ESPAÇO ABERTO
Mínimo possível
Antonio Delfim Netto
A discussão sobre o salário mínimo de 260 reais nem sempre respeita os limites da aritmética. E tem uma outra dificuldade que é desviar a atenção do problema principal que é o do ''salário zero'' a que estão condenados 14 milhões de brasileiros desempregados. Creio que todas as pessoas gostariam que o salário mínimo no Brasil deixasse de ser o vexame que é, mas isso não muda o fato que um aumento maior do que o que foi proposto pelo Governo simplesmente não cabe no Orçamento. Para cada real que fosse concedido acima dos 260, teriam que ser cortados do orçamento 140 milhões de reais; se fosse considerada a proposta dos 275 como defendido por alguns membros da oposição e por segmentos do próprio PT, haveria um aumento anual da despesa de 2 bilhões e 200 milhões, num momento em que se tornou necessário, mais do que nunca, manter o equilíbrio fiscal, ainda precário.
O esforço do Governo Lula para manter a relação Dívida Líquida/PIB constante foi muito grande, para evitar o crescimento da vulnerabilidade externa que impediria o país de voltar a crescer e criar empregos. É preciso voltar a investir na infra-estrutura básica de transportes e energia para que o empresário industrial acredite que pode aumentar a produção e não será surpreendido por um novo apagão como o de 2001. Ou que não terá como escoar a produção a custos competitivos porque nossas estradas desapareceram do mapa.
Se observarmos o que aconteceu com a produção industrial brasileira nos últimos oito ou 10 anos, quando a indústria de transformação cresceu apenas 0.6% ao ano, temos a explicação para os níveis recordes de desemprego na grande São Paulo e para o estado de miséria da população, visível nas calçadas e esquinas não só da capital mas nas maiores cidade do interior. Porque é a indústria que garante os níveis de emprego nos grandes centros urbanos e dá sustentação ao trabalho formal. Foi o setor que mais sofreu os efeitos da política econômica de restrição de crédito, altas taxas de juros e aumento da carga tributária, praticada no governo passado e que só agora começa a ter condições de ser orientada para o crescimento.
ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PP-SP
Novo centro é irreversível
João Ivo Caleffi
Em 1986, quando se deu início ao processo de retirada do pátio de manobras da Rede Ferroviária, foi ali, com o Projeto Àgora, que começou a nascer o Novo Centro.
Cada prefeito envolvido na luta pela urbanização do Novo Centro executou uma etapa importante do projeto. Mas o momento que vive a cidade estava a exigir uma arrancada definitiva na obra dos sonhos de todos os maringaenses.
A luta inicial, minha e do companheiro José Cláudio, foi para criar condições objetivas que nos permitisse retomar as obras, há tempo paralisadas. As condições foram criadas e agora vamos partir, com determinação, para a etapa final da infra-estrutura do Novo Centro.
O projeto executivo, já licitado, está quase pronto. A licitação de toda a obra de infra-estrutura, num total de 45 milhões, foi uma recomendação do próprio Ministério dos Transportes, cujos técnicos aprovaram o projeto e apostam na sua viabilidade.
O Coordenador Geral de Assuntos Ferroviários do Ministério, José Nogueira dos Passos, garantiu a mim pessoalmente e aos jornalistas maringaenses que ligaram para ele em Brasília , que o projeto do Novo Centro é inquestionável tecnicamente e tem repasse de verbas federais garantidos pelo convênio que assinei com o Ministério dos Transportes em dezembro último.
Enquanto o projeto global de infra-estrutura caminha, vamos executando obras complementares de urbanização, que já começam a surtir efeito. É o caso da Tamandaré, que está sendo revitalizada e será em breve um centro de referência comercial da cidade.
Some-se a tudo isso o impulso que o Novo Centro está proporcionando à construção civil. São vários prédios brotando e outros em processo de aprovação na Prefeitura. Esta arrancada rumo à conclusão do Novo Centro é um fato concreto, irreversível.
É claro e cristalino, o fato de que o edital está rigorosamente dentro da lei das licitações públicas e a exigência de que as empresas tenham acervo e estrutura técnica compatíveis com o porte e a complexidade da obra, é uma prova do grau de responsabilidade que o Governo Popular tem para com o dinheiro público.
João Ivo Caleffi é prefeito de Maringá





