Bobbio e tradição

Eu era um admirador de Norberto Nobbio. Ele morreu dia 9 deste mês. É nosso costume usamos o verbo sempre no pretérito quando morre uma pessoa. Mas é evidente que não deixarei de ser seu admirador. Morreu o homem, não a obra, nem a lembrança, tampouco a afeição e o respeito de que ele é merecidamante digno. Nestas linhas, gostaria de dizer algumas coisas sobre minha leitura do Bobbio pensador político.
Bobbio escreveu vários livros de introdução sobre os grandes pensadores políticos da modernidade. Seu livro ''Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant'' vale a pena ser lido. Ainda que ele não contenha grandes lampejos interpretativos, seus comentários são esclarecedores e de modo algum subestimam a capacidade intelectual dos leitores. ''Thomas Hobbes'', outro de seus livros introdutórios, é extremamente útil ao estudante e possui capítulos de alta qualidade.
É bem verdade que Bobbio gostava de simplificar às vezes. Por exemplo, ele abonou, em ''Liberalismo e Democracia'', o lema, defendido irrefletidamente por muitos, de que para um liberal o Estado é uma mal necessário. Ora, isso tem validade apenas em termos populares. A rigor, liberais como Locke e Kant consideram o Estado um bem, justamente por isso ele é necessário. É preciso reconhecer que, em Locke, é até possível alguém ser levado a pensar que o Estado é um mal. Agora, em Kant, mesmo um leitor sonolento perceberá facilmente que o Estado é um bem, por isso necessário, ou seja, algo que deve ser perseguido.
Mas escrever um artigo em virtude da morte de um ilustre pensador exige uma certa contenção da critica. Num momento como esse, é mais adequado lembrar da produtividade das elaborações de Bobbio. A propósito, é preciso dizer, para fazer justiça, que Bobbio em ''Direito e Estado no pensamento de Emanuel Kant'' não endossa essa folclórica opinião sobre o Estado como mal necessário. Longe disso, ele faz uma sóbria reconstrução da teoria kantiana do Estado.
É impressionante como o pensador italiano conseguiu a admiração tanto daqueles que ainda hoje chamamos ''de esquerda'' como os ''de direita''. Suas preciosas discriminações conceituais sempre procuraram resgatar com sobriedade as formulações dos clássicos do pensamento, independente de suas inclinações liberais ou socialistas. A propósito, uma de suas célebres distinções diz respeito à diferença entre liberalismo e democracia. Talvez não seja exagerado dizer que a sua distinção entre liberalismo e democracia represente a mais aguda de suas elaborações no campo da política. Segundo Bobbio, ''liberalismo e democracia respondem a questões diferentes: o liberalismo à questão das funções do governo e à limitação de seus poderes: a democracia ao problema de quem deve governar e com quais procedimentos''. Mesmo sendo um socialista e democrata, Bobbio oferece aos leitores a oportunidade de enxergar como o liberais foram mais penetrantes que os democratas em perceber o que realmente é importante para a liberdade do indivíduo.
Bobbio morreu aos 94 anos de idade. Mas é claro que isso não consola os seus admiradores. Ele fará falta, pois a inteligência sempre faz falta.
AGUINALDO PAVÃO, professor de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina.

Mídia corporativa

O que se pretende explicitar dentro do contexto empresarial é que o Treinamento e Desenvolvimento (T&D) tornou-se uma ferramenta de gestão primordial no processo de Desenvolvimento das organizações ao longo de sua existência. Sendo assim, muitas atenções precisam estar voltadas para o T&D, pois desde a imagem até a venda do produto ou serviço final das empresas, o Treinamento e Desenvolvimento está inserido em todas as etapas que envolvem essas ações ou processos.
Há uma multiplicidade de desafios para os próximos 20 ou 30 anos. Mas os talentos humanos nunca deixarão de existir no mundo corporativo, tornando as organizações dependentes desses talentos. Portanto, sua valoração deve ser repensada e estruturada de forma a suprir a lacuna existente entre o trinômio indivíduo-transformação de matérias-primas-organização.
As organizações que não souberem trabalhar os novos tempos, através desta ferramenta de gestão, não conseguirão se sobressair em relação a seus concorrentes que a cada dia vêm se fortalecendo e se modernizando. O verdadeiro investimento na sociedade do conhecimento não é em máquinas e ferramentas, mas no conhecimento do trabalhador do conhecimento. Na sociedade do conhecimento, o pressuposto mais provável das organizações é que as empresas precisam muito mais dos trabalhadores do conhecimento do que eles precisam delas.
Paralelamente ao processo de modernização nas empresas, com o uso intenso de tecnologia, as necessidades de Treinamento e Desenvolvimento das pessoas para a execução de tarefas previamente conhecidas e sistematizadas, dão lugar a uma outra necessidade que é capacitar as pessoas para resolver problemas não sistematizados. Dessa forma, a educação empresarial deixa de ser um acessório e passa a ser uma técnica corporativa que integra o desenvolvimento nas organizações.

ERICK DAWSON é bacharel em Administração de Empresas.

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