Opinião Atualizado em 29/07/2018, 23:00
ESPAÇO ABERTO
O Brasil tem a segunda maior população negra do mundo. Eles compõem 54% da população brasileira. Com um número como este é de se esperar que tenhamos negros em todos os cargos e setores do mercado de trabalho, certo? Infelizmente, a realidade não é esta.
Pior que do que a lenta inclusão de negros e negras nas empresas em cargos de gestão e alta liderança, é o fato das empresas não acharem que isso é um problema. Esse cenário pode ser visto claramente em pesquisa realizada pelo IBGE em 2010, que entrevistou 15 mil pessoas e detectou que a cor da pele interfere na vida profissional de 71% deles.
Felizmente, há entidades e empresas que reconhecem que a questão racial faz parte da sua responsabilidade corporativa. Como é o caso da Federação Brasileira de Bancos, que iniciou há alguns anos um programa que valoriza a diversidade, com foco na inclusão de negros.
Existem ainda outros projetos, como o Empregueafro, que visa aumentar a competitividade e empregabilidade dos negros no mercado de trabalho, e o ProtoNegro, que busca ampliar o crescimento profissional e auxiliar as empresas no processo de recrutamento de negros e foi desenvolvido pela empresa de RH Proton Consultoria. A ThoughtWorks do Brasil também faz parte desse grupo e lançou uma campanha para combater e diminuir a baixa representatividade de negros em cargos executivos e está recrutando desenvolvedores de softwares negros e negras.
Outro fator fundamental para mudar esse panorama é o engajamento e o exemplo dos altos executivos das empresas. O presidente da Bayer, Theo Van der Loo, é um deles! Ele acredita que todos devem se unir para combater a desigualdade racial e afirma que os negros não querem favores, querem oportunidades. Esse olhar é essencial para formar uma sociedade mais humana e plural.
Se você quer transformar a sua empresa, comece fazendo um mapeamento da diversidade para checar quantos colaboradores negros e negras você tem, depois verifique em que cargos eles estão. A partir daí, estabeleça uma meta de diversidade na contratação dos profissionais negros e negras e avalie constantemente a retenção. Ela só funcionará se você tiver uma cultura de inclusão para que todos se sintam pertencentes ao grupo. Você está preparado para criar um caminho para mudar esse cenário? Afinal, todos nós somos parte da solução.
CRIS KEER é palestrante, CEO da CKZ Diversidade e idealizadora do Fórum Mulheres em Destaque e do Fórum Gestão da Diversidade e Inclusão
Fica cada vez mais evidente a importância do regime de colaboração para melhorar a educação brasileira. Isso está posto no Plano Nacional de Educação como instrumento estratégico para alcançar as metas educacionais para 2024. Agora, com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, novamente se configura o valor do regime de colaboração entre as três esferas de governo em colaboração com a sociedade.
Esse espírito de colaboração para efetivar o direito à educação enquanto obrigação do Estado e da família, em conjunto com a sociedade, já estava posto no Artigo 205 da Constituição Federal. Na prática, isso tem se efetivado mediante convênios entre os entes federados e os consórcios intermunicipais. Mas outro caminho que tem se mostrado bastante flexível e criativo são os Arranjos de Desenvolvimento da Educação, conhecidos como ADEs.
A boa notícia é que, desde a sua homologação pelo Ministério da Educação, em 2011, esse mecanismo, que promove a colaboração entre municípios de um dado território com as mesmas características sociais e culturais, tem crescido em todo o país. Em 2018, já são 12 arranjos envolvendo mais de 165 municípios. Mas atuar em colaboração dá resultado? Algumas experiências dizem que sim.
Na região do ADE Noroeste Paulista, há cinco anos, mais de 55 municípios se organizam para promover um Congresso Internacional de Educação para ofertar formação continuada de qualidade para professores. O Ideb médio da região passou de 6 em 2007 para 6,5 em 2015.
Em Santa Catarina, no ADEGranfpolis, desde 2015, 22 municípios se uniram para enfrentar quatro desafios identificados no território. Um deles é a redução da distorção idade x ano, que, na média, alcança 12,8% dos alunos. Em 2017, a partir da parceria com o Instituto Ayrton Senna, 92% dos alunos matriculados no programa "Se Liga" foram alfabetizados e 100% dos alunos foram promovidos ou avançaram de ano escolar por meio do programa Acelera.
Esses exemplos mostram que precisamos celebrar o número de arranjos em crescimento no país. Afinal, alianças podem representar uma grande oportunidade para aumentar a equidade e a qualidade da educação.
ELIZIANE GORNIAK, diretora do Instituto Positivo e MOZART NEVES RAMOS, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna e Conselheiro do Instituto Positivo
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