Espaço Aberto
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A história de Palmira
Fauzi Nasser
A República Árabe da Síria, hoje, é a continuidade do progresso que esta nação representou no passado longínquo graças ao espírito empreendedor do seu povo, dinâmico, valente e misericordioso. A Síria tem um papel incomparável na história da humanidade, pois ali o homem descobriu o segredo da agricultura, da metalurgia, e inventou o primeiro alfabeto da Terra. Ali também germinaram as correntes religiosas e filosóficas, além do sistema arrojado do comércio, que se estendia desde as montanhas de Taurus até o Sinai e do Mar Mediterrâneo até o Rio Eufrates.
Pela Síria passaram várias civilizações que também deixaram o seu vestígio, em Damasco - que é a capital atual do país e a cidade mais antiga do mundo - Alepo, Homs, Hama, Lataquia e os antigos reinos Ugarit (Ras Shmara), Mari (Tell Hariri), Ebla (Tell Mardij), Palmira (Tadmur). Estes locais são os principais centros turísticos do país.
Palmira fica a 230 quilômetros a leste de Damasco. No Terceiro Milêncio a.C. a cidade já era mencionada sob o nome semita de Tadmur, e se encontrava isolada em pleno deserto, mas detendo abundantes recursos que faziam dela um próspero oásis. Palmira foi uma estação e um entreposto de mercadorias entre Mediterrâneo, Pérsia, Arábia, Extremo-Oriente, Índia e China e era a parada obrigatória das caravanas que desejavam seguir um caminho mais curto entre o Oceano Índico e o Mar Mediterrâneo. A cidade constituía-se de aramaicos de origem e de árabe de origem nabatea. Seus habitantes tinham uma escrita própria (palmirena), derivada do aramaico, conforme inscrições descobertas junto a vários monumentos e ruínas da época. A língua praticada por eles era o aramaico. Em latim, Palmira quer dizer a cidade das palmeiras.
Com o desmembramento do império de Alexandre, no século I, Palmira passou a pagar tributos ao império romano, sendo reduzida a uma cidadela. Depois, face a fortes ameaças de invasores, ela foi declarada cidade livre por Adriano, e em seguida elevada à condição de colônia romana, mas mantendo o seu status de antes, conservando suas instituições como o Senado e seus deuses próprios.
Na segunda metade do século III, Palmira libertou-se de Roma. Com a morte do rei Odenatu, no ano de 267 - que governava de fato todo o Oriente Romano - assumiu Palmira a rainha Zenúbia, viúva de Odenatu. Com seu alto espírito de bravura e conquista, Zenúbia ampliou seu império do Mediterrâneo ao Tigre e da Ásia Menor ao Egito, até que no ano 272, as tropas romanas a derrotaram, determinando a decadência de Palmira.
No ano de 273, Palmira se converteu em local de menor importância. Até que no século XII, o Santuário de Bel foi transformado em fortaleza importante e no começo do século XVII o emir Fakar Ad-Din, que dominava a região, utilizou o local para exercício das polícias do deserto.
Palmira ou Tadmur. Quem a visita hoje contempla um conjunto maravilhoso de ruínas que demonstram a sua grandeza do século III d.C.
- FAUZI NASSER é empresário em Londrina





