País de idosos

Em 1950 a população brasileira era de 54 milhões. Na década de 70 ouvíamos constantemente que o Brasil era um País de jovens e não era para menos, afinal, dos ''noventa milhões em ação'' em torno de 40% tinha menos de 15 anos. Já o censo 2000 mostra que, dos 170 milhões de brasileiros, pouco mais de 20% tem menos de 15 anos.
Em contrapartida, em 1950, 2,68 milhões de habitantes tinham 60 anos ou mais, ou seja, aproximadamente 5% da população, enquanto previsões mostram que, em 2050, o Brasil terá em torno de 247 milhões de habitantes e, aproximadamente, 58,3 pessoas terão 60 anos ou mais, aproximadamente 25% da população total.
Estes dados mostram que temos que nos preparar para uma nova realidade, a de que o Brasil será, em breve, um ''país de pessoas idosas''. Esta nova ordem exigirá mudanças de comportamento e relacionamento ao mesmo tempo em que um universo de oportunidades já estão surgindo em torno deste panorama, em função do aumento da expectativa de vida.
Como as pessoas viverão mais, poderão, também, desfrutar mais dos prazeres da vida nesta faixa etária, pois, com os filhos já criados e uma aposentadoria planejada, será possível ao idoso viajar, participar de atividades comunitárias, estudar e tantas outras atividades.
As áreas de turismo e hotelaria já começaram a provar desta situação, pois já são muitas as viagens e eventos para a chamada terceira idade. Assim, também, outras atividades como a de cosméticos, química e farmacêutica, medicina, entre tantas outras deverão se voltar para este seguimento. Também ações dos diversos níveis de governo serão necessárias para enfrentar esta realidade, incluindo educação, urbanização, lazer saúde, transporte, alimentação, e tantas outras.
A participação em associações de aposentados, fundações, grupos comunitários e similares tem mostrado que, unindo forças, fica mais fica mais fácil de se encontrar alternativas práticas, inteligentes e acessíveis economicamente, facilitando e melhorando a qualidade de vida dos participantes.
A humanidade não poderá alegar surpresa para esta realidade, assim, as pessoas idosas devem, cada vez mais, serem integradas ao meio em que vivem e serem considerados cidadão ativos e não como inválidos ou como peso à sociedade.
GILMAR GONÇALVES AGUIAR é graduado em Estudos Sociais, pós-graduado em Recursos Humanos e bacharelando em Direito


‘‘Nóis capota mais não breca’’

  Esta é uma frase que está em muitos pára-brisas. Porém, a citada frase não corresponde à verdade pois, quando o motorista está diante de um iminente acidente, aperta o pé no freio para evitar a colisão. E por vezes o faz por sentir que está a segundos diante da própria morte. Não existe nenhum ser humano, a não ser que sofra de qualquer distúrbio mental, que não breque vendo chegar a morte diante de si. Mas então qual é o sentido da referida frase? Qual a intenção de quem escreve tal afirmação em seu veículo?
  Creio que o objetivo maior seja o de dizer que ele é o dono de seu nariz, e que ninguém é capaz de fazê-lo brecar diante das circunstâncias da vida, já que prefere capotar do que brecar. Mas sua arrogância tem limites. Quando ele está diante de uma possível trombada, pelo fato de ser real a sua provável morte, este acaba desesperadamente brecando. Já quando não percebe a possibilidade de morte, prefere seguir os seus próprios pensamentos, segundo os seus desejos carnais, não admitindo de forma alguma qualquer conselho vindo de Deus. Estes em outras palavras, estão dizendo, que preferem capotar em sua religião de que brecar.
  Seduzidos pelo ritualismo da ‘‘religião’’ e pela ilusão de que podem fazer algo para merecer o perdão divino, não dão ouvidos à voz do próprio Deus a dizer na Bíblia que se o homem não se arrepender de seus pecados, e não crer no sacrifício de Cristo na cruz do calvário, como único meio de salvação, certamente será condenado.
  Tenho lido aqui mesmo neste espaço a colocação de que é fanatismo confiar de maneira absoluta na providência de Deus para a nossa salvação, para o perdão dos nossos pecados. Talvez aceitar salvação gratuita seja humilhante demais para intelectuais, mestres, doutores orgulhosos de suas supostas conquistas pessoais. Saciados pelas limitações do raciocínio humano, tais pessoas apesar de religiosas, pisam no acelerador da autoconfiança. Muitos capotarão por preferirem não brecar diante das palavras do senhor Jesus o qual afirma de forma absoluta, ser o único caminho, a verdade e a vida, e que não há outro meio de salvação a não ser Ele mesmo.
  Meu caro leitor, não escreva no pára-brisa do teu coração, ‘‘eu capoto mas não breco’’. No episódio do rico e Lázaro, como descreve a Bíblia, o rico acabou capotando e quando acordou estava no inferno, porque preferiu não brecar. Os seus caminhos, aos seus próprios olhos pareciam direito, mas eram caminhos de morte. Aquele rico rogou desesperadamente para que Lázaro fosse enviado à terra para dizer aos seus parentes, que tirassem de seus pensamentos o desejo de não brecar diante das advertências do próprio Deus que se fez homem, habitou entre nós e entregou a si mesmo para perdão dos nossos pecados. Porém não foi atendido. É por isso que ‘‘nóis breca mas não capota’’.
ANTÔNIO CARLOS DE CARVALHO é advogado em Marilandia do Sul


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