A Água e a Campanha da Fraternidade

Padre Manuel Joaquim dos Santos

A Igreja Católica mais uma vez usou de sua sagacidade na escolha do tema para a quaresma deste ano. Saiu na frente, puxando uma discussão que se tornou obrigatória no mundo e que hoje é questão de sobrevivência - a água fonte de vida! Ao longo deste ano, ela lembrará que a água é fonte de vida, uma necessidade de todos os seres vivos e um direito da pessoa humana.
Há quinhentos milhões de anos, as águas são as mesmas no planeta, fazendo seu ciclo natural de evaporação, chuva, infiltração no solo e formação de fontes, rios, lagos e lençóis subterrâneos. No último século, porém, as águas vieram perdendo sua pureza, atingidas pela poluição e por um aumento de consumo humano. Por isso um dos principais desafios da humanidade no século XXI é a conservação das reservas de água na Terra. No Brasil, 20% da população não tem acesso à água potável, 40% da água das torneiras não tem confiabilidade, 50% das casas não tem esgoto e 80% do esgoto coletado é lançado diretamente nos rios, sem tratamento. Só por estes dados, a Igreja cumpre sua missão ao promover o debate.
Creio que um dos pontos nevrálgicos do assunto abordado, esteja relacionado com a ideologia e as mentiras que envolvem a problemática água. Nosso planeta tem 70% de sua superfície coberta por água. Embora 97,6% seja de água salgada e apenas 2,4% de água doce, este não é argumento para justificar a escassez de água doce. O ciclo hidrológico estabelece uma relação perfeita entre água doce e água salgada. No entanto, a ONU alerta que em 2050 faltará água potável para 40% da população mundial. Ela é otimista! Não será apenas uma carência quantitativa mas também qualitativa.
O que nos preocupa sobremaneira é que a realidade nua e crua se mistura com a ideologia. A água virou o ''ouro azul'', objeto de cobiça internacional e uma das principais causas de confrontos e guerras. Fala-se até na ''petrolização'' da água e nela como commodity. Diante da ameaça dessa ''escassez'' se realça o valor econômico da água e a sua mercantilização. E mais, é certo que se não houver controle, muitos mananciais serão contaminados e extintos. Isso porque o ciclo natural que repõe as águas, não o consegue fazer no ritmo perverso de sua destruição. Mas a falta de água não afetará a todos os países igualmente. Se o controle for feito pelos mecanismos do mercado, as pessoas com maior poder aquisitivo terão garantido seu acesso à água. Os pobres, morrerão de sede!
A Igreja aborda sem pudor a questão do preço da água e as nuances que envolvem o controle de consumo da mesma. Ela acredita que o valor econômico funcione como mecanismo de gerenciamento de recursos hídricos (tendo que pagar, a água será mais racional, mais cuidadosa). No entanto as consequências dessa ''lógica'' podem ser graves se a água passar a ser regida pelas leis da oferta e da procura.
Correlativo ao princípio ''usuário-pagador'' é o princípio ''poluidor-pagador'', que obriga quem polui a tratar seu efluente poluente ou a pagar o equivalente ao custo da despoluição. As multas aplicadas não têm surtido efeito e acabam se tornando numa espécie de direito de ''pagar para poluir''. O ideal seria o pagamento de um alto preço pela água poluída, para que se torne economicamente compensador evitar a poluição.
A discussão local sobre o contrato da Sanepar passará necessariamente - como o próprio governador já falou - pela situação futura da própria empresa e da filosofia que presidirá às suas políticas. A Campanha da Fraternidade 2004 ajudará muito nessa discussão.

MANUEL JOAQUIM DOS SANTOS é padre em Londrina (PR)

Areia movediça

Gilberto Jordão

O mundo dá suas voltas! Jamais os militantes do PT imaginavam que o partido caísse na boca do povo, pela sua maledicência. Como podemos observar, o referido Partido dos Trabalhadores, dito da ética, da honestidade, da verdade, da esperança e da salvação nacional, caiu em desgraça. Desgraça, essa, proporcionada pela figura de um ilustre camarada, íntimo de José Dirceu, Waldomiro Diniz.

Esse cidadão nos mostrou que em matéria de política vale tudo. Não venham nos dizer, os mandatários do PT, que não sabiam das tramóias desse cidadão com o bicheiro ''Carlinhos Cachoeira''. Está confirmado: a corrupção subiu a rampa do Palácio do Planalto, com Lula ou sem Lula. Ela - a corrupção - não respeita dogmas religiosos e nem partidos políticos. O povo, mais uma vez caiu no conto do vigário.

Esse foi o verdadeiro presente que o PT nos proporcionou, pela passagem de seus 24 anos de fundação. Precisou passar todos esses anos para o povo se certificar que o atual governo é um governo como um outro qualquer. Que pena!
Os líderes do referido partido pensam que o povo é idiota. Usam palavras de ordem como: ''ele não pertence ao partido''; ''a extorsão aconteceu antes da posse de Lula''; ''a fita de vídeo entregue à revista, deve-se à iniciativa do ex-ministro e presidente do partido tucano, José Serra...''. Ora, parem com isso! Nós somos seres pensantes e não um bando de antas amestradas!

Doravante, a sociedade terá que prestar bastante atenção na hora de votar. Temos que ter em mente o mesmo que eles, ou seja, os políticos nos tratam como peças descartáveis após as eleições. Temos a obrigação, ou mesmo o direito, de eliminá-los do meio político, para a eternidade. Nosso país exige ''sangue novo'', para transformá-lo. Há a necessidade de se fazer uma reengenharia na maneira de se administrar o bem público, que é do povo.

Observamos que o algoz não era filiado ao partido do governo, mas o partido do nosso presidente era filiado ao Waldomiro. O partido da chamada ética já não faz mais a diferença, pois caiu na vala comum dos outros. A política virou mediocridade e podridão.

Será que o governo, que sustenta a base, sabe o mal que fez aos brasileiros, principalmente na área da previdência e da administração? Não podemos esquecer a maldade de taxar os inativos, reduzir suas pensões e aposentadorias, constrangendo, assim, os brasileiros acima de 90 anos.

Enquanto o País e os brasileiros estão nessa areia movediça, os senhores Palocci, Meireles e José Dirceu andam sobre os tapetes persas vermelhos do Palácio do Planalto, como se tudo estivesse na mais absoluta ordem. O nosso presidente, coitado, está acordando agora da festa da vitória, que o levou a subir a rampa do Palácio. O atual governo chegou ao topo da pirâmide governamental com a ideologia da esquerda e agora está governando com as bravatas da direita.

GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá (PR)

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