ESPAÇO ABERTO
O inesquecível Getúlio Vargas
Quando fazemos um retrospecto dos acontecimentos que marcaram de forma histórica a época da segunda grande guerra mundial, não podemos deixar de louvar a sábia visão de Getúlio Vargas ao relutar em adotar logo uma decisão que se mostrava temerária e insegura para os inalienáveis interesses do Brasil.
A hesitação de Vargas, no particular, teve a argúcia, a ponderabilidade e a prioritária intenção de perscrutar os legítimos interesses do Brasil que, nas circunstâncias, despertava vivo interesse das partes em litígio.
Foi uma fase crucial para o governo brasileiro, sofrendo pressões diplomáticas de toda ordem, mormente de espiões, com suas cavilosas infiltrações nos meios propícios às informações subterraneamente colhidas e transmitidas aos responsáveis pelo destino das nações envolvidas numa guerra que se delineava decisiva para o futuro do mundo.
Só mesmo a inteligência, a perspicácia e o equilíbrio de um estadista do porte de Getúlio Vargas, para decidir sobre a efetivação de uma medida adequada aos nossos interesses.
Agora que a imprensa e outros órgãos de informações estão tendo acesso aos arquivos, antes considerados sigilosos, tem chegado ao conhecimento geral como o Brasil, de certa forma, esteve envolvido nos ''meandros'' da segunda grande guerra, entre 1939 e 1945, mesmo antes de sua participação efetiva (FEB), sua localização estratégica para o intercâmbio de matéria-prima e, mesmo, a troca de informações através do Atlântico, ficou patente o interesse do ''Eixo'' e dos ''aliados'' pela co-participaçao do Brasil no conflito.
Mesmo que tenha transparecido alguma simpatia de Getúlio Vargas por Hitler ou pela nação germânica, cujo indiscutível desenvolvimento despertava a atenção de todo o mundo, não seria de estranhar, ainda mais quando Henry Ford, fundador da maior fábrica de carros dos Estados Unidos, portanto, símbolo representativo da grande nação americana, chegou a ser condecorado por Hitler, a quem nunca escondeu sua admiração, tanto que mereceu citação de seu nome no livro ''Mein Kampt'', uma autobiografia do líder alemão!
Isso tudo demonstra e sagacidade e a visão de Getúlio Vargas em só participar da guerra quando houve razão plausível para assim agir.
É oportuno transcrever aqui o que disse Afonso Arinos, líder político da UDN, partido que se opunha a Getúlio Vargas: ''Seu espírito de homem público era excepcional, suas qualidades políticas o fariam um homem de Estado, seu amor pelo Brasil autêntico, sua solidariedade para com o povo genuína. Muito inteligente e sensível, Getúlio Vargas percebeu que a manutenção do poder no seu tempo dependia da expansão dessas sentimentos que lhe eram naturais. E hoje, continuo mais convencido de que no nacionalismo e no progresso social estão os pilares do desenvolvimento e da democracia no Brasil''.
NEWTON DE MENEZES, 86 anos, é ex-gerente aposentado do Banco do Brasil em Jacarezinho.
Brasil necessita de uma ISO
Pelo que vemos, o Brasil está seguindo a mesma trilha aberta pelo governo anterior, FHC. Como sabemos, o atual governo fazia um tremendo alarde quando haviam aumentos nos preços dos combustíveis. Nosso governo quando ''oposição'', prometera uma verdadeira revolução em termos de organização. Era a tão sonhada implantação da ISO - International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização).
Agora, no poder, não tem forças para controlar, sequer os preços dos combustíveis, energia elétrica, telefonia, etc. Um exemplo típico disso tudo é a Petrobras informar que não pode fazer nada para obrigar as distribuidoras a baixarem os preços dos combustíveis, na mesma proporção em que a própria estatal faz. Usam sempre o mesmo álibi: ''estamos fazendo a nossa parte''. Segundo a Petrobras, os preços são livres. A ANP, por outro lado, não interfere, pois não possui instrumentos necessários para fazê-lo.
O que percebemos é a existência de um verdadeiro pool por trás de tudo isso. Nosso governo, infelizmente, não está organizado e não possui ferramentas para combater essa organização oculta. Já contra os pontos que é a ponta não há nada, legalmente a fazer.
Segundo as distribuidoras, os preços são livres no mercado e, assim sendo, podem fazer o que bem entender, ou seja, o povo consumidor paga pela ''desorganização''.
O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, bem como a Ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, afirmaram por várias vezes a queda nos preços dos combustíveis, mas a conspiração, ou seja, o poder dos interesses ocultos é maior que os das nossas autoridades.
Nossas autoridades deveriam implantar, no Brasil, as normas estabelecidas pela ISO, para combater os grupos ocultos organizados, e dar uma outra cara ao nosso País, seguindo os seguintes princípios: primeiro, consenso, onde o ponto de vista de todos os interesses é levado em conta (produtores, vendedores e usuários, grupos de consumidores, laboratórios de testes, organizações governamentais); segundo, abrangência, onde a elaboração das normas buscam soluções para satisfazer produtores, comerciantes e os consumidores; terceiro, trabalho voluntário, onde a normalização internacional é dirigida pelo mercado e baseado no envolvimento voluntário de todos os interesses.
O atual governo terá que dar ao povo um certificado que atesta a conformidade do sistema de qualidade de seu governo, mostrando, assim, que a sua organização está apta a obter um certificado do molde contratual da ISO. Para tanto, há a necessidade da comprovação de sua competência, pois por enquanto...
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá
Os artigos para o Espaço Aberto devem ter, no máximo, 35 linhas e podem ser encaminhados pelo e-mail [email protected]. Textos acima dessa medida não poderão ser divulgados. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal.





