ESPAÇO ABERTO
Investir em saneamento é investir em saúde
Maurício Barros
Em 22 de março, quando se comemora o Dia Mundial da Água, é importante reforçar a urgência de uma avaliação sobre a condição em que se encontra o consumo da água em nosso Planeta. Em nome dos avanços do ''mundo moderno'', a água vem sendo utilizada pela sociedade de forma irresponsável e, muitas vezes, até criminosa. A poluição e o desperdício comprometem a qualidade desse bem essencial à vida. Com a iminente ameaça de escassez da água, governos e comunidades começam a se mobilizar a fim de garantir a preservação desse recurso da natureza.
É necessário defender o controle público dos recursos hídricos para que se assegure o acesso à água a toda a população e que esse serviço não seja submetido aos interesses desmedidos do lucro. A população deve estar atenta, organizada e mobilizada para exigir políticas públicas de saneamento, de combate à poluição e deve também se engajar em um uso mais controlado e responsável da água.
Dados do IBGE mostram que, em pleno início do século 21, o Brasil trata só 10% do esgoto coletado; e quase 50% da população brasileira não conta com serviço de coleta de esgoto. O Ministério da Saúde informa que de 80% a 90% das internações hospitalares ocorrem em função de doenças transmitidas por água contaminada. Mais de 5 milhões de pessoas, no mundo, morrem de doenças causadas por água contaminada. Isso significa que investir em saneamento significa investir em saúde: a cada R$ 1 aplicado em saneamento básico corresponde a cerca de R$ 4 ou R$ 5 economizados em saúde.
A participação do público em decisões governamentais que afetam os ecossistemas do mundo é fundamental para que se interrompa a degradação ambiental no planeta, conforme especialistas internacionais ouvidos para um estudo denominado ''Recursos Mundiais 2002-2004 - Decisões para a Terra - Equilíbrio, Voz e Poder''. O relatório foi desenvolvido pelo Bird (Banco Mundial), Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) e da ONG World Resources Institute, conforme matéria publicada na Folha de S. Paulo de 11 de julho de 2003. Ainda de acordo com esse estudo, os desastres ambientais são frequentemente resultado de decisões tomadas sem informações ou apoio das comunidades locais.
Portanto, é urgente a participação popular nos debates e na formulação de políticas em defesa da água.
MAURÍCIO BARROS é vereador pelo PT em Londrina
Apenas um espetáculo?
Na polêmica sobre ''A Paixão de Cristo'', de Mel Gibson, que estourou em todas bilheterias do mundo, faturando bilhões de dólares e fazendo com que o espectador após assistir o filme, derramasse lágrimas, não passando apenas de mais um espetáculo? Será que os fatos ali narrados são verdadeiros? Esta pergunta muitas vezes fica do ar, considerando que muitos entendem como mais uma superprodução cinematográfica de Hollywood.
A flagelação, de uma brutalidade aterradora, é o centro da narrativa em ''A Paixão de Cristo''. A violência do filme é quase insuportável, mas não gratuita. O filme de Gibson deixa claro que Jesus aceita seu sofrimento e morte como a parte mais importante de sua missão. E que esse sofrimento não foi pequeno. No entanto, para a maioria das pessoas que assistem as cenas horripilantes, choram por Ele, alguns até mesmo com crises emocionais. Isso não é mostrado no filme, mas quando Jesus estava carregando aquela Cruz completamente desfigurado, encontrou uma mulher chorando, e indagou: ''Porque choras?'' Respondendo Ele mesmo logo em seguida: ''Antes chorai por vós mesmos, e por vossos Filhos''.
Assim como, depois de assistir o espetáculo, muitos saem chorando em contemplar o sofrimento de Jesus, da mesma forma, continua Jesus afirmando: antes chorai por vós mesmos. Muitos não querem admitir que são pecadores, e que todo aquele sofrimento, foi para remir, apagar, limpar, absolver o homem de seus pecados. Contudo, embora todos saem comovidos, poucos saem arrependidos e convencidos que tudo aquilo foi a demonstração viva que Deus amou o mundo, ao fazer seu próprio Filho sofrer, aquilo que o homem é incapaz de fazê-lo.
Na Cruz do calvário, a obra expiatória foi completa, não sobrando nada para o homem realizar no intuito de ganhar a salvação. Basta que creia em seu coração que na Cruz do calvário, o verbo que se fez carne, habitou entre nós, e entregou sua própria vida para nos garantir a vida eterna. Porém a incredulidade continua em cada coração, em não confiar no que Cristo fez, mas confiando em suas próprias obras de justiça que cada um pensa que pode fazer, para merecer o céu. Esquece a Cruz de Cristo, e confia em si mesmo para a salvação.
Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e, pelas suas pisaduras fomos sarados. A cruz que deu cabo da vida terrena de Jesus agora põe fim ao pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o ressuscita para uma nova vida ao lado de Cristo. Assim como os religiosos da época tentaram calar a boca de Jesus, hoje muitos também religiosos tentam abafar a salvação pela graça, permitindo que os fiéis vivam na incredulidade, apenas de emoções e aparências.
ANTÔNIO CARLOS DE CARVALHO é advogado em Marilândia do Sul.





