ESPAÇO ABERTO
Por que estamos aqui
Walmor Macarini
Se cada indivíduo deixasse de imaginar que sua existência tem apenas os anos constantes em seu registro de nascimento, compreenderia muitas coisas e as razões porque elas acontecem. Cada um de nós não é de hoje, mas tem a idade dos tempos eternos.
As religiões dominantes do ocidente não permitiram ao homem crer no princípio da transmigração, e por isso o mantém na treva do desconhecimento e por extensão na dúvida e na angústia, eis que elas também não souberam dar-lhe respostas. Da mesma forma não lhe permitiram a liberdade de buscar.
Certo é que cada ser, individualmente, já teve muitas experiências por aqui e também em outras dimensões. Por isso é que a memória remota o conduz espontaneamente a meditar, a contemplar as estrelas e a viagens imaginárias pela vastidão do universo. Não acontece por acaso.
Estamos neste planeta fazendo estudos e graduações terrestres, como seres cósmicos que somos, e também dando nossa contribuição pela causa da divinização e sustentação da Terra. E por que nos esquecemos desse propósito que fizemos no passado remoto? Pela densidade da vestimenta corporal que assumimos e para que a obra se realizasse por própria impulsão e por doação. Ou não haveria mérito. Nosso Eu transcendente o sabe, mas nosso eu racional não.
Naturalmente que muitos capitularam nessa jornada, e assim vão e retornam, para dar continuidade ao que iniciaram ou para resgatar resíduos que foram ficando ou novos karmas assumidos. Tal não é um castigo e sim uma vontade. Mas há também casos em que o livre arbítrio já não prevalece.
Cada um de nós está aqui exercitando o experimento da existência física. Viemos, todos, com o propósito de trabalhar juntos, mas temos nos dispersado. Apesar de tudo, não há um ser humano sequer que não tenha consciência de algo superior que ele não sabe explicar mas pressente que existe. Não foi uma cultura adquirida, porque civilizações nunca influenciadas pelo meio externo sempre tiveram uma estreita ligação com algo além dos seus sentidos, como que uma conexão não compreendida com os mistérios da natureza invisível.
Não somos cobaias nem formiguinhas ante um Deus nos monitorando e um diabo à espreita. O ser individual é o agente de seu próprio processo. Quando se move, ele move Deus; se fica inerte, Deus fica inerte com relação a cada qual que está na inércia.
Não somos isolados de Deus, nós e todas as coisas, visíveis e invisíveis, e até os aparentes vácuos cósmicos. Pois se assim fosse, Deus deixaria de ser. Deus sem todas essas coisas não seria.
Todos estes entendimentos serão um dia a religião do mundo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
Se você fosse Deus? (2)
Antônio Carlos de Carvalho
Li o espaço aberto da última segunda-feira, em que o articulista Valcir José Martins refere-se ao poeta que havia escrito sobre a possibilidade do ser humano ser Deus por uma semana. Segundo ele, bastaria apenas um minuto, para tomar uma única decisão, ou seja, decretaria abolição da injustiça, da miséria, da guerra e da morte. Nosso amigo afirma que Deus já decretou isto em suas soberanas leis. O articulista está equivocado em fazer tal afirmação, uma vez que está registrado nas escrituras que todos pecaram e, por conseqüência, o salário do pecado é a morte. (Rom. 6.23). Por esta razão se Deus tivesse aniquilado a morte, não teria razão de Deus, ser Deus soberano, considerando que além de amor Ele também é justiça.
Quando Adão e Eva pecaram a raça humana herdou o pecado, tornando-nos todos separados de Deus, pelo pecado, segundo Isaías 59:2. O que merecemos então é a morte. Todavia, vendo que o ser humano não tinha capacidade em si mesmo de se reconciliar com seu criador, Deus providenciou o único meio do homem conseguir ser redimido de seu pecado. Entregou seu próprio filho, Jesus Cristo, o verbo que se fez carne, que se entregou a si mesmo, sendo esmagado naquela cruz, nos perdoando de todo o pecado, desde que colocássemos toda nossa fé naquela obra expiatória.
Porém o homem, mostrando rebeldia com seu criador, não aceita este sacrifício feito por Jesus, que não é apenas um mestre de Nazaré, mas o próprio Deus encarnado. Cheio de orgulho o ser humano tenta pagar seus pegados, com obras de justiças, penitências e esforços humanos que aos olhos de Deus é impossível para perdão dos pecados. Todavia existe uma grande diferença em esperarmos a misericórdia de Deus, depois de partirmos desta vida quando estivermos em Sua presença esperando a absolvição e entendermos antes de morrer que o próprio Deus, criador do céu e da terra, já demonstrou sua misericórdia para com a humanidade. Mas o que significa ter misericórdia? Misericórdia é Deus não dar aquilo que merecemos. Sabemos que o que merecemos é a morte.
Portanto, o grande ato de misericórdia que Deus podia ter com a humanidade, Ele já o fez: entregou seu próprio filho para ser moído na cruz do calvário pelas nossas iniqüidades. O castigo que nos traz a paz, estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados. Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito, para todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16).
Não perca tempo, meu amigo, nunca queira ser Deus nem mesmo por um segundo!
ANTÔNIO CARLOS DE CARVALHO é advogado em Marilândia do Sul





