ESPAÇO ABERTO
Trabalho infantil ou não?
Ionice Rafaelli Zuim
Está evidente que no Brasil as leis não são as mesmas para todos. Mas o que chama nossa atenção no momento é a questão do trabalho infantil.
A mídia, a todo instante, nos lembra de que o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe o trabalho infantil. Mas que tipo de trabalho? O trabalho braçal ou o que corrompe a moral de nossos jovens?
A princípio, entendíamos que a lei abarcava qualquer tipo de trabalho que ocupasse o tempo de nossas crianças e adolescentes, podando a liberdade de brincar e que fosse prejudicial aos estudos. Por isso, famílias têm sido punidas por permitirem ou obrigarem crianças a realizar pequenos serviços. Generalizou-se para uma vertente e para outra não.
Percebemos que, por um lado, as famílias de classe baixa, que precisam de um reforço no orçamento financeiro doméstico, foram sacrificadas, não podendo mais contar com a cooperação dos filhos menores. E por outro lado, vemos, todos os dias, crianças e adolescentes envolvidos em elencos televisivos, os quais tomam a maior parte do tempo da vida desses jovens e, o que é pior, incentivando outros a um despertamento sexual precoce, uma vez que cenas de beijos entre crianças e adolescentes na televisão tornaram-se um fato comum e corriqueiro.
Sabemos que a vida não é feita de trabalho e nem de cenas que se desvanecem; mas entendemos que o tempo tanto para a criança carente como para as demais é o mesmo.
Sendo assim, fazemos alguns questionamentos quanto à necessidade de se pensar que tipo de trabalho é ou não permitido: O que exige esforço braçal? O que dá fama? Um não é tão prejudicial quanto o outro? Como o Estatuto consegue visualizar o problema?
Pelo que percebemos até agora, a questão está mais em se proibir a classe baixa de ensinar os filhos a terem um compromisso com o trabalho do que educar a criança, de modo geral, quanto à sua moral.
Ao que parece, a lei proíbe do lado de cá da telinha, porém, quando se trata de globalizar a história é outra.
IONICE RAFAELLI ZUIM é professora de Linguística na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Mandaguari
Eutanásia, piedade ou assassinato?
Valcir José Martins
Eutanásia, como sabemos, é definida como sendo a prática pela qual se abrevia, sem dor ou sofrimento, a vida de um inferno incurável. Sua aplicação tem sido defendida em diversos países, tais como Bélgica e Holanda, sob o argumento de que só seria realizada em casos de doenças irreversíveis, quando o doente já se encontrasse em condições muito precárias de sobrevivência.
Alguns alegam tratar-se de um ato piedoso, porque estaria sendo abreviado o sofrimento do ser. Outros, ainda, afirmam que muito dinheiro estaria sendo economizado, já que qualquer recurso despendido para manter aquela vida seria inútil e, por conseqüência, um desperdício. Há aqueles que afirmam ser tal conduta um alívio também para a família do doente, que estaria demasiadamente onerada por tal situação.
Tais posicionamentos, porém, demonstram, de forma inequívoca, a predominância do conceito materialista e total ignorância das realidades espirituais. Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou morte de seu próximo. Afinal, doenças tidas ontem como incuráveis podem ser resolvidas pela medicina moderna, e a ninguém é dado precisar o tempo de vida de um paciente, pois sabemos que esse prognóstico é muito duvidoso e, por vezes, equivocado. A ciência humana erra. Deus não erra nunca.
Além disso, essa falsa piedade atrapalha a terapêutica divina, nos processos redentores da reabilitação. A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável poder ser, em verdade, um bem. Cada minuto, em qualquer vida, é muito precioso para o espírito em resgate abençoado.
A essas conclusões, baseadas em texto da equipe do Momento Espírita, podemos acrescentar: a postura do verdadeiro cristão de qualquer denominação religiosa: católico, protestante, espírita e outros, que seja verdadeiramente evangélico, isto é, que paute sua vida nos princípios do Evangelho, deve ser sempre em favor da manutenção da vida e de respeito em relação aos desígnios de Deus que são sempre baseados em leis imutáveis e imparciais, sem favorecimento, observando merecimentos e necessidades de cada um.
Eutanásia não é um gesto de piedade, é um assassinato.
VALCIR JOSÉ MARTINS, bancário em Maringá





