ESPAÇO ABERTO
Nova legislação dará mais empregos no campo
Voldimir Maistrovicz
O campo tem serviço sobrando, principalmente na nossa região. Apesar da máquina e sua tecnologia moderna em constante evolução, enumeras tarefas não substituem a mão-de-obra braçal. Entretanto, quem é que quer contratar alguém para ajudar na lida cotidiana? Todos, sem exceção, têm medo de contratar, por causa da legislação trabalhista estendida ao campo. Seu protecionismo natural, para não haver trabalho escravo, ocasionou esse grave problema social.
Somente de 1960 a 1980, mais de 30 milhões de pessoas abandonaram suas pequenas e médias propriedades, a maioria vendida para o vizinho mais afortunado. É preciso sensibilizar os legisladores e o governo para a criação de uma legislação trabalhista para o campo. A lei tem que ser elaborada conforme o costume de um povo e não copiada simplesmente de outros países.
No campo, quando chove o trabalho é reduzido e o trabalhador folga. No campo, o trabalho maior é na época do plantio e da safra. No campo, tem que se trabalhar enquanto há luminosidade e quando não está chovendo. No campo, quando ninguém tinha medo da legislação trabalhista, toda família contratada tinha sua criação de galinhas, porcos e horta para melhorar sua alimentação. No campo, atualmente o que mais se ouve dos ruralistas é: ''Contratar é dar-se um tiro na testa. É trazer problema''.
O que fazer com a mão-de-obra sem qualificação, a braçal? Muitos já estão empunhando armas e vendendo drogas. A violência aumenta. O exemplo está vivo no dia-a-dia. O campo está precisando de trabalhadores e de uma legislação rural trabalhista específica ou somente uma simples fiscalização nos contratos de trabalho para o patrão perder o medo de empregar.
O Paraná possui aproximadamente 370 mil propriedades rurais e o Brasil, segundo recente declaração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 20 milhões. Em média, se cada proprietário empregador rural contratar cinco pessoas, o que não é muito, é até uma média baixa, teremos cem milhões de novos empregos.
A maioria dos ''sem-terra'' quer trabalho remunerado. O problema social é o emprego e não a posse simples da terra. O trabalhador tendo a terra, em quanto tempo ele se organizará para começar a produzir? Isso, considerando-se a boa vontade para o trabalho e honestidade de cada um.
A estrutura das propriedades atuais esta pronta! É só aperfeiçoá-la e permitir que contratos de trabalho sejam feitos para absorver a massa da mão-de-obra braçal. Pensar em qualificá-la para o setor industrial, comercial ou prestador de serviços, serão necessárias pelo menos três décadas de esforço considerável na educação.
O problema existe e tem solução, mas somente com a modificação dessa Consolidação das Leis do Trabalho (CTL), que é do milênio passado. Também, para a concretização das novas empresas comerciais e industriais, que nascem, mas não conseguem sobreviver, por causa da rigidez da CLT e excesso de encargos. Em suma, será a volta da família ao campo, com sobra de empregos.
VOLDIMIR MAISTROVICZ é ex-prefeito de Apucarana e membro do Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional/Londrina
Amizade ou momento virtual?
Miltes Valeria Sato
Está aí, um bom tema para se pensar...
Você deve ter, ao menos, um amigo virtual, e o interessante é como ele chegou até você? Pelo que observo, a globalização permite-nos conhecer o mundo em poucas horas. Coisas antes inimagináveis, hoje, com um simples toque de uma tecla enter, lá estamos nós, turistas, numa terra desconhecida, viajando por mares nunca dantes navegados...
Bem, e também é assim, para começarmos algo que chamam amizade virtual. Essa tal de amizade virtual é boa, pois, nos permite conhecer inúmeras pessoas, em tão pouco tempo...o mesmo tempo que levamos para conhecermos o mundo. E aí eu pergunto: qual o sentimento que une essas pessoas, qual a intensidade desse sentimento?
Uma vez, amigo, você coloca o nick da pessoa em seu e-mail e passa horas e horas conversando com ela, criando assim, acredita-se, um elo, que mais adiante, tornar-se-á uma amizade virtual, porém, existe mais um pergunta: E os outros? Os que estão ao seu lado, sentados ao seu lado em um banco, na mesma empresa, seus companheiros diários, conhecidos de faculdade... Ah!...esses, você não quer conhecer, não é? Você saberia me dizer por quê?
Talvez, porque a amizade, tão sabiamente enaltecida por Aristóteles, esteja se tornando algo numérico, onde ter 50 amigos se tornou melhor, ou mais fácil, do que ser um amigo. Você passa grande parte do seu tempo, sozinho, porém, com 50 amigos internautas, que não vêem seu rosto, suas marcas, e estão pouco preocupados com sua essência. Você passa a ser quem você quiser, sem sexo, raça, religião, você é sua própria criação.
Você entra e sai do mundo das pessoas, assim como essas em seu mundo, sem o menor constrangimento, consideração ou emoção. Então, em um dado momento, depois de teclar vários dias com aquela pessoa, você não sabe se é homem ou mulher, é apenas uma pessoa! Quando parece que ela já faz parte do seu mundo ou você pensa fazer parte do dela... novamente, um simples toque de um tecla del acaba com algo que, sequer, chegou a começar.
E aí? Até onde pode-se dar nome de amizade às amizades realizadas por meio da Internet? Não seria melhor: momento virtual!
Ter e ser - apenas uma letra faz a diferença.
Del e enter - apenas um teclar traz a diferença.
Busque o ser e priorize o enter.
MILTES VALERIA SATO é estudante de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina





