O ponto de equilíbrio

A maioria das pessoas busca o dinheiro, ou o poder, ou a fama, ou os três, visando um único fim: obter segurança e felicidade. Mesmo que não o percebam, o que elas anseiam é alcançar tais condições. E por essa razão fazem grandes esforços e são capazes até de algumas barbaridades. Mas é certo que poderiam abreviar caminhos e sentir-se igualmente seguras e felizes sem tanto sacrificar-se. Bastaria adicionar à vida diária alguns ingredientes da sabedoria e do poder subjetivo que adormecem nelas mesmas e, portanto, sem uso.
Riqueza, poder e destaque social podem continuar como objetivos, eis que não há inconveniente nisso, mas não devem ser as únicas coisas, porque, por si só, elas não dão garantia de uma vida plena e feliz. Assim fosse, pessoas ricas e famosas seriam todas felizes. Também não significa que elas devam ser pobres e obscuras.
Se as pessoas são materialistas demais, não enxergam as belezas ao redor e serão sempre insatisfeitas, perdendo preciosas oportunidades de usufruir dos momentos mágicos que a vida proporciona; se forem demasiadamente apegadas à vida contemplativa, acabarão sendo pouco produtivas para as tarefas que, como incumbência da condição terrena, terão de executar.
Nem tanto à terra, nem tanto às estrelas, mas encontrar o ponto de equilíbrio. Esta a fórmula. A humanidade utiliza pouco mais de 3% de sua potencialidade transcendente, e então acaba se servindo dos 97% restantes, que constituem a sua força bruta, porque é algo que emana tão-somente de seu intelecto, que é o repositório racional do indivíduo e onde pontificam a lógica e a estratégia, irmãs gêmeas da competição e muitas vezes da velhacaria.
Há um potencial muito grande nas pessoas, que elas não buscam desenvolver, até porque não crêem que o possam, e nem sequer cogitam disso. Por isso vivem atribuladas e não vislumbram resposta para os problemas que as afligem. Buscam fora delas as soluções, e já devem ter percebido que não as encontram, ou custam a encontrá-las. E então culpam as circunstâncias, os sistemas, quando são elas mesmas que criam as condições adversas em que vivem. A maior universidade está dentro do próprio indivíduo, mas tal não reside em seu cérebro e sim no profundo de seu ser, que é o seu Eu subjetivo e transcende a racionalidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

Quem deve ser o presidente do LEC?

O Londrina Esporte Clube (LEC) é o representante de Londrina no cenário futebolístico nacional, divulgando o nome da cidade em todos os eventos de que participa. Todos nós batemos no peito orgulhosamente por sermos a terceira principal cidade do Sul do País e, portanto, Londrina deveria ter um time de futebol à altura do prestígio da cidade.
Faço uma pergunta cuja resposta com certeza nortearia os destinos do LEC. Quem deve ser o responsável por montar e manter um time de futebol em nossa cidade? Acho que não pode ser o Londrina Esporte Clube, através seus associados ou diretoria. Até porque o LEC é o clube mais pobre de nossa cidade. E não temos aqui um grande usineiro ou bicheiro para bancar um time de futebol.
Acho que os responsáveis devem ser os representantes da comunidade, sob a liderança do poder maior que é o prefeito, os clubes de serviço como Lions e Rotary, a Acil, a Sociedade Rural, os vereadores e todos os principais empresários londrinenses.
O prefeito deveria convocar as principais lideranças e perguntar: vocês acham que é importante ter um time de expressão representando nossa cidade? Em caso positivo, todos terão que dar sua colaboração e escolherão uma pessoa capaz para comandar o time de futebol, já que o LEC (clube social) é dirigido pela SASC (Sociedade Amigos da Sede Campestre).
Não adianta o presidente ter carisma e não ter dinheiro para bancar as principais despesas do clube. Se o time fizer uma campanha excepcional, tudo fica mais fácil, porém as despesas são diárias: luz, água, telefone, registro de jogadores, alimentação, transporte para treinos, transporte para viagens, folha de pagamento, encargos sociais, aluguel de imóveis dos jogadores, hotel, etc.
Não é possível pensar em bancar um time de futebol só com rendas de jogos, mesmo que a campanha seja boa. Nenhum empresário de conceito vai querer dirigir o Londrina se não for em um projeto da comunidade e sob a liderança do prefeito e principais empresários da cidade, assumindo o compromisso junto com ele. Nestas condições, acho que o nome do presidente é o que menos importa. Ele precisa apenas ter credibilidade e capacidade de administrar.
O candidato a presidente oriundo do quadro social do LEC, sem o apoio das principais lideranças e empresários da cidade, jamais terá condições de fazer o trabalho que a cidade exige. Um programa de marketing, paralelo a este trabalho, seria importante para dar sustentação a médio e longo prazos. Nenhum programa deste daria resultado imediato em termos financeiros, daí a necessidade da mobilização das lideranças da cidade para o início do trabalho.
O trabalho de base está em boas mãos e sendo bem feito, com certeza teremos ótimos resultados nos próximos anos. Este trabalho tem que continuar. O planejamento que falta ao LEC deve iniciar com a resposta à pergunta que fiz inicialmente: quem deve ser o responsável por montar e manter o time de futebol para representar nossa cidade?
JURANDIR BARROZO é empresário e ex-vice-presidente do Londrina Esporte Clube entre 1990 e 1993

mockup