Fiquei feliz com o artigo do Dr. Renato Fernandez, intitulado ''desrotulando a rotulagem'', pois vem de encontro às nossas necessidades. Gostaríamos de esclarecer alguns aspectos. Como dizer que nossa proposta é no sentido de frear o crescimento do café conillon, isso não corresponde à verdade, pois se acompanhasse nossos artigos veria que o único desejo é identificar ao consumidor a espécie de café; nunca falamos em destruir o café Robusta/Conillon.
Quando o articulista relata que nosso projeto pode se transformar no ''episódio da vaca louca'' do mercado do café e faça aumentar o consumo do café conillon devemos esclarecer que os dois fatos são distintos, sendo o episódio da ''vaca louca'' um problema de sanidade animal, que foi esclarecido e alavancou as exportações brasileiras. No caso do café, a natureza nos forneceu duas espécies distintas de café com atributos diferentes.
Diz ainda o Dr. Fernandes: ''que o consumo do café commodity vem decrescendo e o de café especial aumentando''. Estes são fatos aceitos por todo o mercado e certamente o baixo consumo não é apenas pela má qualidade do Robusta vietnamita, mas sim pela adição exagerada do café Robusta/Conillon que baixa a qualidade. Quanto ao fato das ''indústrias não jogarem contra si mesma'' é uma afirmação um tanto ingênua para um mundo globalizado.
Concordamos quando diz: ''com ou sem rotulagem dificilmente as empresas deixarão de aproveitar a vantagem de poder reduzir custos'', acrescentamos o que diz o Dr. Aymbere F. da Fonseca em artigo publicado em dezembro de 2000: o benefício da indústria brasileira em adicionar Robusta/Conillon é o lucro.
Em decorrência destas afirmações a única saída é informar aos consumidores as qualidades de um e outro café, para ficar à sua escolha o café que preferir. Naturalmente o paladar é subjetivo, tome quem queira e o que queira, mas a identificação é fundamental para que o consumidor saiba o que está consumindo.
A seguir o articulista faz a afirmação mais clara da necessidade de se rotular o café quando diz que: ''antes de abandonar o uso de Robusta/Conillon, é de se esperar que a indústria direcione sua demanda para cafés desta espécie de melhor tamanho de peneira e melhor preparados, cuja bebida neutra, não interfira nos atributos providos aos blends pelo Arábica, havendo, inclusive, potencial para sua inserção no nicho de café specialty, como já ocorre com alguns robustas indianos''. Ótimo, que assim pense nosso companheiro, pois fica explícita a diferença dos dois cafés. O melhor dos Robusta/Conillon diz, é o de bebida neutra, de modo que não interfira nos atributos do Arábica, portanto temos que identificar os dois cafés.
O que diz é o mesmo que ocorre quando ao recebermos visitas extras em nossa casa e o prato a ser servido é bolinho de bacalhau, a solução que encontramos para aumentar a quantidade é acrescentar mais batata ao bacalhau.
Na recolocação do projeto de lei na esfera federal o café solúvel não será incluído na lei da rotulação, pois ele tem importante papel na abertura de novos mercados e é ótimo instrumento para absorver grande parcela de Robusta/Conillon.
Gostaríamos de esclarecer que o nosso projeto não traz qualquer limitação de adição de Robusta/Conillon. O único ponto de uma possível discórdia é rotular o café que é uma proposta honesta que orientará o consumidor.
RICARDO G. STRENGER é presidente da Associação Brasileira de Café Arábica
E-mail: [email protected]


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