente é para evitar a passagem de gado portador de febre aftosa. Na prática, serve para evitar a passagem de milhares de imigrantes ilegais que fogem dos problemas econômicos e políticos no Zimbabwe.
Conclusão: somente depois que todos estes muros, essas barreiras e muralhas forem derrubados, o mundo poderá exigir de Israel não construir a sua único meio que lhe permite defender-se do terrorismo palestino.
EFRAIM FISHEL FISHMAN é empresário brasileiro que vive há 22 anos em Israel
Afinal, a quem interessam os transgênicos?
Amelio Dall'Agnol
Estamos deixando cada vez mais confuso o cidadão brasileiro interessado em conhecer a verdade sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Um grupo aparentemente pequeno, mas barulhento, tenta induzir toda a sociedade a acreditar que é muito ruim para a economia do Brasil e para a saúde dos brasileiros cultivar e consumir OGMs, valendo-se muitas vezes de argumentos que indicam, no mínimo, total ignorância sobre o tema.
Se bem é verdade que existem riscos potenciais vinculados aos OGMs, também é verdade que os potenciais benefícios dessa tecnologia são muito maiores, pelo que seria racional enfrentar esses riscos. Na verdade, os riscos são muito menores que os propalados pelos opositores da transgenia, de vez que a possibilidade dos mesmos ocorrerem foi reduzida ao mínimo pelos rígidos controles de segurança exercidos pela Comissão Técnica Nacional de Bioseguranca (CTNBio), a quem corresponde elaborar as normas para uma pesquisa segura e supervisionar criteriosamente a sua aplicação em nível de laboratório e de campo, evitando, assim, que uma eventual má criação da biotecnologia se multiplique e se propague no ambiente.
Os transgênicos, também são criticados pelos danos que poderiam causar ao ambiente, embora, a bem da verdade, essa tecnologia deveria ser considerada uma potencial benfeitora do ambiente ao invés de uma potencial agressora do mesmo, pois, ao contrário de poluí-lo, ela poderá protegê-lo com a incorporação de genes de resistência a pragas e doenças nas plantas cultivadas, o que reduziria a quantidade de agrotóxicos utilizados para protegê-las.
Garantia de risco zero, como parecem exigir os opositores mais exaltados dos OGMs, não existe. Qualquer atividade humana, por mais segura que possa parecer, apresenta algum grau de risco que é naturalmente aceito como contrapartida aos benefícios potenciais maiores dali resultantes.
A parcela da sociedade que ainda teme os transgênicos deveria preocupar-se, igualmente, com os riscos que a privação de tal tecnologia poderia causar ao bem estar econômico e social do País e do povo brasileiro. A moderna biotecnologia poderá constituir-se numa alavanca para o alcance de tal objetivo, solucionando velhos problemas de saúde e de alimentação da população.
O mundo já cultiva mais de 70 milhões de hectares de plantas transgênicas, e a produção resultante vem sendo consumida sem problemas há mais de oito anos, aqui incluída a soja clandestina do Brasil, que é bom informar, vende igual que a não-transgênica, dada a indiferença do consumidor quanto a essa característica. São enganosas, portanto, as aparentes restrições de europeus e asiáticos à soja geneticamente modificada. A propósito, seria interessante identificar quem são, quantos são e quem paga os fanáticos defensores da pureza genética, que, aparentemente, não representam a vontade da maioria da população.
O Brasil tem fome de desenvolvimento, razão pela qual tem interesse na transgenia pelos benefícios potenciais que essa ferramenta oferece.
AMÉLIO DALL'AGNOL é engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja em Londrina





