A atração de novos negócios

Abraham Shapiro

Londrina e sua micro-região possuem, hoje, um parque industrial considerável. Destacam-se os segmentos de embalagens, metal-mecânica, refrigeração, agroindústria e químico, entre outros de igual importância. Já existem, até, pontos isolados da cadeia de produção de ciência e tecnologia - software e hardware. A potencialidade regional é conhecida muito além de suas fronteiras. É citada por empresários de grande porte no contexto nacional e internacional como tenho conferido em meus trabalhos de consultoria.
O Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina, o PDI, foi uma cara e poderosa arma para a orientação do poder público na realização de investimentos em infra-estrutura e melhorias para atrair novos negócios e incrementar o setor produtivo. Nunca foi convenientemente usado. Nos últimos três anos quase nada se falou a respeito. Talvez já esteja ''enterrado em vala comum''.
Depois de um tempo sem nenhuma ação tangível a Codel volta, nos últimos meses, a desempenhar um papel de esperança em ações que colocam o município nos noticiários de novas indústrias.
Invariavelmente, empresário e poder público têm encarado a Codel como um órgão cuja função é a atração de novos negócios por meio da concessão de benefícios que, ao invés de satisfazerem às expectativas de todos os segmentos, acabam por desagradar aqueles que investiram sem usufruir das mesmas benesses.
Mas a questão que hoje se tornou realidade é: será que o empresário - o gerador de divisas e empregos - se atrai apenas por vantagens fiscais e doações para aportar sua indústria em determinado local? As únicas razões de existência de uma empresa no sistema capitalista são fazer negócios e lucrar, ou melhor, ter acesso ao mercado onde seus produtos são oferecidos e demandados em velocidade tal que retornem o capital investido e gerem riqueza.
As indústrias que hoje estão estabelecidas na cidade realizam diariamente um volume de compra de matérias-primas e insumos assombrosamente grande. Não há dados de quanto é este montante. Sabe-se, no entanto, que um percentual muito alto é importado de outros estados brasileiros. São produtos, às vezes, similares ou iguais aos fabricados aqui, a poucos quarteirões de quem os utiliza.
Um banco de dados poderia ser criado a partir de um levantamento junto às indústrias de quantidade de produtos, especificações, demanda de matérias-primas e insumos. O conhecimento destes parâmetros possibilita a aproximação entre produtor e consumidor alavancando expressivamente o mercado local. Torna-se um meio de divulgação de empresas locais e permite uma medida real do potencial da cadeia produtiva. Seria um instrumento profissional de integração dos negócios já existentes e de atração de outros, sem a tradicional dependência do incentivo tipo ''doação-isenção''.
A Codel, aliada às universidades e outras instituições, coordenaria a coleta de dados, constituiria um banco mercadológico e processaria as informações categorizando-as, tornado-as práticas e funcionais para a tomada de decisão empresarial e geração de negócios.
O cruzamento das variáveis deste banco de dados produziria duas frentes muito amplas. Primeira: o fortalecimento da malha industrial e comercial locais através de novos negócios que se potencializariam sem grandes demandas logísticas e adequados ao sistema just on time de produção. Segunda: acabaria sendo um plano estratégico cuja perenidade dependeria, apenas, da atualização dos dados ano a ano.
- Abraham Shapiro foi Diretor Executivo do PDI - Londrina e atua como consultor em treinamento e desenvolvimento humano. e-mail: [email protected]

Importância da Eurozebu

Edson Neme Ruiz

  A Eurozebu, que a Sociedade Rural do Paraná promove de 29 deste mês a 5 de outubro, é, muito mais que um evento comercial, um avançado projeto de discussão do cruzamento industrial de raças zebuínas e européias e uma oportunidade de troca de experiências e informações sobre a produção de carne com precocidade e qualidade.
  Afora os sete leilões de nelore, limousin, angus e gado de corte julgamentos das raças limousin, angus e guzerá, campeonato e julgamento de cavalos da raça Appaloosa e a Prova do Cavalo de Trabalho da Sociedade Rural do Paraná, o evento ainda vai abrigar um curso de julgamento de raças zebuínas homologado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Destaca-se na programação da Eurozebu o Seminário Nacional de Produção de Carne com Qualidade.
  Esse encontro técnico constará de palestras sobre a aliança mercadológica do novilho precoce e o sistema de produção e comercialização de carne com qualidade; tipificação e manejo de carcaças; informações sobre a carne, como ferramentas de promoção; estudo de rendimento de desossa e estratégia de comércio no varejo; manejo rotacionado de gado de corte e aspectos econômicos e de produção; uso de genética zebuína em sistema de produção; melhoramento genético como incentivo de produtividade em gado europeu; a qualidade da carne bovina brasileira; e o Brasil como fornecedor de carne diferenciada.
  Essas palestras estarão a cargo de destacados zootecnistas, médicos-veterinários e sanitaristas, especialistas em melhoramento animal e mestres em administração e marketing.
  A Eurozebu é mais um evento que a Sociedade Rural do Paraná se orgulha de promover, agora pela primeira vez mas que terá continuidade anual, a par da maior realização da entidade que é a Exposição Agropecuária e Industrial e que já entra no 44ªedição.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná, com sede em Londrina

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