Se você fosse Deus?

Valcir José Martins

Qual seria a sua primeira decisão ao assumir o cargo? Em um artigo de jornal, o poeta João Manoel Simões falava sobre a possibilidade de um ser humano ser Deus por uma semana. Dizia que, caso ele fosse Deus, um minuto seria suficiente para tomar uma única decisão:
Sob a humaníssima e jurídica forma da lei. Na qualidade de Deus, chamaria o meu anjo-secretário e ditaria dois artigos singelos de minha lei: Art. 1º Ficam a partir deste instante abolidos, em todos os quadrantes do terceiro planeta do sistema solar, na periferia da Via-Láctea, a miséria, o desamor, a injustiça, a doença, a ignorância, a guerra e a morte; Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.
Certamente muitos de nós, como o poeta, faríamos a mesma determinação, abolindo, para sempre, a miséria, o desamor, a injustiça, a doença, a ignorância, a guerra e a morte. E Deus, que é a inteligência suprema do universo, já decretou isso nas suas soberanas leis. É só uma questão de tempo para que essa situação se torne realidade.
No entanto, Deus, na sua suprema sabedoria, não pode violentar o livre-arbítrio de seus filhos, impondo-lhes uma perfeição que estes estão longe de alcançar. Vejamos o que disseram os espíritos superiores a Allan Kardec, quando da codificação da doutrina espírita, explicando porque Deus não criou todos os espíritos perfeitos:
Se Deus os houvesse criado perfeitos, nenhum mérito teriam para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o merecimento sem a luta? Além disso, a desigualdade entre eles é necessária às suas personalidades. Pois que, na vida social, todos os homens podem chegar às mais altas funções. Seria o caso de perguntar-se por que o soberano de um país não faz de cada um de seus soldados um general; por que todos os colegiais não são mestres.
Muito lógica e consoladora a resposta dos sábios do espaço. Se todos os seres humanos na Terra estivessem no nível de Ganhdi, Chico Xavier, Madre Teresa, Irmã Dulce e outros, não precisaria nenhum decreto proibindo a miséria, o desamor, a injustiça, a doença, a ignorância e a guerra.
Os espíritos foram criados simples e sem nenhum conhecimento, mas todos, sem exceção, chegarão à perfeição. Vale lembrar, novamente, as palavras do mestre de Nazaré: ''Sedes perfeitos como perfeito é vosso Pai celestial''. Portanto, todos nós seremos anjos um dia, só depende de nossa vontade e isto inclui a busca das verdades que regem a vida, ou seja, as leis divinas.
Comecemos por combater em nós mesmos o egoísmo, o orgulho e vaidade, e desenvolver qualidades como humildade, solidariedade, benevolência, caridade, capacidade de perdoar e amar. Candidatos a Deus existem muitos. No Judiciário, na política, na imprensa, enfim, entre todos nós. Alguns se acham, outros têm certeza que o são. Sejamos deuses, mas com base no Evangelho.
VALCIR JOSE MARTINS é bancário em Maringá

Maus presságios

Luiz Balbino
da Silva Júnior

Dois anos se passaram após os ataques terroristas a Nova York, cujo terror marcou o início de uma nova era. George Bush, com suas medidas paliativas e equivocadas, mostrou que o contexto que leva hoje uma nação poderosa como os EUA à guerra é diferente da que levaria um grande país ao conflito armado no século passado. Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, soldados deixavam suas casas com o objetivo de aniquilar um inimigo definido por um Estado. Matava-se um alemão porque representava o líder Adolf Hitler.
Hoje o inimigo não é definido por um Estado nem representado por um líder hegemônico. Sabe-se, no entanto, que sua ideologia – baseada no anti-americanismo e anti-semitismo – difunde-se tão rapidamente como um rastilho de pólvora e que tende a adquirir novos adeptos na medida em que aumenta a intransigência racial e o estado de miserabilidade das nações; não só predominantemente islâmicas. Na época da guerra fria, período em que os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) dividiam o mundo em duas partes, havia pelo menos segurança interna. Hoje abalados com os ataques de 11 de setembro e com o temor da reincidência.
Ocorre que as nações ricas ignoram o fato de que para toda a ação existe uma reação. Na lógica do sistema capitalista, lucro e prejuízo não são paralelos distintos. Sempre que um Estado ganha, outro perde, em todos os sentidos. A repercussão é tão negativa que até o Brasil tem preocupado pelas suspeitas de que a Tríplice Fronteira esteja financiando redes terroristas, incluindo a Al-Qaeda, do intelectual Osama Bin Laden. Procurado no Afeganistão pelas tropas americanas, não foi encontrado. Do mesmo modo ocorreu com o Iraque e seu líder Saddam Hussein, mas a peculiaridade é o fato de que guerrilheiros dos países vizinhos adentram o país para organizar atentados contra os fadigados soldados de Bush.
O Oriente Médio, palco do conflito preconizado entre palestinos e judeus, não foge à regra. Há cientistas afirmando que o sentido da vida (ou da morte) dos povos daquela região é ver o sangue do outro correr. Pura e simplesmente. Não seria, porém, melhor condição de vida aos palestinos que iria inibir a explosão de ônibus lotados de criancinhas judias. Acima das questões econômicas, os povos tendem a se rebelar na medida que provém de regiões cuja história é marcada pelo sofrimento e exasperação. Da nova era pós-11 de setembro, só resta aguardar o pior.
LUIZ BALBINO DA SILVA JÚNIOR é estudante do curso de Jornalismo no Cesumar em Maringá

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