Renan Calheiros
O nascimento de Jesus Cristo, a maior celebração cristã do mundo, é comemorado em todo o Planeta e exige de nós, cristãos e mesmo das pessoas de outras religiões, uma profunda reflexão sobre os ensinamentos divinos e os tempos modernos, que a rigor, vêm nos afastando do legado que nos foi deixado.
Além do nascimento de Jesus, o Natal é uma data que encarna uma multiplicidade enorme de simbologias. É uma festa para agregar a família, representa a esperança, a fertilidade, a maternidade, fecundidade e sintetiza a fé na justiça e igualdade entre os homens – um fim perseguido há milhares de anos.
A vida – como nos ensinou Jesus Cristo – é para ser cumprida com denodo, altivez, justiça e integridade. Aquele que, voluntariamente, inscreve-se nos preceitos divinos, dificilmente resvala a indignidade. O código bíblico nos indica a decência e a honradez. É isto que devemos perseguir.
Espelhar-se em Deus é perseguir continuamente um rosário de condutas que dignificam a alma humana: perdoar, compreender, consolar, repartir, socializar, mas, acima de tudo, renascer. O renascimento diário sobrepondo o iníquo, o desonesto, o mesquinho, a cobiça e a perfídia.
Os ensinamentos divinos, se cumpridos fielmente, sintetizam a maior expressão de afirmação da vida. A vida, sendo exercitada dentro destes conceitos, ainda que eventualmente possa parecer improdutiva, engrandece o homem e contribui para que sejamos a reprodução da imagem divina.
Até à Revolução Francesa, recorrendo ao fato de Deus ter eleito Moisés como condutor de seu povo, os reis eram escolhidos pelo direito divino e coroados pela Igreja. Qualquer objeção se constituía em crime e ateísmo. A criatividade de Rousseau permitiu subverter esta ordem sem que lhe cortassem o pescoço por heresia. Deus escolhe os reis, mas manifesta sua vontade através do povo. De onde se consolidou a expressão: ‘‘A voz do povo é a voz de Deus.’’
Elegemos nossos representantes e não devemos creditar seus tropeços às interferências divinas. Temos uma geografia árida no País e um quadro rústico e cruel de decomposição, avareza, destruição e indiferença em todo o mundo. As almas estão enrijecidas, carentes de esperança.
Vivemos tempos difíceis, mas superá-los é o maior ensinamento de Jesus Cristo. Não vamos permitir que nossos corpos sejam confiscados pela desesperança e pela sonolência. Ainda que a dura realidade venha se impondo fustigante, ultrapassando nosso desejo de um futuro melhor, vamos, juntos, reter no coração a promessa da primavera, que certamente virá.

mockup